Bem-vindo ao Rancho Rutherford
Na trama, somos jogados na vida conturbada de Elena Rutherford. Ela teve uma infância caótica: sua mãe desapareceu quando ela era criança e sua família foi amaldiçoada. Dessa forma, alguns membros, como seus tios, não podem sair da região em que moram. Um passado tão conturbado fez a personagem, em sua vida adulta, se afastar da região, mas ela retorna a pedido de sua melhor amiga Lou e para conseguir achar respostas sobre sua mãe.
Aproveitando o reencontro, as duas decidem fazer um ritual para o deus regional, o Homem dos Chifres. Como é de se imaginar, dá tudo errado. Agora, Elena terá que achar as respostas sobre sua mãe e sua amiga em uma região recheada de perigos.
O título aposta em uma história misteriosa na qual, para entender mais detalhes, será necessário ler arquivos ou o diário da protagonista. No entanto, algumas perguntas permanecem sem resposta mesmo após o fim do jogo.
A narrativa mistura muitos elementos distintos, como conspiração governamental, fanatismo religioso pela divindade com chifres e fantasmas, tornando prazeroso ir atrás das respostas e ler os documentos encontrados, que estão traduzidos para o português, e faz o universo ser interessante de se desvendar.
Contudo, embora o mundo apresentado seja intrigante, a protagonista Elena carece de desenvolvimento. Por mais que ela fale bastante com diálogos que tentam ser bem-humorados, não consegue ter uma personalidade definida, tornando a personagem esquecível e dificultando se afeiçoar à relação dela com outros personagens.
Lutar não é a única opção
Após o fracasso do ritual, Elena decide ir até a fazenda de seus tios. No caminho, ela se depara com um abrigo subterrâneo de uma organização governamental chamada Departamento, que tem feito experimentos genéticos na região. Nesse momento, o jogo explica sobre seu combate como um Survival Horror isométrico. A jogabilidade lembra vagamente Resident Evil 1, porém a câmera fica mais distante da personagem.
O lugar está repleto de inimigos. Por sorte, Elena possui um taco de beisebol para ataques físicos e consegue usar diversas armas de fogo para se defender, porém, sua mira é imprecisa, o que dificulta saber se o inimigo foi realmente acertado pelos disparos. Além disso, em locais fechados, a câmera às vezes atrapalha, ficando presa nas paredes dos corredores e dificultando conseguir a visualização dos monstros.
Mesmo a mira da heroína não é lá essas coisas. Ela consegue evitar confrontos usando sua furtividade. Ao andar agachada, os monstros não conseguem ouvi-la, mas é preciso tomar cuidado com os cacos de vidro no chão do cenário para não fazer barulho. Um ótimo detalhe é que, quando pisa neles, aparece uma onomatopeia imitando o som do barulho. Foi uma forma criativa de trazer elementos dos quadrinhos para o jogo.
Embora seja bom existir a opção de evitar confrontos, não é tão útil quanto poderia devido à abundância de recursos que o jogo oferece. Sobre os adversários que a heroína enfrenta no abrigo subterrâneo e fora dele no mundo aberto, possuem visuais grotescos com várias deformidades pelo corpo ou uma espécie de infecção vermelha possuindo o corpo deles.
Entretanto, os inimigos possuem poucas variações, podendo ser resumidos em aranhas, cultistas e cervos mutantes. Algumas criaturas são exclusivas de locais fechados, como o Abrigo subterrâneo. Além disso, são resistentes demais a balas, deixando os confrontos monótonos.
Lar é onde nos sentimos seguro
Após escapar do bunker, a heroína consegue chegar até a fazenda de seus tios. Lá, Elena tem finalmente um momento de paz, podendo salvar o jogo ao interagir com uma televisão de tubo e dormir um pouco. Nesse momento, podemos escolher qual horário ela deseja levantar. Além de a residência ser segura, funciona como base principal, na qual se manifestaram os principais elementos de sobrevivência e craft do game.
No local, é possível construir estruturas que produzem matérias automaticamente em algumas horas no jogo. Isso evita o desgaste de ter que pegar na natureza recursos como madeira e água no início, porém, em pouco tempo, recursos mais avançados, como ferro, pólvora e carne, já estarão disponíveis.
Essa facilidade ajuda a não deixar a tarefa de reunir materiais chata. Contudo, ela também dificulta o combate e tira questões importantes do Survival Horror, como administrar os recursos. Além disso, a parte de se esconder fica quase sem importância, porque a quantidade de munição é praticamente infinita. Assim, não há razão para fugir de brigas.
Direto dos quadrinhos para o mundo virtual
Após conversar com seus familiares e descobrir que eles não tinham informação sobre o paradeiro de Lou, a protagonista decide explorar as proximidades da fazenda para encontrar o mapa aberto do jogo. O mapa é pequeno, apresentando uma floresta repleta de aranhas gigantes, um pântano povoado por cultistas infectados com uma espécie de vírus e uma região com campos de grãos com cervos mutantes.
Ao explorar o mapa, é possível ver como a ambientação se destaca, apostando nas noites escuras e aproveitando a pouca iluminação da lanterna da personagem para criar uma atmosfera de terror, onde não é possível saber se ela está sendo vigiada pelas criaturas.
Já as manhãs passam a ideia de calmaria, com menos barulhos de monstros, o que dá uma sensação de segurança. Mas na claridade é possível ver que a ambientação está repleta de tentáculos estranhos espalhados por todo o mapa e pichações com frases como 'corra' ou 'faça silêncio'.
Embora muito pouco, o jogo tem algumas atividades secundárias, como resolver mistérios de fantasmas espalhados, sendo necessário descobrir como foram mortos para dar um descanso ao espírito, e alguns NPCs vão solicitar algum favor, como achar alguém perdido.
Além das poucas missões extras, há algumas construções abandonadas pela região, que podem ter diagramas que liberam novas construções para a base ou armas e pontos seguros onde é possível salvar e dormir.
Finalmente a verdade foi revelada
I Hate This Place faz uma boa adaptação dos quadrinhos para o mundo virtual, trazendo uma representação de visuais fiéis, com onomatopeias para cada ação que a personagem executa, e introduzindo o mundo dos quadrinhos. No entanto, o jogo tropeça em uma mira imprecisa, uma baixa variedade de inimigos e uma protagonista pouco cativante.
Prós
- O jogo adapta bem os elementos dos quadrinhos, criando uma ambientação que consegue, durante a noite, transmitir a sensação de terror ao jogador, fazendo-o sempre achar que está sendo observado;
- O universo apresentado é muito rico e traz mistérios interessantes de serem resolvidos;
- Legendas em português;
- As investigações dos fantasmas são divertidas e exigem atenção para o caso ser solucionado de maneira correta.
Contras
- Embora visualmente grotescos, os inimigos têm uma baixa variedade, tornando-se repetitivos;
- A mira das armas não responde bem e muitas vezes é difícil saber se o disparo realmente vai acertar o alvo;
- Falta mais desenvolvimento para a protagonista e suas relações com outros personagens secundários;
- A mecânica de estações que fabricam recursos automaticamente na base principal é útil, mas facilita demais a jogabilidade e tira fatores importantes do gênero, como gerenciamento de recursos.
I Hate This Place — PS5/XSX/PC/SWITCH — Nota: 6.5Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Feardemic











