Análise: Lovish é uma aventura retrô simples, charmosa e sem grandes ambições

Explore um castelo repleto de desafios e humor leve neste indie japonês que aposta no básico.

em 04/02/2026

Lovish é uma aventura de ação e plataforma em 2D que aposta em uma estética retrô e em ideias bastante diretas. Inspirado nos jogos da era 8-bits, o título apresenta uma jornada simples focada em estágios curtos, desafios rápidos e um tom leve e bem-humorado. Apesar de divertido e funcional, o conjunto não se aprofunda muito além da superfície, apostando mais na leveza e no charme do que em sistemas elaborados ou narrativas complexas.

Lutando pelo (estranho) amor

A história acompanha Sir Solomon, um cavaleiro que decide invadir o castelo do Senhor Demônio para resgatar a princesa Tsuna. No entanto, ele não é nada heroico: temendo que a donzela possa se interessar por outro após ser salva, Solomon sabota seus companheiros e segue sozinho na jornada. O tom é claramente bem-humorado e autoconsciente: a narrativa nunca tenta se levar a sério, usando situações absurdas e personagens caricatos para reforçar uma atmosfera leve, quase de paródia, sem grandes pretensões dramáticas.


No campo das mecânicas, Lovish é um jogo de ação e plataforma 2D estruturado em estágios de tela única. O objetivo em cada fase é alcançar a porta de saída utilizando apenas pulo e ataque com espada enquanto lidamos com armadilhas, inimigos e pequenos trechos de plataforma. O grande diferencial está na regra mais punitiva do título: o protagonista possui apenas um ponto de vida, o que significa que qualquer acerto resulta em falha imediata e reinício da sala.


Ao longo da jornada, é possível comprar itens que desbloqueiam novas habilidades, como uma investida rápida ou ataques direcionais para cima e para baixo. Essas melhorias não são obrigatórias para avançar, mas facilitam bastante a navegação pelas fases e ampliam as possibilidades de abordagem dos desafios. 

Por baixo dessa aparente simplicidade, o jogo esconde uma quantidade surpreendente de segredos e colecionáveis. Diversas áreas escondidas, objetivos opcionais e recompensas alternativas incentivam a revisitar estágios já concluídos, dando mais fôlego à experiência e estimulando a curiosidade.



Entre plataformas, ação e eventos curiosos

Um dos pontos mais positivos de Lovish é o ritmo. Os níveis são curtos e objetivos, muitos deles podendo ser completados em poucos segundos quando sabemos exatamente o que fazer. Isso torna as tentativas rápidas e evita frustrações prolongadas, mesmo quando erramos várias vezes seguidas.

Há uma boa diversidade de situações ao longo das fases. Em uma sala, precisamos navegar por um pequeno labirinto desviando de inimigos; em outra, o objetivo é derrotar adversários específicos para abrir portas; já em uma terceira, o foco está em trechos que exigem saltos precisos e bom timing, especialmente por causa de espinhos que surgem e desaparecem do chão. Essa variedade ajuda a manter o interesse, mesmo com uma base mecânica limitada. O jogo está sempre apresentando pequenas alterações sobre a mesma ideia, o que evita que a experiência se torne cansativa logo de início.


Outro elemento que reforça essa diversidade são os eventos aleatórios ao final dos estágios. Alguns funcionam apenas como esquetes cômicas, como encontros inesperados ou armadilhas surpresas; outros são interativos, envolvendo combates por turnos ou escolhas de ações com consequências nem sempre positivas. Eles são divertidos e malucos, contribuindo com a atmosfera bem-humorada, por mais que sejam mais curiosos do que impactantes. 

A atmosfera de Lovish é consistentemente leve e descontraída. O visual em pixel art é simples, porém charmoso, remetendo diretamente aos títulos da era 8-bits. A trilha sonora segue a mesma proposta, com músicas chiptune que combinam bem com o estilo visual e o ritmo acelerado das fases. No entanto, as faixas são muito curtas e acabam se repetindo com frequência, o que faz com que a música se torne cansativa mais rápido do que deveria.



Na simplicidade elegante, mas também repetitiva

A ideia central do desafio é simples: completar os estágios sem morrer. Como basta um único erro para recomeçar, muitas situações exigem tentativa e erro, além da memorização dos movimentos de inimigos e dos perigos do cenário. Na maior parte do tempo, o nível de dificuldade é equilibrado, contudo, existem picos que destoam do restante da experiência.


Em alguns níveis, a exigência por saltos extremamente precisos vai além do que os controles parecem oferecer de forma confortável, o que pode ser frustrante. É uma experiência que pede insistência e paciência — por causa disso, em algumas salas, precisei persistir muito até conseguir ser perfeito e avançar. As habilidades adquiridas ao longo do jogo ajudam a reduzir essa sensação, especialmente um item que aumenta a vida em 1, tornando os erros menos punitivos, no entanto, não são impactantes o suficiente para resolver o problema.


Apesar da variedade de situações, há uma limitação clara nas ideias centrais, o que gera uma sensação de aventura homogênea e sem grandes destaques — é agradável, mas pouco memorável. Por outro lado, existe um conteúdo opcional mais complexo do que aparenta: cada estágio possui três coroas colecionáveis, obtidas por exploração, por concluir a fase sem atacar inimigos ou por terminar dentro de um tempo específico. Há também fases secretas de alta dificuldade e minigames curiosos, como um bullet heaven e um calabouço de RPG de ação. 

Muitos desses segredos estão bem escondidos, e o epílogo da história depende da coleta da maioria deles, o que incentiva revisitas frequentes — ainda que a necessidade de repetir estágios muitas vezes torne a experiência um pouco repetitiva. No total, há mais de 60 estágios, e levei cerca de 4 horas para concluir a história, explorando razoavelmente; para completar tudo, o tempo gira em torno de 8 horas.



Um amor intenso, porém efêmero

Lovish é uma experiência retrô agradável, construída sobre controles simples, níveis rápidos e um humor leve que evita qualquer pretensão maior. É uma aventura 2D competente, com algumas boas ideias e uma quantidade respeitável de segredos para quem gosta de explorar além do caminho principal.

Ao mesmo tempo, trata-se de um jogo limitado e, em certos momentos, repetitivo. Muitos trechos passam sem deixar uma impressão duradoura, e o conjunto raramente se arrisca a ir além do básico. Os segredos e desafios opcionais ajudam a amenizar essa sensação, mas não chegam a transformar a experiência.

No fim das contas, Lovish é uma jornada divertida e bem executada dentro do que se propõe, apesar de não ser realmente especial.

Prós

  • Ideia principal de ritmo ágil com estágios curtos e diretos;
  • Boa variedade de situações dentro de uma estrutura simples;
  • Muitos segredos e desafios opcionais que incentivam explorar novamente as fases;
  • Ambientação bem-humorada e com visual pixel art charmoso.

Contras

  • Ideias limitadas que acabam gerando sensação de repetição;
  • Alguns picos de dificuldade frustrantes por exigirem precisão excessiva;
  • Trilha sonora curta e repetitiva.
Lovish — PC/PS5/XSX/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Thomaz Farias
Análise produzida com cópia digital cedida pela Dangen Entertainment

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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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