Lançado em acesso antecipado em abril de 2024, Laysara: Summit Kingdom é mais um título dentro do gênero de gerenciamento de recursos e construção. Seu diferencial está no tema, já que ao invés de colocar o jogador para construir uma metrópole, uma colônia espacial ou um parque de diversões, aqui a missão é desenvolver e fazer prosperar uma civilização inspirada nos povos da região do Himalaia.
Tivemos a oportunidade de experimentar o jogo quando ele chegou em acesso antecipado para PC, há quase dois anos. Agora, retornamos às montanhas para conhecer a versão final do game, que além do PC também está disponível para os consoles da atual geração. Nesta análise, vamos relembrar o que Laysara já oferecia e destacar as novidades deste cativante projeto da Quite OK Games.
Para o alto nem todo santo ajuda
A principal novidade da versão final de Laysara em relação ao acesso antecipado é a inclusão do modo campanha. Ele soma aos demais modos já disponíveis — que comentarei adiante — e cumpre um papel mais didático ao ensinar como jogar.
Na história, acompanhamos um povo que vivia e prosperava nos vales das montanhas, até que uma misteriosa névoa começou a tomar conta da região. As plantações deixaram de se desenvolver, as pessoas passaram a adoecer e a prosperidade virou lembrança. Sem ter mais alternativas, um grupo de aldeões assume a liderança e conduz a população rumo às partes mais altas, tentando escapar da névoa e recuperar a qualidade de vida.
O modo campanha conduz o jogador por essa jornada até o cume da montanha mais alta, com a promessa de encontrar a iluminação necessária para restaurar a paz e a felicidade do povo de Laysara. É possível ajustar a dificuldade, o que torna as tarefas mais exigentes: estruturas mais caras, maior demanda por serviços ou aumento na frequência de eventos naturais, como avalanches.
Os dois primeiros níveis funcionam como um tutorial detalhado, apresentando as mecânicas básicas: construção de estruturas, geração de população, atribuição de tarefas, evolução da vila para o desbloqueio de novas opções e recursos, além da arrecadação e gestão financeira para manter a cadeia produtiva. Até aqui, trata-se do básico que é esperado dentro do gênero.
O grande diferencial está na geografia. Como a construção ocorre em encostas e picos montanhosos, administrar o espaço é um dos principais desafios. É preciso decidir onde posicionar residências, galpões de alimentos, estruturas religiosas e demais prédios que compõem a infraestrutura da vila.
Algumas estruturas produtivas também sofrem influência direta da altitude. A criação de yaks, utilizados como força de trabalho, compensa mais em áreas mais baixas. Já a produção de mel (por meio da criação de abelhas) é mais eficiente em regiões mais altas. Assim, a escolha do local impacta diretamente na eficiência.
Outra mecânica essencial é a logística. Cada construção precisa respeitar determinadas distâncias para funcionar corretamente. Residências, por exemplo, devem estar próximas a depósitos de comida e postos de comércio para que as necessidades dos moradores sejam atendidas e permitam sua evolução.
Como o espaço é limitado, o jogador precisa criar cadeias logísticas eficientes para transportar recursos ao longo da montanha. Apesar de exigir planejamento constante — e, por vezes, testar a paciência — é extremamente satisfatório ver a cidade operar de forma harmoniosa após a organização de uma rede de transporte de recursos bem estruturada.
Dominando a arte do gerenciamento nas montanhas
Além do modo campanha, outros quatro modos completam a experiência de Laysara: Summit Kingdom. Eles já estavam disponíveis desde o período de acesso antecipado.
No modo Cenário, é possível escolher entre diferentes montanhas, cada uma com condições específicas. Há mapas mais simples, com áreas amplas e fáceis de administrar, e outros mais complexos, com terrenos variados e desafios climáticos, como avalanches e tempestades. É uma opção interessante para testar estratégias e exercitar a criatividade diante de situações distintas.
O modo Sandbox oferece, como o nome sugere, total liberdade. Nele, podemos construir cidades em diferentes montanhas e conectá-las, formando uma grande rede comercial. Não há objetivos obrigatórios nem limite de tempo. A proposta é experimentar, expandir e desenvolver assentamentos no nosso próprio ritmo.
Já o modo Desafio apresenta cenários curtos com objetivos específicos. Cada situação exige soluções bem planejadas, colocando à prova o domínio das mecânicas e a capacidade de adaptação do jogador.
Por fim, o modo Construção Livre funciona como um verdadeiro playground. Não é preciso se preocupar com finanças, necessidades da população ou metas a cumprir. Todas as estruturas estão disponíveis desde o início, permitindo explorar as possibilidades do jogo sem restrições.
A variedade de modos atende tanto os jogadores mais dedicados quanto aqueles que preferem uma experiência mais casual. À medida em que nos aprofundamos nas mecânicas, fica mais fácil se envolver com o universo montanhoso do jogo, que combina visuais deslumbrantes com uma trilha sonora acolhedora. Mesmo quando a logística exige planejamento cuidadoso, a atmosfera contribui para manter a experiência agradável, chegando a ser terapêutica, até.
Durante minha cobertura no acesso antecipado, mencionei a ausência de um sistema mais claro de dicas ou lembretes sobre etapas importantes da logística. Na versão final, percebi uma melhora significativa nesse ponto. As notificações estão mais visíveis e explicam com maior clareza o que está errado e como corrigir.
Agora, o desafio passa a ser a própria atenção do jogador — eu, no caso. É preciso acompanhar de perto o funcionamento da cidade para evitar que o dinheiro acabe por falta de trabalhadores ou de recursos essenciais para manter a produção ativa.
Elevando a prosperidade
Laysara: Summit Kingdom encontra sua melhor forma nesta versão completa. A adição do modo campanha, os ajustes na interface e as melhorias no sistema de notificações tornam a experiência mais completa e acessível. Seu grande diferencial está em sua verticalidade. Construir em encostas íngremes, equilibrar altitude e produtividade e criar cadeias logísticas eficientes faz com que o desenvolvimento de cada vila seja como um quebra-cabeça estratégico. Não se trata apenas de expandir, mas de planejar com precisão. Essa identidade própria ajuda o jogo a se destacar dentro de um gênero já bastante explorado.
Ao mesmo tempo, a exigência constante de atenção cria uma barreira já conhecida no gênero, pois não ficar atento ao que não funciona na cidade pode levar aos caos e a derrota. A curva de aprendizado é inicialmente suave, com uma complexidade crescente e rápida. Ainda assim, para quem aprecia o gênero, com um apelo forte a detalhes estratégicos e desafios logísticos, Laysara: Summit Kingdom entrega uma experiência envolvente, recompensadora e visualmente encantadora.
Prós
- Conceito criativo com foco em construção vertical;
- Geografia que impacta diretamente na jogabilidade;
- Cadeias logísticas com um grau de complexidade desafiador;
- Boa variedade de modos de jogo;
- Campanha com função didática eficiente;
- Melhorias perceptíveis na interface e nas notificações em relação à versão de acesso antecipado.
Contras
- A falta de atenção às situações do mapa pode ser punitiva;
- Logística complexa pode se tornar bem complicada nos níveis mais avançados;
- Ritmo mais lento pode não agradar quem busca ação constante;
- Algumas mecânicas exigem tentativa e erro até serem dominadas.
Laysara: Summit Kingdom — PC/PS5/XSX/Switch — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Quite OK Games









