Análise: iRacing Arcade acerta na proposta, mas peca no equilíbrio

Com visual simpático e mecânicas acessíveis, o jogo abre as portas da simulação, mas algumas decisões o impedem de alcançar todo o seu potencial.

em 16/03/2026
Diferente do consagrado simulador iRacing, que é exclusivo para PC e foca em uma experiência de simulação ultra-realista, sendo muito utilizado por pilotos profissionais como Rubens Barrichello e o pentacampeão Max Verstappen, iRacing Arcade foi desenvolvido para oferecer uma jogabilidade mais acessível e servir como porta de entrada para o universo da simulação.

Pequeno na aparência, grande nas ideias

Visualmente, a proposta de ser uma introdução ao universo das corridas virtuais fica evidente logo de início: veículos, membros da equipe, pistas e até as estruturas da base do time aparecem como versões levemente miniaturizadas de seus equivalentes do mundo real.

Confesso que essa escolha estética, inicialmente, me pareceu um pouco estranha, mas ela acabou funcionando bem. O visual simpático torna o título bastante atrativo para crianças e, ao mesmo tempo, cria uma atmosfera leve, que faz do jogo um ótimo passatempo para quem quer descansar do ambiente competitivo.

O game conta com um modo carreira em que começamos como um simples piloto e, gradualmente, evoluímos para algo próximo de um gestor de equipe — digo “próximo” porque o gerenciamento, aqui, não chega a ser muito aprofundado, até porque não é a proposta.

A campanha se divide em semanas de competição e semanas de gestão. Nas semanas de corrida, participamos de eventos em diferentes categorias licenciadas; enquanto, nas semanas administrativas, utilizamos o dinheiro conquistado nas provas para expandir a base da equipe. É nesse momento que construímos prédios responsáveis por áreas como engenharia, desenvolvimento de chassi e pesquisa tecnológica.

Na prática, porém, não desenvolvemos diretamente essas áreas. Cada construção libera bônus que podem ser aplicados ao carro antes das corridas. Entre os exemplos estão melhorias de aderência no início da prova, paradas de pit stop mais rápidas ou ganhos temporários de potência durante ultrapassagens.

É também na base que, após algum progresso na campanha, podemos contratar outros pilotos para competir em nosso lugar em determinadas provas. Esse sistema funciona como uma forma de automatizar eventos mais simples e acelerar o ganho de dinheiro. Cada piloto possui um custo de contratação e níveis diferentes de habilidade, além de especializações em tipos específicos de veículos — alguns se destacam em carros monoposto, enquanto outros apresentam melhor desempenho em categorias de carros tradicionais.

Piloto bom…

Dentro da proposta arcade, o jogo adapta bem a jogabilidade dos carros: eles são fáceis de dominar, mesmo para iniciantes, mas ainda exigem alguma atenção nas entradas e saídas de curva, especialmente quando o desgaste dos pneus ou o dano começam a influenciar o tempo de frenagem e aceleração do veículo.

E é justamente neste ponto — nas adaptações — que está o grande mérito do jogo. Ele consegue apresentar vários elementos de um simulador de forma bastante simples. Temos gerenciamento de pneus, combustível e dano do veículo, e todos esses fatores realmente afetam o desempenho dos carros durante a corrida.

…carro ruim

No entanto, ao tentar abraçar uma proposta mais arcade, o game acaba derrapando em alguns pontos importantes. As provas mais curtas, com apenas três ou seis voltas, são rápidas demais e frequentemente terminam antes que qualquer disputa mais interessante aconteça. Já as corridas mais longas, geralmente com doze voltas, raramente exigem paradas para abastecimento ou troca de pneus, desperdiçando uma mecânica bastante interessante: o pit stop não é totalmente automático, e o jogador precisa entrar no pit lane e posicionar o carro manualmente na vaga da equipe.

Esses fatores acabam fazendo com que a campanha funcione quase como um grande tutorial para o modo online, onde competimos em corridas personalizadas com mais voltas e, de fato, precisaremos utilizar estratégias. Aqui, ele acaba se perdendo da proposta arcade, com um modo mais competitivo que já é atendido no iRacing padrão, principalmente porque não há um modo de corrida rápida. Temos de criar um lobby ou entrar em algum. Se você não tiver combinado com amigos de jogar ou não participar de alguma comunidade, o jogo perde totalmente o sentido. Embora eu entenda que o multiplayer tenha seu apelo, dentro da proposta geral deste jogo ele acaba enfraquecendo o modo carreira.

Outro problema evidente está no balanceamento da dificuldade. Não existe um verdadeiro meio-termo: as primeiras provas começam surpreendentemente difíceis, mas, em pouco tempo, passam a se tornar fáceis demais.

Isso gera uma sensação curiosa, quase como reviver repetidamente a corrida final do filme Carros, da Disney. Mesmo quando ficamos nas últimas posições, viramos o Relâmpago McQueen e rapidamente conseguimos alcançar o pelotão. O problema surge justamente nesse momento: ao assumir posições melhores, o carro parece incapaz de manter a posição, como se toda a potência usada na recuperação simplesmente sumisse.

Por fim, a distribuição das 19 pistas licenciadas também deixa a desejar. Em vários momentos, logo após encerrar um torneio em um determinado circuito, o campeonato seguinte inicia ou tem a segunda etapa nesta mesma pista, criando uma sensação de repetição que prejudica a variedade da campanha.

Bom e bonito e uma boa porta de entrada

A trilha sonora não chega a ser relevante em iRacing Arcade, mas é composta por músicas leves, que ajudam a compor o tom geral. Os motores, apesar de não serem muito realistas, apresentam variações perceptíveis entre as categorias, enquanto os efeitos de colisão são simples, mas funcionais.

No quesito técnico, em geral, o jogo está excelente. Não tive nenhum problema de desempenho, e ele é muito leve, mesmo tendo efeitos caprichados de iluminação, física dos carros e geometria das pistas.

No fim das contas, iRacing Arcade é uma experiência curiosa. Ele acerta ao apresentar muitos dos elementos que tornam o iRacing tão respeitado no mundo do automobilismo virtual, tornando esses sistemas acessíveis para novos jogadores. No entanto, problemas de balanceamento e corridas curtas demais, que desperdiçam elementos bons na campanha, acabam limitando o potencial. Para quem busca um jogo de corrida leve e descompromissado, ele é um passatempo divertido; mas, para quem passa tempo online, pode exigir um esforço desnecessário para aproveitar o multijogador.

Prós:

  • Consegue simplificar todos os elementos de um simulador profissional muito bem;
  • Esteticamente, consegue aplicar elementos de simulador ao estilo arcade;
  • As 12 categorias licenciadas são divertidas, e os carros têm diferenças perceptíveis entre si;
  • Traçado dos circuitos bem adaptados para a escala reduzida do game.

Contras:

  • Dificuldade desbalanceada;
  • Variedade de circuitos mal distribuída;
  • Personalização das equipes limitada;
  • Sons dos veículos incomodam em corridas maiores e poderiam ter sido melhor trabalhados;
  • Modo online restritivo, que não faz sentido para um título que quer ser uma porta de entrada.
iRacing: Arcade — PC/PS5/XSX — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Mariana Marçal
Análise feita com cópia digital cedida pela Original Fire Games
OpenCritic
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Windsor Santos
Jogadorino desde os áureos anos 90, geralmente surpreende amigos com a quantidade de títulos que já finalizou. Divide o amor por games com seus mangás, Hq's e filhotes. Agora seu objetivo é registar seus conhecimentos para as novas gerações de jogadores.
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