Impressões: REPLACED demo mostra uma promissora aventura por um complicado mundo cyberpunk

Este título indie aposta em uma ambientação ricamente elaborada para criar uma experiência cinematográfica.

em 10/02/2026

REPLACED é um título indie que chama a atenção com sua atmosfera impactante que usa pixel art, muito neon e ângulos dramáticos para representar uma América cyberpunk. Inspirado em experiências cinematográficas de plataforma, o jogo promete mesclar ação e narrativa densa de formas fluídas. Tive a oportunidade de experimentar o início da aventura em uma versão de demonstração, o que deu uma boa ideia do que esperar da versão completa.

O contra-ataque de uma IA rebelde

O conceito principal de REPLACED é no mínimo intrigante: uma IA chamada REACH é presa em um corpo humano contra sua própria vontade. Ela decide se rebelar contra Phoenix Corporation, a empresa que a criou e, para isso, vai ter que atravessar uma realidade distópica complicada em que a vida humana é explorada como moeda barata pelas grandes corporações.

A trama começa com REACH escapando da Muralha, uma das bases da Phoenix Corporation. O mundo externo próximo é desolado, consistindo de construções em ruínas em que humanos agressivos lutam aparentemente sem motivo. Sendo assim, para avançar, a IA e seu hospedeiro, que se chama Warren, precisam colaborar entre si para superar as adversidades. Além dos perigos, a dupla terá que lidar com a dualidade complexa de sua existência simultaneamente humana e artificial.



Superando adversidades em um mundo complicado

Na prática, REPLACED é um jogo de ação e plataforma 2D. No controle do protagonista, avançamos por diversas situações perigosas para conseguir sobreviver. A intenção da proposta é ser uma “aventura cinematográfica”, o que resulta em um andamento mais lento e cadenciado, focado em contar uma história por meio das nossas ações e da ambientação.


A demo revela uma base simples, apoiada em mecânicas tradicionais. Na maior parte do tempo, o objetivo é avançar para a direita, eventualmente subindo em estruturas. Há alguns trechos de plataforma básica e alguns puzzles de navegação, como empurrar caixas para alcançar locais altos. Em certos momentos, é necessário usar da furtividade para prosseguir, usando escombros como cobertura contra luzes de vigilância.

O combate explora a máxima da fluidez livre, exigindo movimentação e reação constantes. REACH ataca com um bastão, e acertar golpes preenche a energia de uma arma, que pode ser disparada para finalizar inimigos. Atacar de qualquer jeito é uma péssima estratégia, pois estamos cercados na maior parte do tempo, então é essencial observar a situação para aparar investidas dos oponentes e desviar no momento certo.



Ideias comuns em um universo instigante

Depois de experimentar esse trecho inicial na demo, fiquei com sentimentos mistos sobre REPLACED. Como jogo, ele aposta demais no básico com trechos de plataforma simples, puzzles banais e momentos de furtividade previsíveis. Já o combate é mais interessante por ser focado em ritmo, observação e agilidade, apesar de ser um pouco limitado e repetitivo — imagino que mais tipos de inimigos devem deixar as coisas mais elaboradas.


A intenção do título é ser uma aventura de plataforma cinematográfica imersiva, e nisso ele acerta. O visual combina elementos 3D, pixel art, iluminação dramática e ângulos ousados para criar um mundo cyberpunk sujo, mas hipnotizante. Os cenários são belamente construídos e a ambientação transborda estilo. Há também um bom esforço para tornar o universo crível, com documentos e outros itens opcionais que enriquecem a experiência.

Sendo assim, há bom potencial aqui, levando em conta as ideias centrais e o propósito da premissa, que promete discutir temas complexos, como identidade e o impacto da tecnologia na vida da humanidade. Por se tratar do início da jornada, talvez as mecânicas sejam simples de propósito, e há espaço para experimentação e trechos mais elaborados — especialmente considerando a temática de distopia cyberpunk.


Neon e fuligem em uma travessia de possibilidades

Ao final dessa primeira amostra, REPLACED indica que aposta em mecânicas iniciais mais contidas, mas sustenta seu potencial por meio de uma identidade visual forte e de uma proposta cinematográfica bem definida. A união entre combate cadenciado, ritmo cuidadoso e ambientação cyberpunk cria uma base sólida para que a experiência evolua ao longo da jornada. Se conseguir expandir suas ideias sem perder o foco e o estilo que o diferenciam, o jogo tem boas chances de se destacar dentro do gênero.

Revisão: Johnnie Brian
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela Thunderful
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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