Análise: John Carpenter's Toxic Commando é tiro, porrada e bomba com amigos, na fuça de zumbis

Reúna sua equipe de mercenários para combater hordas de mortos-vivos e tentar salvar o mundo.

em 12/03/2026

Se você considera Aventureiros do Bairro Proibido um dos melhores filmes de “Sessão da Tarde”, já brincou de Snake Plissken e ainda se arrepia ao lembrar de A Coisa, então John Carpenter's Toxic Commando pode ser exatamente o jogo que você procura para reviver essa mesma vibe.

Assinado por John Carpenter — criador desses filmes, só para constar —, na análise de hoje vamos conferir um pouco mais deste título, que combina o estilo oitentista do cineasta com ação exagerada, trilhas sonoras cheias de sintetizadores e frases de efeito que você sempre quis usar, mas nunca teve a oportunidade… até agora.

O trabalho errado, para o grupo errado e na hora errada

Em John Carpenter's Toxic Commando, acompanhamos mais um dia de trabalho de um grupo de mercenários contratado para levar um contêiner misterioso a alguém, em um lugar bastante estranho. Durante a missão, a equipe acaba descobrindo — ao menos em parte — que se meteu em uma confusão de proporções apocalípticas.


Monstros mortos-vivos mutantes dominam uma região em confinamento, e a tarefa do grupo era entregar o contêiner a um cientista, que usaria seu conteúdo para construir uma arma capaz de destruir a criatura dominante responsável por toda aquela situação, para que não ameaçasse o mundo fora dali. No entanto, tudo dá errado quando o recipiente é destruído e os quatro integrantes da equipe acabam contaminados pela substância que assola a região.

Apesar disso, eles são inesperadamente salvos por Leon, o cientista que os havia contratado para transportar a carga. Agora, os mercenários enfrentam um novo problema: a intoxicação que poderia matá-los — e ainda pode — está temporariamente contida graças a trajes especiais desenvolvidos por Leon. Para resolver a situação que ajudaram a provocar — e ainda receber seu tão sonhado pagamento —, eles precisarão explorar o território dominado pelos mortos-vivos em busca de uma nova fonte de energia para a arma que poderia acabar com a ameaça.


Assim, é hora de empunhar as armas mais poderosas que encontrar pelo caminho, reunir até três companheiros e partir em uma missão suicida para tentar salvar o que restou do mundo. Afinal, você agora é mais que um mercenário: é um Toxic Commando.

Um rolê pelo apocalipse

John Carpenter's Toxic Commando é um jogo de ação em primeira pessoa para até quatro jogadores, em modo cooperativo. Também pode ser jogado sozinho, com os demais membros da equipe controlados por bots. O objetivo é realizar incursões em diferentes áreas do mapa, distribuídas em oito capítulos, cumprindo objetivos que fazem a história avançar.

Devido à infecção sofrida pelos mercenários na missão inicial — que funciona como um tutorial —, além de um arsenal tradicional composto por metralhadoras, fuzis, pistolas e granadas, cada integrante do esquadrão assume uma classe com habilidades especiais.


O Atacante é focado em causar dano. O Médico se especializa em suporte e no resgate de aliados. O Operador conta com um drone de assistência. Já o Defensor possui habilidades voltadas para proteger o grupo e absorver mais dano durante os confrontos.

Antes de cada missão, o grupo pode se preparar no laboratório de Leon, que funciona como um hub central. Nesse espaço, os jogadores montam seus conjuntos de habilidades de acordo com a classe escolhida, equipam e personalizam armas e visuais dos personagens, além de participar de atividades extras, como minigames.

Após os preparativos, o líder do esquadrão seleciona uma das missões disponíveis, e a equipe parte para uma nova incursão. Cada área funciona como um pequeno mundo aberto, com diversas atividades, incluindo objetivos principais e secundários. As ações realizadas durante a missão rendem medalhas, que concedem pontos de experiência adicionais e desbloqueiam pontos de técnica, usados para liberar novas habilidades das classes.


Esses pontos são obtidos de forma individual. Em outras palavras, a experiência adquirida ao jogar como Atacante não serve para desbloquear habilidades do Médico. Para evoluir em determinada classe, é preciso jogar com ela e investir tempo no seu desenvolvimento.

Durante as missões, as atividades também geram pontos que liberam novos equipamentos e itens de personalização, como bocais, miras e diferentes tipos de munição. Toxic Commando recompensa constantemente o jogador, oferecendo incentivos para continuar evoluindo, especialmente ao lado de novos companheiros de equipe.

Diversas situações podem surgir durante uma incursão. É possível enfrentar hordas de zumbis, encarar inimigos de elite ou encontrar veículos — às vezes até com um pouco de combustível —, que ajudam a acelerar a exploração e aumentar o caos. Os mapas são amplos, e uma missão pode chegar a cerca de uma hora de duração, caso o grupo decida explorar tudo com calma.


Também existem segredos espalhados pelos cenários, com itens valiosos e equipamentos mais raros e poderosos, que exigem peças especiais para abrir as caixas onde estão guardados, além de objetos que podem ser consertados e usados a favor do grupo. Em outras palavras, a experiência vai além de simplesmente entrar no mapa e sair atirando em monstros. Explorar cada área pode render recompensas extras bastante úteis.

Se possível, não vá só

Para esta análise, como estávamos jogando antes do lançamento, a Focus Entertainment gentilmente nos cedeu chaves adicionais para PC e PS5, permitindo testar o modo multiplayer — com suporte a crossplay — e experimentar o jogo da forma como ele foi pensado: em grupo.

Ao jogar em modo solo, como já mencionado, os bots assumem o papel dos mercenários restantes para completar o esquadrão. Essa opção é interessante, pois evita que a experiência fique restrita ao multiplayer. A inteligência artificial é minimamente competente, e há um botão dedicado para dar ordens básicas ou solicitar apoio, como peças para consertar equipamentos ou abrir caixas de armas.


Em grupo, naturalmente, a dinâmica se torna mais divertida. A interação direta entre os jogadores permite uma coordenação mais eficiente — ou não, caso o objetivo seja apenas a zoeira — na hora de cumprir objetivos. É possível, por exemplo, dividir o esquadrão para cobrir mais terreno ou coordenar ataques para limpar áreas infestadas de monstros.

Com o lançamento, será possível jogar com pessoas fora do seu círculo de amizades. Sempre que possível, vale dar preferência a essa forma de jogo, já que o título foi claramente pensado para a experiência cooperativa. No pior cenário, ainda existe a opção de jogar sozinho, embora, dependendo da dificuldade da missão, os bots possam não ser tão eficientes.


De todo modo, Toxic Commando é uma boa opção para quem gosta de partidas em grupo, com foco em ação e trabalho em equipe. Acredito que o jogo pode até conquistar espaço entre os títulos do gênero em 2026, graças à jogabilidade frenética e viciante, além da irreverência que carrega a assinatura de John Carpenter.

“Goin’ Commando!”

John Carpenter's Toxic Commando aposta em uma proposta bastante clara: oferecer ação cooperativa exagerada e descompromissada, com uma forte identidade inspirada no cinema de horror e ficção científica dos anos 1980. A influência de John Carpenter não está apenas no nome do jogo, mas também no tom irreverente, na trilha sonora e no clima que mistura terror, humor e ação sem freios.


A estrutura baseada em missões, classes complementares e mapas amplos cria um incentivo à cooperação constante entre os jogadores. Explorar os cenários, enfrentar hordas de inimigos e completar objetivos secundários cria um ciclo de progressão que recompensa quem decide investir tempo evoluindo suas classes e equipamentos.

Apesar disso, a experiência funciona melhor quando aproveitada em grupo. Jogar sozinho ainda é possível graças aos bots, mas a essência do jogo aparece mesmo quando há comunicação e coordenação entre jogadores reais. Nesses momentos, as situações caóticas, as estratégias improvisadas e até os erros do time acabam gerando momentos memoráveis.

No fim das contas, John Carpenter's Toxic Commando é um título que não tenta reinventar o gênero, mas, sim, entregar uma experiência cooperativa divertida, estilosa e com sua própria personalidade. Para quem gosta de jogos focados em ação em equipe e não abre mão de uma boa dose de humor e caos, esta é uma opção bastante sólida dentro do gênero para experimentar em 2026.

Prós

  • Jogabilidade cooperativa dinâmica e divertida;
  • Identidade forte inspirada no estilo cinematográfico de John Carpenter;
  • Sistema de classes incentiva trabalho em equipe;
  • Mapas amplos, com exploração, segredos e atividades secundárias;
  • Progressão constante, com desbloqueio de habilidades e equipamentos;
  • Clima irreverente, com trilha sonora e estética oitentistas.

Contras

  • Experiência solo menos interessante em comparação ao multiplayer;
  • Bots podem não ser tão eficientes em dificuldades mais altas;
  • Estrutura de missões pode se tornar repetitiva ao repetir missões em dificuldades diferentes;
  • Dependência de cooperação para aproveitar melhor a proposta do jogo.
John Carpenter's Toxic Commando — PC/PS5/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Focus Entertainment
OpenCritic
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Alexandre Galvão
Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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