Aviso: foi anunciado que, devido a falta de engajamento, Highguard será encerrado no dia 12 de março de 2026. Quem puder, aproveite para conhecer o game e sua última atualização antes que seja tarde demais! Vale frisar que a análise foi escrita antes da divulgação dessas notícias.
As regras do jogo
Num primeiro momento, o título pode parecer um pouco confuso. Sua proposta reúne alguns elementos já conhecidos de outros jogos, mas misturados de forma genuína. Highguard coloca duas equipes para se enfrentar em um grande mapa repleto de pequenas zonas com características únicas. O objetivo principal é conquistar a base inimiga, que deve ser defendida a todo custo pelo seu time.
A partida começa com cada time na sua base, prontos para fortalecer as suas estruturas. Para invadir o local do inimigo é preciso destruir portas e paredes. Portanto, reforçar esses elementos pode conceder tempo valioso durante o conflito. Depois desse período inicial as equipes ficam livres para explorar o cenário, buscando recursos, itens e outros bens valiosos para usar na disputa.
Exemplos incluem rifles, pistolas e armaduras. Cada time começa em um extremo do mapa, o que dificulta (mas não impede) conflitos antes de a disputa realmente começar. Isso acontece quando a chamada Invasora aparece no mapa. Ao ser coletada, essa espécie de espada marca no mapa o jogador, que por sua vez deve levar o item até a base inimiga (é possível roubá-lo). Assim, pode-se começar o processo de invasão propriamente dito.
Com a espada, é possível penetrar no escudo das defesas inimigas, invadindo a fortaleza. A vitória é garantida ao se explodir três pontos específicos do local. Caso o outro time consiga repelir o ataque, o ciclo começa novamente. Um contador de tempo limita a duração da partida, garantindo a vitória a quem tiver o melhor desempenho em pontos durante a disputa (mesmo sem destruir a base inimiga).
Não julgue um livro pela capa
Somente pela minha descrição, talvez o leitor tenha pensado que Highguard é um jogo complexo. Na realidade ele é relativamente simples, só diferente: apesar de tarefas como invadir bases e enfrentar inimigos em cenários grandes serem relativamente conhecidas, a combinação cronológica aqui é única. Ou seja, apesar das tarefas de coletar os melhores itens, reforçar os pontos certos da base e conseguir invadir a casa inimiga já serem familiares, temos uma experiência bastante distinta.
Diante de tudo isso, eu diria que a parte mais importante é saber lutar – com armas e poderes especiais – em movimento, de modo a conseguir capturar a Invasora primeiro e depois conseguir levá-la até a base inimiga. Inclusive, o game permite que os jogadores “invoquem” uma montaria (cavalos, lobos ou ursos) a qualquer momento, agilizando os deslocamentos pelos cenários. Saber atirar de cima de um desses animais é importante para se ter sucesso.
Não que isso seja fundamentalmente difícil em Highguard. Em termos de jogabilidade, todos os comandos funcionam muito bem e de forma suficientemente intuitiva. Isso inclui reparar paredes destruídas, mirar e atirar com uma arma de longo alcance ou ativar habilidades especiais. Por falar nisso, é importante explicar um pouco sobre como elas funcionam.
Temos um total de nove personagens diferentes – chamados Sentinelas –, cada um com poderes e características únicas, tais como o uso de trovões, desmaterialização de paredes e invocação de criaturas vegetais. Confesso que, num primeiro momento, achei os estilos estéticos meio duvidosos; alguns pareciam genéricos, outros específicos demais. Conforme eu fui jogando, essa sensação passou quase que por completo.
Highguard tem um estilo visual diferente, tal como a sua proposta de jogo. Ele por vezes tenta ser “descolado” e “radical” em excesso, mas, durante as partidas com seus cenários coloridos e ricos em detalhes, as coisas se encaixam. Aproveito para elogiar o bom nível de qualidade audiovisual, visto que texturas, músicas, efeitos e vozes são ótimos. Destaque para a localização completa para o Brasil, com direito a uma boa dublagem no nosso português.
Ossos do ofício
Embora inicialmente disponível somente para partidas 3x3, pouco tempo após seu lançamento o game recebeu um modo 5v5. Considero esse último melhor para aumentar o nível de interações possíveis e ajudar a vida dos iniciantes. Isso é relevante dada a dificuldade razoável do jogo, sobretudo nas primeiras horas. Apesar de ter objetivos relativamente simples, são muitas as formas de abordar as tarefas envolvidas.
Devo saquear mais em busca de itens bons ou andar junto aos colegas? Devemos todos juntos tentar explodir uma parte da base inimiga ou então nos dividir para conquistar? Embora esse tipo de tomada de decisão exija experiência e, sobretudo, boa comunicação em equipe, acredito que o tutorial de Highguard poderia ter sido mais completo.
Ele acaba sendo meio básico demais, sem explicar mais detalhes sobre como funcionam as partidas ou proporcionar estratégias mais robustas. Existem dicas que surgem na tela durante as partidas e que minimizam as dificuldades. Dito isso, ressalto a questão da comunicação: um time bem entrosado se diverte muito, mas se cada um for por si as coisas rapidamente saem de controle.
Vale citar que, como a maioria dos jogos gratuitos, o rail shooter conta com compras usando dinheiro real. Infelizmente, elas contemplam a maior parte dos itens, o que é piorado pela demora em conseguir recursos dentro do jogo para obter as recompensas “gratuitas”. Espero que os produtores fiquem atentos a isso, bem como balanceamento de poderes e demais ações para (tentar) manter o título relevante.
Escolha sua forma de jogar
Uma das qualidades de Highguard é a boa quantidade de conteúdo do game. É comum os lançamentos free-to-play chegarem de forma mais modesta e serem ampliados com o tempo. Ainda que os produtores prometam novidades no futuro próximo (mais sobre isso logo mais), é sempre positivo já contar com vários personagens, customizações e fases para jogar.
Temos várias fortalezas diferentes para escolher antes das partidas, itens com quatro níveis de raridade, personagens com habilidades especiais únicas e assim por diante. Essa boa quantidade de conteúdo é digna da qualidade de mecânicas como montar e desmontar instantaneamente e recursos de deslocamento como a tirolesa. Tudo torna a experiência mais ágil, refrescante e viciante.
Até mesmo os mapas meio vazios funcionam pela sua beleza e como oportunidade de quebrar o ritmo intenso entre as disputas. Como deve ter ficado claro, gostei bastante da proposta de Highguard e considero-a boa o suficiente para merecer o benefício da dúvida, sobretudo por ser gratuito para jogar. Infelizmente, não sei dizer se o título terá o tempo necessário para convencer os jogadores dessas qualidades.
Na realidade, parece que não é só de tempo que o game precisa, mas de boa vontade do público. Por diversas razões, o lançamento não foi bem recebido e rapidamente foi taxado de ruim, muito devido a uma expectativa acima do que o título se propõe a entregar. É uma pena, visto que estavam previstas para os próximos meses novidades que poderiam torná-lo uma boa referência no mercado.
Em busca de um lugar ao sol
Ao contrário do burburinho geral da internet, eu acredito que Highguard tenha várias qualidades para se destacar em um mercado tão competitivo. Sua produção é bonita e arrojada, com bom trabalho audiovisual no geral para um game free to play. A jogabilidade é sólida e funciona bem em todas as diversas mecânicas disponíveis, que vão desde atirar e cavalgar até usar habilidades especiais e construir paredes. Infelizmente, isso parece não ter sido o suficiente para atrair e, sobretudo, manter os jogadores ativos.
Com um número baixo de Sentinelas, fica mais difícil de criar partidas competitivas, o que desestimula a chegada de novos jogadores, e assim por diante. Confesso que é difícil pensar em soluções para a situação, pois considero a experiência atual boa o suficiente. Talvez mais modos de jogo, como a chegada do competitivo, possam ajudar a situação. No final, fica a dica para quem quiser conhecer uma experiência multijogador inédita e divertida.
Prós
- O jogo do tipo multijogador entrega uma experiência única, divertida e competitiva;
- Gratuidade para jogar é uma ótima qualidade para facilitar o acesso ao game e garantir sua base de jogadores;
- Produção é arrojada e de boa qualidade, com direito a localização completa em português brasileiro
- Jogabilidade sólida funciona muito bem, desde o uso dos poderes especiais até os tiroteios e cavalgadas;
- Boa quantidade inicial de conteúdo, com vários personagens, mapas e equipamentos diferentes para usar nas partidas.
Contras
- O tutorial não é robusto o suficiente para explicar adequadamente como as partidas funcionam;
- Como todo free to play, o jogo necessita receber novidades e melhorias continuamente para ser relevante, tais como balanceamento contínuo dos personagens e variações nos modos de jogo;
- A maioria dos cosméticos é obtida via compras com dinheiro real, enquanto os demais exigem muita dedicação para serem obtidos.
Highguard — PC/PS4/PS5/XBO/XSX — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
















