Em meio a tantos FPS de ação e aventura, um conseguiu se diferenciar: High on Life, criado por Justin Roiland — co-criador de Rick and Morty — e desenvolvido pela SquanchGames. A sua sequência, High on Life 2, chega conseguindo superar seu antecessor, entregando combates ainda mais frenéticos, novas armas icônicas e uma história cômica que mantém seu característico humor ácido.
De herói da humanidade a criminoso número um
Após os eventos do primeiro jogo — em que o protagonista se torna um caçador de recompensas e salva a humanidade do destino de ser transformada em drogas pelo cartel intergalático G3 — ele passou a ser uma celebridade entre os caçadores, recebendo fama, amor e sucesso, e ganhando até mesmo sua própria marca de energético.
Tudo ia bem até que a sua irmã, Lizzie, teve a cabeça posta a prêmio por se transformar na líder da organização rebelde Estrela Sangrenta, cuja meta é destruir a Rhea Pharmaceuticals, uma empresa farmacêutica que está transformando humanos em pílulas. Agora, o herói deve trair os caçadores de recompensa, tornando-se um criminoso e caçando cada membro da empresa para destruí-la e salvar os humanos novamente.
A narrativa segue o mesmo padrão de seu antecessor: não se leva a sério em momento algum e está carregada de piadas de humor ácido, similares às vistas em Rick and Morty. Elas ficaram ainda melhores graças às legendas em português, que as adaptam muito bem. Além disso, o jogo traz um museu que reconta os eventos do título anterior para contextualizar novos jogadores.
Mas a campanha consegue ir além do tom humorístico. Ela me surpreendeu ao conseguir desenvolver alguns personagens secundários, como a irmã do protagonista, e ao apresentar críticas a temas como meio ambiente e as próprias indústrias farmacêuticas. Entretanto, quem rouba a cena durante a campanha são os Glatirianos — as armas falantes que dão voz ao herói mudo.
Na sequência, elas ganham ainda mais destaque graças a algumas conversas que podem terminar de forma diferente, dependendo de qual delas é escolhida para assumir o diálogo. Os novos parceiros tagarelas introduzidos são muito carismáticos, com personalidades que se diferenciam bastante umas das outras.
Entre manobras radicais e tiros poderosos
High on Life 2 é um FPS de ação e aventura, com uma estrutura similar à dos Doom modernos. Passamos por estágios lineares que possuem colecionáveis escondidos e momentos de plataforma, intercalados com embates rápidos e frenéticos, nos quais usamos os dispositivos falantes que possuem disparos comuns e especiais. Também é possível atacar inimigos fisicamente com uma faca, o que os faz soltar vida e escudos.
Cada Glatiriano possui peculiaridades únicas, e dominá-las é o que permite criar combos poderosos alternando entre elas. O arsenal ainda pode ser melhorado com acessórios adquiridos em lojas ou em baús escondidos nos cenários.
Entre seus poderes, os que mais usei foram: a Divassa, que consegue congelar o tempo em uma determinada área; Coldre, que lança arpões de choque capazes de perfurar inimigos; e o casal Jean e Travis, que conseguem levitar inimigos ou objetos pesados com seu disparo.
Aprender a controlar cada uma foi uma experiência divertida, ainda mais com seus comentários constantes durante os embates e seus poderes visualmente espalhafatosos. Além de os especiais servirem para provocar dor nos inimigos, também são usados na resolução de quebra-cabeças simples presentes nos estágios.
Entretanto, além da variedade de disparos, o combate é potencializado pela maior adição da sequência: o uso do skate, ativado ao segurar o analógico. Esse elemento torna todas as lutas mais agitadas, permitindo realizar manobras pelos cenários e arremessar a prancha nos inimigos.
A nova mecânica reforça a filosofia de não ficar parado, embora às vezes atrapalhe em momentos específicos de plataforma. A sensação de usá-la é similar a jogar Tony Hawk, mas com ferramentas de combate, algo reforçado por atividades como corridas contra o tempo e a coleta de letras gigantes.
Os alvos a serem abatidos
Os adversários que entram no caminho do protagonista são visualmente chamativos: motoqueiros, robôs, esqueletos, entre outros seres peculiares. Eles conseguem trazer um desafio ao não pararem de se mover no ambiente e atacarem constantemente, não dando espaço para o jogador respirar. Um adicional acrescentado foi um grau a mais de violência: agora é possível ver detalhes como carne e ossos expostos nos inimigos.
Os chefões também são um destaque. Eles possuem golpes variados que ditam o rumo das lutas, e suas arenas de batalha sempre incentivam o uso de mecânicas como o equipamento de manobras radicais e o Faquinha — um Glatiriano capaz de se balançar em pontos específicos. Graças a isso, os duelos contra esses oponentes de elite foram pontos altos da minha experiência.
Mas, infelizmente, ocasionalmente é possível ver alguns dos inimigos bugados, com problemas como entrar no chão ou até mesmo não aparecer quando deveriam. Passei por uma situação isolada com um dos últimos chefes, em ele caiu para fora da arena durante a luta, obrigando-me a reiniciar a batalha. Isso só ocorreu nesse embate. Esse problema, assim como outros, deve ser corrigido em breve, tendo em mente que o título já está recebendo atualizações.
Dando um tempo na cidade
Além da campanha principal, a experiência traz um aumento significativo nas atividades secundárias disponíveis, com opções como corridas, cinema, escape room, pescaria, destruição de cartazes de procurado, jogos de fliperama e as clássicas missões secundárias. Todo esse conteúdo foi muito bem projetado, sendo notável o carinho que o estúdio teve ao desenvolvê-lo. Esse esmero é visto também nas áreas abertas e nas fases lineares.
Os níveis fogem do convencional, criando cenários diversos. Um dos primeiros alvos, por exemplo, está em uma festa em um cruzeiro; para enfrentá-lo, é necessário primeiro participar de uma brincadeira de detetive, na qual se deve descobrir quem matou o anfitrião do evento. Momentos como esse me surpreenderam e mostram como o estúdio conseguiu tornar seu projeto ainda mais único.
Já os locais semiabertos — como o zoológico, a praia e a cidade — foram projetadas de modo que sempre haja um corrimão, fio ou rampa por perto, incentivando o uso constante da prancha e tornando a exploração rápida. As missões secundárias são similares às do primeiro título: não ficam marcadas no minimapa, sendo necessário prestar atenção nos NPCs que chamam a atenção do ex-caçador. Elas possuem objetivos variados, como trabalhar de táxi ou ajudar um turista a encontrar um tesouro enterrado.
Entretanto, é perceptível, durante os passeios pelas fases e áreas semiabertas, que a obra deixa um pouco a desejar em sua otimização. Problemas como quedas de FPS e texturas borradas ou pixeladas foram comuns durante minha experiência no PlayStation 5. Tais empecilhos frustraram um pouco minha jogatina, mas não ofuscam a diversão proporcionada pela continuação. Novamente, tais ocorrências devem ser resolvidas em breve, com mais algumas atualizações. Além disso, o jogo não traz os modos fidelidade e desempenho.
Um FPS criativo
High on Life 2 é uma sequência que supera o antecessor, entregando um combate dinâmico graças aos Glatirianos e às manobras de skate. O título também oferece atividades extras bem feitas, lutas contra chefes desafiadores e uma história cômica divertida. Entretanto, mesmo após atualizações, ainda apresenta problemas de otimização e bugs.
Prós
- Chefes criativos e desafiadores;
- As fases fogem do esperado ao ousarem testar ideias diferentes, criando experiências únicas;
- As áreas semiabertas contam com atividades secundárias variadas e bem feitas;
- O skate é uma ótima adição, tornando os duelos e a exploração mais dinâmicos;
- As armas falantes, antigas e novas, continuam carismáticas e divertidas, com peculiaridades interessantes de dominar;
- Legendas em português bem adaptadas.
Contras
- O jogo apresenta problemas de otimização, com quedas de FPS em alguns momentos mais intensos e texturas borradas ou pixeladas — o que pode afastar jogadores mais exigentes;
- Bugs ocasionais, como inimigos entrando no chão ou não aparecendo corretamente, podem incomodar durante a jogatina.
High on Life 2 — PS5/XSX/PC — Nota: 8.0Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela SquanchGames












