Análise: JDM: Japanese Drift Master te leva para o outro lado do mundo com curvas estreitas e carros tunados

Deslize pelas ruas estreitas de Guntama enquanto constrói sua reputação sobre rodas.

em 10/02/2026
Para quem gosta da cultura automobilística o drift pode ser considerado um tipo de arte, com carros tunados realizando derrapagens em alta velocidade. JDM: Japanese Drift Master retrata essa cultura, nos inserindo no berço desta modalidade: o Japão.

O título já havia sido lançado para Xbox Series X/S e PC no ano passado, e agora vem para marcar o asfalto no PS5.

O “gaijin” na cidade grande

Para dar algum contexto, assumimos o papel de um piloto europeu que teve sua licença revogada após causar um acidente durante uma prova que custou o título para um dos competidores. Agora que terá que ficar de fora do circuito por um ano inteiro, nosso protagonista vai para o Japão, cidade fictícia de Guntama, e acaba descobrindo a cultura do drift, que é totalmente diferente do que ele estava acostumado.

Com um enredo digno da franquia Velozes e Furiosos — para o bem ou para o mal —, nossa missão é cumprir missões e dominar a arte da derrapada enquanto aumentamos nossa reputação na modesta cidade oriental, mesmo sendo um “forasteiro”. Para embarcar nessa vibe asiática, alguns momentos pontuais da história são contados com páginas de mangá, lidas da direita para a esquerda.

As missões principais envolvem ganhar disputas por pontos ou por duração de drift, sempre conquistando o respeito dos rivais e fazendo seu nome ser cada vez mais conhecido em Guntama. Claro que também há alguns objetivos secundários que promovem um fator replay interessante, como fazer algumas corridas paralelas para juntar um dinheiro e até realizar entregas de sushi por caminhos sinuosos. 

Como recompensa, são liberadas mecânicas, lojas de carros e garagens, que servem como pontos de viagem rápida. E, nesse quesito, devo dar o devido mérito ao mapa da cidade, que apresenta uma boa mistura de paisagens japonesas, desde os clássicos templos e passando por diversas árvores de cerejeira, até um centro mais movimentado e urbano, com direito a uma área costeira.

Entretanto, há algumas coisas que podem ser um pouco incômodas, como algumas curvas bem fechadas, com menos de 90°. Mesmo utilizando o minimapa para orientação, é fácil errar um caminho, seja no meio da missão ou andando de um ponto a outro. 

Outra coisa que vale citar é a física estranha dos demais carros na via. Aqueles que estão trafegando podem causar dois efeitos distintos: ou eles nos empurram para longe com um toque, ou eles saem voando enquanto seguimos nosso caminho, de maneira surreal. Já os que estão estacionados têm a mesma consistência de um muro, permanecendo imóveis caso sejam acertados durante um erro do nosso veículo.

Também é difícil entender as penalidades e punições de cada tipo de missão, pois elas têm uma variação absurda entre si. Em algumas delas o tempo para retomar o traçado é bastante generoso, se saímos da rota, tendo sobras para nos colocar no lugar. Entretanto, quando a missão envolve outros corredores, como acompanhar o ritmo de alguém que está a frente, se errarmos a mão em algum lugar o outro piloto simplesmente some e fica impossível alcançá-lo, então é melhor recomeçar tudo.

Deja vu! (sim, aquela música do anime Inicial D)

No que diz respeito à pilotagem, que é o prato principal de um jogo de corrida, JDM pode ser desafiador no começo, mas recompensa muito bem os pilotos mais dedicados. Após aprendermos a balancear acelerador e freios, em conjunto com a embreagem e o freio de mão, a sensação de derrapar nas curvas é bastante satisfatória, mesmo com os carros possuindo diferentes atributos. Grande mérito disso está no Dualsense, que faz bom uso dos gatilhos e feedback háptico para transmitir o peso dos pedais e a trepidação durante as derrapagens.

A garagem conta com grandes clássicos japoneses, com modelos das marcas Hyundai, Mazda, Honda, Nissan e Subaru. Entretanto, nem todos os bólidos disponíveis têm seus nomes licenciados, o que os tornam bem menos atrativos do que os demais. Os veículos DLC, com temática de Muscle Cars, também sofrem com essa questão, então cabe a nós adivinhar em quais lendas automotivas eles foram baseados.

Com essa quantidade de conteúdo e a temática rica em detalhes, é natural esperar que os visuais e a parte sonora entreguem uma experiência que corresponda à parte real do esporte. Não há o que falar do ronco dos motores e há a possibilidade até de trocar de rádio enquanto navegamos pelo mapa, variando entre ritmos como rock, EDM (Eletronic Dance Music), J-pop e Eurobeat.

Já a parte visual deixa a desejar em diversos momentos. Não são raras as vezes nas quais a taxa de quadros cai durante as corridas, reduzindo consideravelmente a qualidade da imagem em movimento, criando um efeito feio de desfoque em alguns detalhes do cenário e no carro.

Por fim, faz falta um modo multiplayer, fosse esse local ou online. Como há missões com mais de um participante, controlado pela IA, e após progredir na carreira é liberado um modo de desafios, faria sentido colocar mais de um jogador humano para disputas em pistas fechadas.

Derrapando com propriedade

JDM: Japanese Drift Master faz um ótimo trabalho em desenvolver uma boa jogabilidade e escolher o modelo de missões espalhadas por uma cidade que evoca toda a origem e cultura da modalidade. Entretanto, alguns detalhes poderiam ser melhorados para aprimorar a experiência dos pilotos virtuais, principalmente no campo visual e nas dificuldades das missões.

Prós

  • A pilotagem é firme e conta com as funções do Dualsense para aumentar a sensação de estar ao volante;
  • A cidade de Guntama mistura ótimas referências do Japão, se tornando um elemento tão importante quanto os carros;
  • Contar a história com páginas de mangá é uma boa sacada para compor a narrativa e a ambientação;
  • Boa seleção de veículos, com diversos clássicos de marcas famosas. 

Contras

  • Alguns carros não são licenciados, o que os torna genéricos e menos interessantes;
  • Ausência de um multiplayer;
  • Física estranha ao colidir com outros carros, estejam eles em movimento ou parados;
  • Diversos momentos de queda de resolução.
JDM: Japanese Drift Master — PC/PS5/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Gaming Factory
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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