Análise: Tokyo Xtreme Racer — é ao pôr do sol que os corredores de verdade aparecem

Entre nas rodovias cheias de pilotos astutos e gangues para mostrar quem é o rei do asfalto.

em 10/03/2026
Com tantos simuladores e títulos realistas, os gamers das antigas por vezes sentem falta de uma pegada mais arcade, sem necessidade de tanta precisão técnica. Tokyo Xtreme Racer vem para reviver essa proposta, trazendo alta velocidade sem firula nas ruas de Tóquio.

Luzes, asfalto, ação!

Em posse de alguns milhões de ienes, compramos nossa primeira máquina, e com ela já partimos para a ação nas vias movimentadas da capital do Japão. Podemos vagar livremente em meio ao tráfego, e qualquer veículo pode ser desafiado para uma corrida. Basta ficar atrás dele e dar um toque no farol, que a disputa começa. Nesse momento, cada carro ganha uma barra de energia, como em um jogo de luta, e quanto maior a distância que mantermos do adversário, mais rapidamente a energia dele será drenada e ele será derrotado.

Todavia, nem todo mundo que circula na pista está para brincadeira. Em meio aos motoristas mais pacatos transitam membros de clubes e gangues, com veículos modificados e cheios de estilo. Derrotar todos os integrantes faz com que o chefe deles venha tirar satisfação, e deixar ele comendo poeira faz com que todo o grupo seja derrotado. Além deles, há os wanderers (andarilhos), que não possuem filiação nenhuma e são ainda mais difíceis que os anteriores.

A missão de Tokyo Xtreme Racer é simples: ganhar de todo mundo e se tornar o maior piloto das noites nipônicas. Por um lado, o ritmo de jogo gira em torno apenas de melhorar seus atributos, ir para o mapa, ganhar de um número X de pessoas na noite e retornar à garagem, o que é bastante repetitivo; por outro, a facilidade e rapidez com que tudo ocorre acaba trazendo aquele apelo de “ok, acho que vou rodar por aí só mais uma vez”.

A pilotagem simples também é um dos atrativos. Não é necessário se preocupar com  trechos elaborados, pois as vias são largas, variando entre duas e até cinco pistas, nos dando o trabalho apenas de desviar de quem está pelo caminho. A única parte que deixa a desejar na direção está no drift, que não funciona da maneira que estamos acostumados. Parece que todos os carros, sem exceção, têm os melhores freios do mundo, e não derrapam o bastante nas curvas mais fechadas, que por sorte, são poucas.

A cada gangue derrotada, novos competidores aparecem pelo mapa, seja transitando ou em estacionamentos, nos quais podemos entrar pela lateral da rodovia. Vale lembrar também que nem todas têm o mesmo número de integrantes e há um detalhe interessante: não é possível andar na contramão. Sempre que entramos no mapa, devemos escolher um ponto de acesso, e então ir atrás de quem está no mesmo sentido que o nosso. Isso nos leva a pensar bem por onde entraremos na rodovia, a fim de empilhar vitórias e ganhar ainda mais dinheiro com os bônus de continuidade.

Um jardim de árvores… de atributos?

À medida que progredimos, e os oponentes trazem bólidos ainda mais envenenados, temos que acompanhar o ritmo e melhorar a nossa garagem. Tudo é feito pelo esquema de “árvores de atributo”, no qual usamos pontos para comprar uma habilidade, que desbloqueia mais duas, por exemplo, e assim seguimos até preenchê-la por completo.

Entretanto, tudo que se refere à nossa evolução está dividido em quatro ramificações: uma delas está ligada ao nível das peças que podemos instalar no nosso carro, e assim deixá-lo mais potente; a segunda refere-se à vantagens que podemos ter, como aumentar o dano causado nos oponentes ou engordar o dinheiro e os pontos que ganhamos após cada vitória; uma terceira foca nos nossos atributos, como habilidades que podem ser usadas para aumentar nossas vantagens — e sim, essas duas últimas poderiam estar unidas em uma coisa só, mais enxuta.

A que deixei para citar por último, que por acaso é a primeira da lista, foi a que me causou mais estranheza. Ela serve para liberar os carros, que depois precisam ser comprados também. Seguindo a premissa da proposta mais arcade, seria melhor até para o fator replay se fosse possível liberar cada carro após derrotar ele em uma corrida, e em cima disso aplicasse algumas condições especiais, como já acontece para encontrar e derrotar os wanderers, por exemplo.

Esse fator torna o desenvolvimento inicial bastante lento, mesmo para seu estilo mais direto ao ponto. Demora uma boa dúzia de provas para juntar pontos, liberar alguns carros mais interessantes e então juntar dinheiro para adquiri-los. Outra opção é a de derrotar os chefes das gangues, pois alguns deles deixam seus carangos para serem comprados, mas o valor deles é bem mais alto do que as versões padrão, já que eles vêm preparados com uma tunagem própria.

Perdendo um tempo na garagem

Um jogo de corrida noturna não pode ficar sem uma área de customização, e nessa parte Tokyo Xtreme Racer acerta em cheio. Podemos personalizar não só a cor do nosso carro, mas também combinar diversos adesivos para fazer sobreposições únicas, dentro de diversos temas.

Caso você seja um piloto orgulhoso e queira mostrar todos os rivais que foram abatidos, também é possível usar os adesivos deles assim que o líder da gangue é derrotado. E para quem sente saudades do ilustre Need for Speed Underground, também temos diversas combinações de rodas, pneus, spoilers, capôs, saias laterais, para-choques e até luzes neon para rasgar a noite cheio de estilo.

Quem curte aspectos mais técnicos também está bem servido. Há opções de calibrar cada pneu individualmente, encurtar ou prolongar a entrada de cada marcha e regular a altura da suspensão, só para começar. Até mesmo a placa pode ser feita sob medida, com a opção de fazer ela brilhar no escuro.

No fim, essa é uma das partes mais gostosas de Tokyo Xtreme Racer. Ao avançar consideravelmente e liberar alguns carros mais potentes, é inevitável perder algumas boas horas posicionando milimetricamente cada adesivo.

O verdadeiro desafio em Tóquio

Tokyo Xtreme Racer é ideal para quem sente saudades de uma proposta mais objetiva. Desafio crescente em boa medida e caçar rivais pelas cidades da capital japonesa é uma missão satisfatória, mas que pode decepcionar quem queria algo mais profundo, principalmente do grinding inicial e pela repetitividade constante que é entrar e sair do mapa a todo momento.

Prós

  • Jogabilidade simples e objetiva, e a ideia de só dar um toque de farol para desafiar alguém é uma sutileza bacana;
  • Os rachas funcionarem como um jogo de luta também é uma ideia que encaixou bem;
  • Um mapa longo e cheio de desafios, com oponentes que vão ficando mais difíceis de maneira gradual;
  • Diversas opções de customização para criar a máquina perfeita.

Contras

  • Logo de início, a necessidade de juntar pontos até para liberar carros novos é um pouco cansativa;
  • Fazer drifts é meio estranho;
  • Apesar da quantidade de coisas para fazer, o ritmo de jogo é bastante repetitivo.
Tokyo Xtreme Racer — PC/PS5 — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Johnnie Brian
Análise feita com cópia digital cedida pela Genki Co.
OpenCritic
Siga o Blast nas Redes Sociais
Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).