A franquia criada pela Falcom acompanha o protagonista Adol Christin em aventuras ao longo da sua vida; porém, cada título é independente, não sendo necessário jogar os anteriores para desfrutar da mais recente aventura.
Adol, o aventureiro que sempre está no lugar certo na hora errada
A campanha se inicia com Adol Christin em uma viagem de barco, passando pelo Golfo de Obelia. Tudo seguia tranquilo até que a embarcação foi abordada por piratas nórdicos, liderados pela princesa pirata Karja. Após um confronto que resultou em empate, os tripulantes foram obrigados a ficar em um hotel localizado em Carnac, uma humilde cidade portuária.Na região, ele encontra uma concha mágica que lhe concede um poder chamado Mana; porém, o artefato também traça um fio mágico que prende seu braço ao da princesa nórdica. Para piorar a situação, uma raça de seres mortos-vivos denominada Grieger invade a região, colocando todos em perigo. Agora, a dupla deve se unir para ir mar adentro, derrotando os invasores e buscando uma forma de se libertarem do fio que os uniu.
A trama começa intrigante, apresentando bem Adol e Karja. Eles possuem uma ótima química, com bons diálogos e momentos de alívio cômico, o que os torna memoráveis e me fez acreditar na amizade cultivada entre eles durante a aventura. Em contrapartida, os personagens secundários e os antagonistas não possuem o mesmo carisma.
Os aliados feitos durante a jornada ficam muito presos a estereótipos; devido a isso, a maioria dos diálogos não é interessante. Já os vilões possuem boas apresentações e visuais interessantes, mas, como a narrativa não se leva a sério, isso diminui a ameaça que deveriam transmitir, tornando-os esquecíveis. Outro fator que impacta a narrativa é a ausência de legendas em português.
Além da campanha principal, a versão Proud apresenta uma aventura extra que se passa na ilha Öland, antes inexplorável. Na trama, os protagonistas devem investigar um navio que atracou no local. Lá, eles encontram duas figuras inusitadas: Canute e Astrid, que foram até lá para investigá-lo.
A narrativa não se conecta diretamente à trama principal, mas enriquece o universo ao apresentar informações importantes sobre o passado do local. Entretanto, sofre dos mesmos problemas já apontados. Canute é interessante, possuindo uma aparência chamativa, mas não é bem desenvolvido; enquanto Astrid mal possui diálogos e não tem relevância na trama.
No entanto, Öland entrega bastante conteúdo, trazendo um coliseu para desafiar monstros, novos chefes, uma masmorra de alto nível pensada para o fim do jogo — chamada Muspelheim — e corridas feitas em pranchas mágicas. O conteúdo fica disponível a partir do capítulo três, mas recomendo deixar para iniciar essa jornada no capítulo dez, pois o nível do chefe final é bem elevado.
O espadachim ruivo e a princesa pirata
Ys X: Proud Nordics é um RPG de ação com uma jogabilidade simples. Atacar, defender e esquivar são os alicerces das lutas, e dominar essas mecânicas é importante para ir bem em embates contra os Griegr. Diferente de outros títulos da franquia, como Ys VIII: Lacrimosa of Dana, não controlamos um grupo de campeões, apenas Adol e Karja, podendo alternar entre eles a qualquer momento com um apertar de um botão — sendo o espadachim melhor para causar dano e a nórdica para quebrar armadura dos oponentes.O diferencial é que os heróis podem lutar juntos, como se fossem um só, ao segurar um botão, graças ao fio de Mana que os une. Nesse modo, eles podem desferir golpes poderosos e defender praticamente qualquer ataque inimigo; porém, ficam lentos, o que dificulta esquivar e exige que alterem entre lutar individualmente ou unidos. O que mais me impressionou na nova mecânica foram as aparagens perfeitas, que desencadeiam contra-ataques cinemáticos em chefões.
No entanto, apesar de as lutas serem dinâmicas, possibilitando a criação de combos criativos por meio das trocas rápidas e ataques estrondosos, os adversários habituais não conseguem oferecer desafio. Seus movimentos são simples, e eles aparecem em grande número nos cenários, tornando as batalhas monótonas e reduzindo-as a apenas um esmagamento de botões.
Mesmo elevar a dificuldade não melhora a situação, pois isso apenas torna os inimigos mais resistentes, o que, consequentemente, faz as lutas durarem mais tempo. Os poucos que escapam disso são os chefões: eles possuem visuais marcantes e lutas muito bem estruturadas, com movimentos variados e, às vezes, mudam de forma durante os confrontos.
Navegando em águas misteriosas
Definitivamente, a principal novidade que Ys X traz é a exploração marítima pelo Golfo de Obelia. A região é extensa, possuindo ilhotas exploráveis e batalhas navais. Para desbravar essas águas, os heróis usam o navio e a base móvel Sandras. A embarcação também é utilizada em combates, com direito a disparos comuns e especiais, que possuem peculiaridades como congelar ou incendiar os barcos Grieger, sendo possível melhorá-la e customizá-la.
No começo, a embarcação é bem lenta de se controlar, o que pode ser um pouco frustrante; mas, com algumas melhorias, esse problema se resolve. Além disso, existem correntezas poderosas que aumentam a velocidade do navio.
Em terra firme, durante a exploração dos cenários, a dupla de heróis conta com habilidades de deslocamento, como uma corda mágica para se pendurar em pontos específicos, a já citada prancha para avançar rapidamente pelo ambiente e um pulso de Mana que revela segredos ocultos, como baús enterrados.
Todas essas mecânicas juntas tornam as explorações rápidas; porém, a prancha, mesmo com melhorias, não é tão veloz quanto poderia ser. Uma acessibilidade bem-vinda que foi adicionada são plataformas azuis em locais específicos, para facilitar os momentos de plataforma com o gancho de mana.
Também é impossível não perceber os gráficos: eles representam uma evolução em questões como modelos dos personagens e expressões faciais, dentro dos padrões da franquia. Além disso, foram refinados na nova versão, o que os deixou ainda mais bonitos; porém, continuam abaixo de outras franquias com visuais em anime, como Tales of Arise.
Além dos confrontos navais, o jogo ainda conta com outras atividades, como missões secundárias, pescaria, libertar ilhas capturadas pelos Griegr, observar animais marinhos e encontrar mercadores que vendem equipamentos para os heróis e para o navio. Individualmente, essas atividades não são tão bem exploradas; mas, em conjunto, garantem horas de jogatina e entregam recompensas úteis.
A Mana possui muitas formas e habilidades
Apesar de a jogabilidade ser simples, ela se torna mais complexa graças às sementes de Mana — artefatos feitos com matérias adquiridas ao derrotar adversários e abrir baús espalhados pelas ilhotas. Com elas, é possível aumentar atributos como dano base, capacidade de quebrar armaduras, vida, etc. Esse sistema enriquece as lutas, permitindo até mesmo criar builds.
Mas o maior destaque dele é a sinergia que existe entre essas sementes: elas são divididas em cores, e, quanto mais da mesma coloração acumular, maior será o bônus passivo que proporcionam. Graças a isso, é possível criar builds diferentes, que reforçam atributos específicos dos protagonistas. Por exemplo, eu preferia tornar Adol o principal causador de dano, enquanto Karja atuava como tanque e quebrava escudos rapidamente.
Um RPG de ação competente
Ys X: Proud Nordics é a versão definitiva das aventuras de Adol por terras nórdicas. Ele entrega um combate dinâmico, confrontos memoráveis contra chefes e uma exploração naval interessante em um oceano repleto de conteúdo. Além disso, a versão traz uma nova história e uma masmorra que desafia jogadores que já zeraram a campanha. Entretanto, o título tropeça em ambientes lineares muito parecidos e adversários monótonos, que tornam os embates menos intensos.
Prós
- Modelos de personagens e gráficos, no geral, são uma evolução considerando o padrão da franquia;
- Os chefes são desafiadores e memoráveis;
- As batalhas de navio e a exploração marítima são divertidas;
- O combate do jogo é simples e dinâmico, permitindo criar combos poderosos e executar ataques extravagantes;
- Öland apresenta muito conteúdo extra, que garante mais horas de jogatina.
Contras
- O visual das ilhas não é criativo, tornando-as muito parecidas e fazendo com que a ambientação fique desinteressante e repetitiva a longo prazo;
- Ausência de legendas em português;
- Os inimigos são muito simples e possuem poucas variações de movimentos, tornando os embates contra eles repetitivos.
Ys X: Proud Nordics — PS5/PC/SWITCH 2 — Nota: 7.5Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nis America













