Análise: Scott Pilgrim EX — ele só queria que o pessoal fosse ao seu show, mas agora vai ter que salvar o mundo

Demônios, robôs e veganos causam o caos em Toronto e apenas o baixista mais quente do Canadá pode descobrir quem está por trás disso.

em 03/03/2026
A saga de Scott Pilgrim finalmente ganhou um novo capítulo nos games. Em Scott Pilgrim EX, o baixista da banda Sex Bob-Omb terá que enfrentar uma ameaça que distorce as linhas temporais com riffs feitos pelos instrumentos roubados dos integrantes da banda de Scott.

Ajuda improvável

Scott estava tranquilo com sua namorada, Ramona Flowers, até que notou que seus amigos foram sumindo, momentos antes de fazer um show. Ao sair, notou que a cidade estava tomada por três gangues: os demônios, os robôs e os veganos. Esses grupos não chegaram em Toronto por acaso, pois tudo foi parte de um plano maior de um trio enigmático.

Scott e sua amada acabam recebendo auxílio de alguns dos ex-namorados de Ramona, que (pasmem) estão em paz com o casal e pararam de perseguir o jovem. Cada um deles tem suas próprias características:
  • Scott Pilgrim: o herói do jogo é também o personagem mais balanceado, com golpes e combos rápidos;
  • Ramona Flowers: o que falta a ela em força é compensado em agilidade, além de conseguir alcançar inimigos a média distância com o seu martelo;
  • Roxanne Richter: a ninja do grupo possui um longo alcance com as suas espadas, além de ataques aéreos giratórios;
  • Lucas Lee: o astro de Hollywood é o brutamontes da equipe, compensando sua lentidão com socos fortes e alguns ataques giratórios no melhor estilo Zangief;
  • Matthew Patel: o primeiro ex-namorado de Ramona confia em suas habilidades místicas, utilizando magias e conjurando demônios;
  • Robot-01: reprogramado para deixar de perseguir Scott, ele conta com projéteis e lasers para ataques à distância;
  • Gideon Graves: um dos piores e mais malvados ex que Ramona já teve, e antagonista principal da saga, Gideon consegue ser versátil como Scott, contando com ataques físicos e uma espada também.
Scott Pilgrim EX funciona como um beat ‘em up, mas não adota o sistema de fases, corriqueiro do gênero. Aqui temos um mapa, no qual cada segmento tem algum desafio, missão, portal ou interação, como lojas. 

O jogo traz 12 missões, que podem ser concluídas em uma média de duas horas e até é interessante o ritmo não ser demorado com essa exploração mais aberta, mas o vai e vem por cada porção do mapa, às vezes por causa de um diálogo ou item, começa a ser cansativo.

Além disso, podemos trocar livremente entre qualquer personagem do grupo em qualquer momento da aventura, mas somente na casa de Wallace Wells — que é o parceiro de quarto de Scott (na verdade ele é o dono da casa e o Scott mora de favor) —, que está no início do mapa. Ou seja, se quisermos variar o nosso protagonista, temos sempre que retornar ao início de tudo. Claro que se você se dedicar a esse esforço de experimentar cada integrante do time de heróis, será recompensado com diferentes finais para cada um deles.

Eu nem vi de que lado veio esse soco

Como um tradicional beat ‘em up, temos diversas seções com uma batelada de inimigos aparecendo de todos os lados, e digo não só das extremidades da tela, mas vindo de dentro de latas de lixo, descendo de árvores, surgindo de bueiros, entre outras entradas cômicas.

A jogabilidade obedece bem aos nossos comandos, com combos responsivos, intercalando saltos e o uso de objetos, que podem ser usados como armas ou arremessados. Inclusive, aí entra mais uma ótima característica do universo de Scott Pilgrim: o bom-humor. Podemos utilizar como arma pedras, rabanetes, tacos de baseball, bastões mágicos, chaves e até bolas de vôlei, para causar o caos e abater diversos robôs, criaturas das trevas ou humanos bronzeados com dieta sem nenhum tipo de proteína animal.

O único recurso que poderia ser melhor pensado é o da corrida. Ele pode ser realizado tanto com um botão único quanto dando dois toques no direcional, mas não há um “breque”. Se mandarmos nosso personagem correr, ele fará isso até sair da tela, realizar um ataque ou colidir com o limite lateral. Isso seria facilmente resolvido se o botão designado precisasse ficar pressionado para realizar a corrida, mas não é o caso.

Outra questão incômoda, esta nas três últimas missões, é a da poluição visual. Por mais que seja característico do gênero as ondas massivas de gente querendo te encher de porrada, é sempre bom quando as coisas acontecem de maneira que priorize a ação, mas sem nos deixar desorientados. Nessa parte, Scott Pilgrim EX dá uma derrapada.

Tanto a luta final quanto o último confronto com o Scott Robô tornam-se tarefas ingratas. Os confrontos acontecem em espaços mais estreitos e, à medida que diversos oponentes chegam na tela, junto com bombas que caminham, robôs gigantes, e o chefe que fica para lá e para cá com ataques cheios de efeitos de luz, fica muito complicado de achar onde estamos e, dependendo, só dá tempo de ver nosso personagem perdendo seus últimos pontos de vida.

Uma continuação original de fato

Se há deslizes e confusões na parte estrutural, a narrativa cumpre seu papel de manter a mesma tônica dos quadrinhos e do filme. Bryan Lee O'Malley, criador dos quadrinhos de Scott Pilgrim, que também esteve presente na roteirização do filme de 2010 e no jogo que seguiu baseado no longa, além da animação Scott Pilgrim Takes Off, da Netflix, desenvolveu o enredo de Scott Pilgrim EX, o que deu um charme natural aos acontecimentos e diálogos.

A identidade visual característica em pixel art do primeiro jogo também foi mantida, devido ao retorno do artista australiano Paul Robertson. Para quem é fã, ou pelo menos conhece a franquia por outras mídias, vai ter a sensação de continuidade que o estilo único de Robertson traz a cada ambiente e expressão dos personagens, sejam os heróis, os vilões ou apenas os que estão ao fundo tomando um café ou comendo cachorro-quente.

Por fim, o jogo conta com textos em português e vários diálogos que remetem aos acontecimentos anteriores. Se você já leu os quadrinhos, viu o filme ou jogou Scott Pilgrim vs. The Word: The Game, irá sacar diversas referências, e até alfinetadas de um personagem em outro. Sem contar que também encontrei diversas referências a Street Fighter e Castlevania ao longo da minha partida, tanto em fases, quanto em minigames e movimentos especiais. Um tanto quanto curioso, mas bem pensado no contexto do da aventura.

Já posso curtir minha namorada agora?

Scott Pilgrim EX realmente funciona como continuação narrativa de um universo multimídia, o que é um pouco arriscado de ser feito hoje em dia, dependendo do tamanho da franquia. Como beat ‘em up, ele entrega uma aventura cheia de cores e energia, para quem quer algo que não seja muito complicado para curtir com os amigos, mas o sistema de ficar rondando pelo mapa diversas vezes pode deixar o ritmo de progressão arrastado, mesmo o jogo em si sendo bastante curtinho.

Prós

  • Sete personagens com estilos diferentes para serem usados e com movimentos fáceis de serem aprendidos;
  • A história original criada para o jogo funciona bem como continuação para tudo o que já foi publicado sobre Scott Pilgrim;
  • Ótimo estilo visual que segue bem o charme do material original;
  • O sistema de seguir um mapa aberto não deixa de ser uma boa ideia.

Contras

  • O backtracking necessário para concluir as missões torna tudo arrastado e cansativo;
  • A ação de corrida seria melhor executada com um botão pressionado, pois da maneira atual pode levar a erros e mortes acidentais;
  • Nas missões finais, a poluição visual atrapalha bastante o entendimento do que está acontecendo na tela;
  • Trocar de personagem deveria ser mais fácil do que sempre voltar ao mesmo ponto do mapa.
Scott Pilgrim EX — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Vitor Tibério
Análise feita com cópia digital cedida pela Tribute Games
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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