Impressões: Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection promete elevar a série de spin-offs a um novo patamar

A versão de testes do RPG demonstra como o novo título amadurece tanto as mecânicas quanto as ideias narrativas de seus antecessores.

em 24/02/2026

Monster Hunter Stories foi pensado para Nintendo 3DS como um spin-off que visava apresentar a aclamada franquia da Capcom – conhecida igualmente pelo loop de gameplay viciante e por sua íngreme curva de aprendizado – a um segmento mais casual do público gamer especialmente no Japão, para quem talvez dispusesse de paciência para lidar com as mecânicas complexas da série principal.

O fato de os jogos terem adaptado muito bem a experiência de caçar os icônicos monstros da série ao formato de RPG de turnos – adicionando a possibilidade de domesticá-los e formar laços com eles - fez com que os primeiros dois títulos alcançassem relativo sucesso comercial e um notável carinho dos fãs do gênero. E agora Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection trará no dia 13 de março uma expansão do que seus predecessores fizeram em um título ambicioso que busca alcançar ainda mais jogadores. Tive a oportunidade de jogar a versão teste que foi disponibilizada pela Capcom em 5 de fevereiro, contendo o trecho inicial dessa nova aventura.

Maus presságios em um reino dividido

A demo começa com uma longa cutscene que apresenta ao jogador a “Crostalização”, um fenômeno misterioso que está transformando lentamente monstros e ecossistemas em cristais. A “Crostalização” é estudada e monitorada assiduamente pelos patrulheiros do reino de Azúria, responsáveis tanto pela segurança das fronteiras da nação quanto por sua harmonia com o meio ambiente.

O jogador assume o papel do herdeiro do trono de Azúria, sendo este um protagonista que pode, assim como os dos últimos dois jogos da série spin-off, ser personalizado em um robusto menu de criação de personagens. Ao contrário deles, no entanto, o novo herói fala e exprime suas próprias opiniões nos diálogos desde o primeiro diálogo.
 



E esse primeiro momento da narrativa vem ainda na infância do personagem, numa cena que estabelece o conflito central do enredo. Um ovo raro obtido pelos patrulheiros dá origem a dois Rathalos gêmeos que, segundo uma profecia, sinalizam a vinda de uma sangrenta guerra com o reino vizinho de Vermeil.

É já durante este início que o conceito de dualidade é introduzido como ideia central da história do jogo, que explorará - sem entrar em território de spoilers - as relações diplomáticas entre esses reinos, que embora diametralmente opostos em suas políticas talvez sejam mais parecidos do que se percebe de início.

Vale notar que mesmo os monstros sendo importantíssimos e fundamentalmente integrados ao estilo de vida dos habitantes desse mundo, o motor por trás da narrativa ainda é a humanidade, um fato que o jogo nem tenta esconder. Há uma clara atenção dada aos diálogos que transmitem eficientemente, embora disponham de alguns clichês e recursos narrativos comuns de animes, as personalidades e pensamentos desses personagens que decidirão o futuro dos reinos.
 






A arte de caçar monstros...

O combate de Monster Hunter Stories 3 segue a mesma linha de seus antecessores, mantendo-se fiel à dinâmica de “pedra-papel-tesoura” entre ataques de Poder, Velocidade e Técnica, mas agora com uma profundidade consideravelmente maior e um dinamismo impressionante.

Há uma grande novidade que permite que o spin-off simule de forma ainda melhor a experiência de caçar os monstros da série principal em um formato diferente. Chamada de “Barra de Alma Serpe”, a nova mecânica é um medidor que indica o equilíbrio e fervor de batalha do monstro. A ofensiva do jogador drena essa barra continuamente, com alguns ataques e equipamentos sendo mais ou menos efetivos, dependendo do monstro enfrentado. Quando ela é esgotada o monstro cai, o que permite que o bando do protagonista execute um Ataque Sincronizado e cause dano imenso ao inimigo.
 



Drenar a Barra de Alma Serpe emula fielmente a sensação de derrubar um monstro na série principal, e o Ataque Sincronizado torna o ato tão recompensador quanto a barragem dos ataques que podem ser lançados pelos caçadores nesses outros jogos.

Os outros sistemas ainda são bem similares aos de títulos anteriores, mas funcionam bem. Como exemplo, ainda é necessário encher uma barra de Companheirismo para montar em um Monstie (nome dado aos monstros recrutados pelo jogador) e os monstros inimigos ainda alternam entre diferentes tipos de ataques e comportamentos em resposta às ações do jogador, mas agora o fazem de maneira ainda mais reativa.
 



É todavia inegável que a adição da Barra de Alma Serpe e o aprofundamento dessas outras mecânicas acabam tornando o combate menos amigável para os iniciantes que desta vez devem demorar algumas horas para se acostumar com o ritmo das batalhas. Após essa confusão inicial, porém, o sistema se torna intuitivo e viciante, revelando inúmeras possibilidades de expressão de habilidade para o jogador, que provavelmente deve encerrar a demo querendo experimentar algumas delas.

… e a arte de domar monstros

É igualmente importante criar, domar e até mesmo explorar o mundo com os seus Monsties e caçar os monstros que ameaçam Azúria.

A criação e domesticação de monstros segue a mesma linha que o combate: traz uma grande novidade que adiciona profundidade ao sistema, mas que não mexe no que já funcionava. Para quem não tem familiaridade com a série, destaco que os Monsties são recrutados através dos ovos de monstros recuperados pelos patrulheiros em suas visitas às tocas dessas criaturas espalhadas pelo mundo.
 



Tendo sido domesticados, o jogador pode explorar vastas zonas do mundo com seus Monsties que, como montarias, o auxiliam prontamente a acessar novos locais e recolher itens. Essas criaturas saltam, planam, cospem fogo e atacam objetos, o que faz com que e patrulhar as lindas terras do jogo continue sendo satisfatório em grande parte por conta da interação.

A adição da vez se faz através do sistema de Restauração do Ecossistema, que permite que o jogador tenha influência direta sobre os monstros que aparecem nos habitats do jogo. Isso é feito quando o protagonista decide soltar Monsties específicos na natureza para influenciar o sistema local. Essa atitude não só altera quais monstros aparecem com mais ou menos frequência, mas também desbloqueia mutações e variantes raras para as criaturas.

Esse sistema parece promissor e deve adicionar boas horas de diversão para os aficionados por otimização de builds ou pelo colecionismo de Monsties, mas ainda não é possível ter uma noção completa do seu impacto na experiência como um todo através somente da versão de testes.

O reino de Azúria aguarda!


Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection aparenta ter sido desenvolvido com muito esmero pela Capcom, com valores maiores de produção que se tornam visíveis em uma apresentação mais robusta da narrativa e uma belíssima direção artística. Sistemicamente, o jogo repete tudo o que funcionou em seus antecessores enquanto acrescenta também novas complexidades que elevam a experiência tanto narrativa quanto mecanicamente e que fazem, por outro lado, com que o novo título seja menos amigável aos jogadores casuais e novatos do gênero.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection chegará em 13 de março para PS5, Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S e PC (via Steam). A versão de testes já está disponível para o público em todas essas plataformas.
 
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Texto de impressões produzido com demo gratuita disponibilizada no Steam

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Marco Ribeiro
Grande fã de RPGs e espectador obstinado de e-sports. Aficionado por Mass Effect, Final Fantasy e Pokémon. Fadado a enfrentar eternamente um backlog que não para de crescer.
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