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Análise: Rhell: Warped Worlds and Troubled Times — Uma pérola criativa dos games de puzzle

Com um sistema de feitiços modular, Rhell transforma a resolução de puzzles de forma criativa.

em 24/03/2026

Rhell: Warped Worlds and Troubled Times
me fisgou pelo olhar. A primeira coisa que saltou aos olhos foi a estética: uma arte fofa e vibrante que lembrou imediatamente o carisma de Hora de Aventura. No entanto, por trás das cores amigáveis, reside um dos sistemas de magia mais engenhosos que experimentei em um título indie recentemente.


A premissa é direta, mas instigante. Controlamos Rhell, uma "Sage", título dado àqueles que são capazes de manipular o arcano, que acorda presa em um calabouço sem explicações óbvias. O estopim da jornada é quase cômico: um livro de runas cai em sua cabeça e com ele, o poder necessário para liberdade. Ao sair da cela, Rhell descobre um mundo onde as pessoas estão desaparecendo misteriosamente, junto com outros Sages, cabe à ela entender o que está acontecendo enquanto completa seu grimório.



Criação de feitiços

É nítido como a SlugGlove (desenvolvedora do game) depositou carinho na construção de Rhell: Warped Worlds and Troubled Times. A direção de arte, com seu traço cartunizado, não é apenas um adereço estético, mas uma escolha que consegue evocar uma nostalgia imediata e acolhedora. Isso se amarra a uma trilha sonora que dita o compasso da aventura, transformando a exploração em algo leve e sensorialmente recompensador.

Onde o jogo realmente brilha, e onde passei horas em um transe de "tentativa e erro", é no seu sistema de magias. Aqui, a feitiçaria é modular. Temos cinco slots que podemos preencher como quisermos com as runas coletadas.

A lógica é simples, combine runas para gerar feitiços. Por exemplo, use uma runa de "empurrar" e o objeto se move um pouco; use cinco e você o lançará longe. O pulo do gato está na combinação: misturar "empurrar" com "rotacionar" faz com que objetos executem uma espécie de "drift" mágico pelo cenário. O livro conta com 40 runas, para serem encontradas, no total, o arsenal expande-se para interações diversas, criando feitiços engraçados, úteis e muito criativos.




Diferente de muitos jogos de puzzle que exigem uma solução única e específica, Rhell celebra a inventividade. É tão bom poder criar uma combinação maluca e perceber que, embora improvável, ela funciona para abrir aquele caminho ou acionar aquele mecanismo. A chave está na criatividade, muito provavelmente outro jogador não teria a mesma solução que eu tive para um mesmo puzzle.

O texto do jogo acompanha essa leveza com diálogos engraçados e autênticos, dando vida aos NPCs espalhados pelo mapa. Suas interações são limitadas a pequenas dicas sobre a história, ou piadocas.



Para onde vou?

O título se define como um mundo semiaberto e, de fato, oferece uma liberdade rara. O jogo dificilmente coloca placas ou paredes invisíveis, permitindo que você cave seu próprio caminho. E digo cave pois pra chegar nos lugares, você vai ter que resolver os quebra cabeças.

Porém temos um probleminha que pode atrapalhar um pouco, a ausência de direções claras pode gerar uma frustração inicial. Em vários momentos, me vi desistindo de um puzzle por sentir que "faltava uma peça" (ou uma runa específica) que eu ainda não havia encontrado na exploração. É uma estrutura que exige paciência: o progresso da história fica, por vezes, à mercê desse "grind" de exploração para encontrar os recursos necessários.



Veredito

Rhell: Warped Worlds and Troubled Times é uma recomendação forte para quem busca um jogo de puzzle que não subestime a inteligência ou a criatividade do jogador. Ele respeita o gênero, mas não vive apenas de fórmulas prontas, entregando uma experiência que parece nova a cada runa desbloqueada. É, sem dúvida, um dos indies mais criativos e mecanicamente satisfatórios do ano.

Prós

  • Sistema de criação de feitiços modular que incentiva a expressão e criatividade do jogador;
  • Arte carismática e direção de arte com excelente legibilidade;
  • Puzzles com múltiplas soluções que recompensam a experimentação fora da caixa;
  • Escrita de diálogos leve, engraçada e cheia de personalidade.

Contras

  • A falta de direcionamento claro pode causar frustração e momentos de estagnação no progresso.
Rhell: Warped Worlds and Troubled Times - PC - Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Johnnie Brian
Análise produzida com cópia digital cedida pela SlugGlove
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Vincenzo Augusto Zandoná
Apaixonado por games desde que nasci, gosto de passar horas tagarelando sobre, principalmente Metal Gear! Ah e também faço café...
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