Análise: Rayman 30th Anniversary Edition faz a devida homenagem a um dos principais heróis dos games

O mascote da Ubisoft chega à sua terceira década de vida com um grande legado para mostrar.

em 26/02/2026
Há 30 anos, um mascote sem braços e nem pernas, mas com mãos e pés, cruzava um mundo colorido usando socos flutuantes e planando com seu topete loiro. Rayman conseguiu ser um sucesso de crítica e acabou rendendo uma franquia que atualmente conta com mais de 25 produções, entre continuações, remasters e spin-offs.

Para celebrar o trigésimo aniversário do primeiro título, a Digital Eclipse, especialista em ports retrô, traz Rayman 30th Anniversary Edition, que contém diversas versões da estreia do mascote da Ubisoft nos games.

As muitas vidas de um herói

Nascido em Mônaco, Michel Ancel rodou o mundo por causa do posto militar do seu pai. Aos 9 anos de idade, descobriu o Atari 2600 na casa de um amigo na Tunísia. Essa foi a fagulha que levou o jovem a aprender a como programar jogos para computadores de 8-bits ao se mudar para Montpellier, na França.

Esse é só o começo da trajetória da criação de Rayman, que está ricamente detalhado em uma linha do tempo ilustrada. Ela contém entrevistas do próprio Michel Ancel, além do seu parceiro de criação, Frédéric Houde, e de Yves Guillemot, um dos fundadores da Ubisoft, além de pôsteres, artes conceituais, propagandas e rascunhos que deram origem ao produto final que conhecemos, e revisitamos, hoje.

Ao todo, temos cinco versões distintas de Rayman neste título celebrativo. São as seguintes:
  • Rayman (PlayStation)
  • Rayman (Atari Jaguar)
  • Rayman (MS-DOS)
  • Rayman (Game Boy Color)
  • Rayman Advance (Game Boy Advance)
Foi incluído também o primeiro protótipo de Rayman, elaborado para SNES em 1992. Ele é constituído apenas de uma fase inacabada, porém vale a pena conhecer o conceito original em movimento do herói. Também estão presentes os mais de 120 níveis extras da versão MS-DOS, feitos por desenvolvedores e fãs com a ferramenta Rayman Designer.

Todo esse conteúdo é muito bacana, mas os mais fervorosos podem acabar chiando um pouco pela ausência das versões para consoles da Sega. Tanto a versão de Sega Saturn, quanto o port (cancelado) de 32X teriam espaço na coletânea, sem sombra de dúvidas. 

O 3DO foi outro a ter uma versão cancelada, e entendo o apelo da inclusão dessas demos inacabadas pela curiosidade, contudo, em questão de conteúdo, acredito que só a versão do Saturn já bastaria. Até porque, elas também seriam uma reprodução 1:1 do que foi lançado para o PlayStation. Inclusive, vale citar que das ROMs incluídas, com exceção do protótipo para SNES, apenas o Rayman de GBC é um jogo 100% diferente dos demais, embora siga o mesmo enredo.

A ausência que realmente acaba pesando é a da trilha sonora original. Com o falecimento de Remy Gazél, compositor das versões clássicas, em 2019, coube a Christophe Héral criar novos temas para este relançamento. As faixas substituíram as originais de Gazél, por questões de direitos autorais.


Apesar de Héral já ter intimidade com a franquia, assinando as trilhas de Rayman Origins (2011) e Rayman Legends (2013), seria interessante poder alternar entre as duas versões, no entanto, infelizmente isso não é possível.

Envelheceu como vinho, mas não para todos os paladares

Não dá para negar que Rayman pode ser um tanto quanto punitivo para os jogadores mais jovens. Isso se deve pelo fato da movimentação do personagem não ter envelhecido muito bem. Claro que, como era de se esperar, agora é possível contar com vários recursos atuais para dar uma suavizada na jornada.

As versões de PlayStation e MS-DOS contam com aprimoramentos como vidas e continuações infinitas, desbloqueio de todas as fases e habilidades e energia sempre no máximo. E se você, assim como eu, tiver alguma revista velha com códigos, eles funcionam perfeitamente da maneira tradicional.

As demais podem não ter as mesmas regalias, porém todas elas contam com três espaços para salvamento automático e o sempre salvador botão de rebobinar, o que é uma baita ajuda quando as coisas ficam complicadas.

Ainda assim, o charme do seu level design, aliado ao visual vibrante e carismático, com direito a cutscenes e animações que aproveitavam ao máximo os hardwares da época, tornam Rayman um clássico atemporal. Quem quiser aumentar a nostalgia, pode recorrer aos filtros de tela para imitar uma televisão de tubo, mas eu curti mais jogar no modo “super amplo”, que preenche todo o espaço de maneira natural, sem ficar exageradamente esticado na horizontal. Todavia, as ROMs portáteis e a demo de SNES não contam com esta opção.

Trintão bem vivido

Rayman 30th Anniversary Edition é uma homenagem devida para um dos principais mascotes da era 32-bits e as diferentes versões incluídas mostram como um título dos anos 1990 pode envelhecer bem, mesmo que com algumas falhas estruturais. Pelo ponto de vista da memorabilia, a linha do tempo é maravilhosa ao retratar desde as ideias de Michel Ancel e todos os caminhos que levaram a criação do personagem. A falta da trilha sonora original é grande, contudo, não ofusca a celebração de aniversário do Rayman.

Prós

  • Apesar dos 30 anos de idade, Rayman ainda é um ótimo jogo, com bastante carisma;
  • Adição do protótipo do SNES e as fases extras do MS-DOS são um incremento de conteúdo bem vindo;
  • A linha do tempo ilustrada traz um rico material para os aficionados por curiosidades e contexto por trás da criação de Rayman;
  • Recursos como salvamento automático, ativação de trapaças, filtros e botão de rebobinar sempre fazem esses ports retrô serem mais atrativos.

Contras

  • Ausência da trilha sonora original;
  • Mesmo com recursos e trapaças, a dificuldade aliada aos atrasos do comando podem afastar jogadores mais novos;
  • Poderiam ter incluído a versão de Sega Saturn.
Rayman 30th Anniversary Edition — PC/PS5/Switch/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Thomaz Farias
Análise feita com cópia digital cedida pela Ubisoft
OpenCritic
Siga o Blast nas Redes Sociais
Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).