Impressões: Copa City aposta no universo futebolístico para trazer uma nova roupagem ao gênero Tycoon

O título une a complexidade dos gerenciadores à paixão das arquibancadas com gestão urbana e uma narrativa sobre o amor ao esporte.

em 02/03/2026

Copa City, revelado durante o evento PC Gaming Show em junho de 2024, chamou a atenção logo de cara por buscar criar um novo subgênero, fundindo gêneros com padrões já estabelecidos. Tycoons, para os que não estão familiarizados, são games que simulam o gerenciamento de negócios ou eventos — como é o caso aqui — e até mesmo cidades inteiras (estes mais comumente chamados de city builders), dentre os quais os mais conhecidos são o gerenciador de parques RollerCoaster Tycoon, a clássica franquia de gestão de cidades SimCity, e a mais popular atualmente no gênero: a franquia Two Point (Hospital, Campus, Museum).

Iniciando o aquecimento

O tutorial em si é dividido em oito etapas e um trecho de campanha, que guiam os jogadores desde a construção da infraestrutura para receber os torcedores, passando pela logística das torcidas, até o gerenciamento total do estádio, isso tudo sem esquecer da população que reside na cidade.

Durante a primeira metade da demo, somos apresentados à proposta do título e nos é dado o entendimento do que cada elemento fará. Devemos prover alimentação, segurança e diversão na cidade que receberá a partida; mesmo sendo o básico, isso influenciará muito o resultado final, já que este primeiro elemento é o que define se conseguiremos conquistar os torcedores para que fiquem na cidade e, eventualmente, consigamos vender o número planejado de ingressos e manter o negócio sustentável.

Para isso, teremos um mapa dividido em distritos onde deveremos comprar propriedades e, nelas, montar toda a estrutura das "Fan Fests", como vemos principalmente durante a Copa do Mundo. Nestes locais, instalamos a estrutura para receber os torcedores e para o alistamento dos voluntários, que serão nossa mão de obra principal.

Ali, utilizando uma ferramenta de posicionamento em grade — tradicional do gênero —, posicionamos cada fornecedor de maneira que fique o mais confortável possível para torcedores e turistas. É preciso, por exemplo, evitar o posicionamento de geradores próximo a locais de locomoção das pessoas, para que o barulho do maquinário não atrapalhe a diversão.

A logística é a parte que garantirá que os torcedores cheguem até as cidades, transitem dentro dela e fiquem confortáveis no deslocamento até o estádio no dia do jogo. Fazer com que eles passem pelas Fan Fests é essencial, assim como evitar que grupos rivais se cruzem e gerem confusão.

Preparando o palco

A segunda etapa — e onde o jogo apresenta seu verdadeiro diferencial — é o gerenciamento do estádio. Nele, teremos de definir o posicionamento das torcidas, aqui divididas em comuns, ultras (as torcidas organizadas, para nós brasileiros) e famílias. Nesta fase, o foco da gestão passa a ser, principalmente, a satisfação e a segurança, que conquistamos provendo os elementos anteriores (comida, segurança e diversão) e posicionando os funcionários e voluntários de maneira com que todas as áreas do estádio tenham cobertura completa dos serviços.

Os funcionários responsáveis por circular com comida entre os setores devem estar, por exemplo, próximos às escadas da arquibancada, enquanto a segurança deve cobrir principalmente os acessos. Da mesma forma, precisamos garantir que as equipes médicas tenham acesso ágil a todas as áreas do local do evento. Há ainda a adição estratégica do valor dos ingressos, que deve ser cuidadosamente ajustada para atender tanto aos torcedores quanto ao negócio — algo imprescindível para alcançar o sucesso comercial.

Além disso, teremos de preparar o palco principal: o campo. Garantir que o gramado esteja em ótimas condições e que os clubes tenham toda a estrutura necessária também passa por nossas mãos.

Todo esse conjunto de planejamento nos rende experiência, com a qual liberamos estruturas mais eficientes e packs de cartas. Estes cartões podem ser aplicados para fornecer bônus diversos, que vão desde uma porcentagem maior de lucro até impulsos na captação de voluntários, passando por melhorias nas demais categorias de serviços.

A magia do futebol

Nesta parte em específico, achei interessante que Copa City apresenta ao jogador uma narrativa, algo incomum para o gênero. No jogo, assumimos o papel de um goleiro aposentado que viveu uma experiência mágica em uma final; um momento onde “o corpo não responde mais ao cérebro, ele responde ao coração”, como diria o narrador Jorge Iggor. Essa memória o motivou a buscar proporcionar essa mesma sensação ao máximo de pessoas possível.

Para que este plano de fundo funcione, teremos um sistema de perguntas e respostas para interagir com parceiros do negócio e traçar objetivos para cada evento, seja ele focado em um evento familiar ou para favorecer os torcedores mais fervorosos. Em amistosos, por exemplo, o mais interessante é focar em proporcionar um ambiente familiar, enquanto em finais ou clássicos, o melhor comercialmente é priorizar os ultras.

Diferente dos tradicionais games de futebol como EA Sports FC ou eFootball, onde o foco é a licença dos jogadores, no Copa City o licenciamento foca na identidade da instituição e na experiência do torcedor:
  • Identidade visual: você verá escudos e uniformes oficiais dos clubes em todo o material de marketing dentro da cidade (outdoors, banners, etc.). Toda a ambientação da cidade muda conforme os times que estarão jogando.
  • Cânticos e comportamento da torcida: o jogo promete que a torcida do Flamengo, por exemplo, terá comportamentos e padrões diferentes da torcida do Arsenal, refletindo a cultura real de cada clube.
  • Logística específica: as exigências dos clubes para os jogos serão baseadas na realidade. Você terá que preparar o vestiário e o gramado de acordo com o que um clube de elite como o Bayern exige.
  • Ambientação real: as cidades de Varsóvia (Polônia), com o Stadion Narodowy, e Berlim (Alemanha), com o histórico Estádio Olímpico, são as arenas inicialmente disponíveis, recriadas com fidelidade.
No auge dos meus 30 anos, é relativamente difícil ser surpreendido com algo novo no que se refere a videogames. Como veterano do gênero Tycoon/City Builder, inicialmente não tinha grandes expectativas, mas confesso que, ao testar a demonstração, Copa City conquistou minha atenção por — ao menos até aqui — conseguir cumprir seu objetivo: trazer algo realmente novo e divertido, principalmente para os amantes do esporte mais popular do mundo.

Autoriza o árbitro!

A impressão que fica neste primeiro contato com Copa City é a de que, para quem acompanha o universo do futebol além das quatro linhas, tudo é muito natural, basta se familiarizar com as mecânicas. Já para quem é torcedor casual ou pretende jogar por gostar de gerenciadores, resta saber se, quando for dado o apito inicial em maio, a complexidade da gestão urbana conseguirá manter o ritmo sem se tornar repetitiva. Para um primeiro contato, o jogo é, sim, promissor.

Copa City possui uma demo disponível no Steam e estará disponível para PC (Steam e Epic Games Store), PlayStation 5 e Xbox Series em 21 de maio de 2026, com localização em português do Brasil.

Revisão: Alessandra Ribeiro
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela Triple Espresso S.A.

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Windsor Santos
Jogadorino desde os áureos anos 90, geralmente surpreende amigos com a quantidade de títulos que já finalizou. Divide o amor por games com seus mangás, Hq's e filhotes. Agora seu objetivo é registar seus conhecimentos para as novas gerações de jogadores.
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