Desenvolvido e publicado pela Blizzard Entertainment, Diablo II é um RPG de ação isométrico, lançado originalmente em 2000 e amplamente reconhecido como um dos pilares do gênero. Em 2021, o título recebeu a remasterização Diablo II: Resurrected, que atualizou gráficos e sistemas para as plataformas modernas, sem perder a essência que conquistou milhões de jogadores.
Agora, mais de duas décadas após sua estreia, o clássico ganha novo fôlego com Reign of the Warlock, DLC lançada em 11 de fevereiro. O conteúdo adiciona a inédita classe de Bruxo, além de trazer melhorias de qualidade de vida, que modernizam a experiência e tornam a jornada contra os demônios ainda mais fluida. A novidade mostra que, mesmo após tantos anos, o legado de Diablo II continua relevante e capaz de atrair tanto veteranos quanto novos aventureiros.
Ainda a mesma jornada
Mesmo após tantos anos, a narrativa de Diablo II continua intrigante e eficiente ao conduzir o jogador por seus atos. Assumimos o papel de um aventureiro disposto a enfrentar as forças demoníacas que assolam Santuário e, ao lado de personagens marcantes, seguimos rumo à libertação de Tyrael e ao confronto final contra o Grande Demônio Baal. A jornada é permeada por violência, desespero e constantes reflexões sobre morte e corrupção, mas também pela esperança de que somos a centelha capaz de restaurar a paz.
Ao optar pelo Bruxo, ou por qualquer outra classe, nada se altera no campo narrativo. Isso pode frustrar veteranos que esperavam um novo ato ou acréscimos na história, para expandir ainda mais a experiência. A DLC não mexe nesse aspecto, ainda que a campanha original permaneça sólida e satisfatória até hoje. As verdadeiras novidades estão nas mecânicas e nas possibilidades inéditas de jogo.
Magias das trevas
A grande estrela da DLC é, sem dúvida, o Bruxo. A nova classe injeta fôlego inédito ao veterano título, ao apostar em um estilo de jogo centrado nas artes sombrias. Suas árvores de habilidades exploram três vertentes principais: telecinese, para manipular armas à distância; piromancia, para conjurar chamas devastadoras; e as próprias artes das trevas, que permitem invocar demônios para lutar ao seu lado. Combinar habilidades dessas diferentes áreas resulta em construções extremamente poderosas.
A mecânica de telecinese é um dos diferenciais mais interessantes. Como o Bruxo pode manejar armas com a mente, torna-se possível equipar armamentos de duas mãos, como grandes espadas, em apenas uma, enquanto mantém a outra livre para escudos ou para itens exclusivos da classe: os grimórios. Esses livros antigos concedem bônus defensivos e aprimoramentos de atributos, ampliando as possibilidades estratégicas e reforçando a identidade única do personagem.
Versátil e bem ajustado dentro do conjunto geral do jogo, o Bruxo é divertido de evoluir e experimentar. Lançar bolas de fogo, enquanto um demônio invocado avança contra os inimigos, cria uma sensação constante de poder e domínio do campo de batalha. Só essa adição já justificaria a DLC, mas, felizmente, há outras melhorias que enriquecem ainda mais a experiência.
Ajustes finos, grandes resultados
Além da nova classe, a DLC também investe em melhorias de qualidade de vida, que impactam diretamente a experiência. Uma das adições mais bem-vindas está no baú pessoal, que agora conta com abas específicas para joias, materiais e runas. A organização ficou muito mais prática, especialmente em um jogo em que a coleta e o gerenciamento de itens são parte essencial da progressão. Há, ainda, uma aba dedicada a itens pessoais e outra compartilhada, com até cinco páginas, facilitando o gerenciamento entre personagens.
O Cubo Horádrico também recebeu um ajuste inteligente: quando está no inventário, pode ser utilizado diretamente a partir do baú, agilizando a sintetização de itens, sem a necessidade de arrastar cada componente manualmente. É uma mudança simples, mas que acelera bastante o ritmo do jogo.
Outra novidade importante é o sistema de filtros de itens no chão. Agora, é possível definir exatamente quais tipos de loot você deseja visualizar, como itens de maior raridade, runas específicas ou equipamentos de conjunto. As opções são amplas e personalizáveis em um menu dedicado. À primeira vista, pode parecer intimidador para iniciantes, mas o sistema padrão já funciona de maneira eficiente. Para jogadores veteranos, contudo, o nível de personalização é um verdadeiro presente.
A DLC também introduz o menu de Crônica, que registra todos os itens já adquiridos ao longo da jornada. Para colecionadores, trata-se de uma excelente adição, permitindo acompanhar relíquias raras e únicas, conquistadas durante a campanha e o endgame.
Vida depois do Caos
Falando em conteúdo pós-jogo, as Áreas Aterrorizadas receberam novas personalizações e, até mesmo, a possibilidade de uso de um item consumível que aumenta ainda mais o desafio. Na dificuldade Tormento, essas áreas podem ser invadidas por um Arauto do Terror, inimigo inédito e extremamente poderoso, que pode retornar ainda mais forte após ser derrotado.
Os chamados Ancestrais Colossais também entram na equação como desafios adicionais. Esses inimigos só podem ser enfrentados após a conclusão das Áreas Aterrorizadas de todos os atos, funcionando como provas finais para jogadores mais dedicados.
No geral, o pacote adiciona uma quantidade significativa de conteúdo ao endgame, ampliando os desafios e recompensas para quem já concluiu a jornada principal e busca motivos para continuar explorando Santuário.
Belo e aterrorizante
Visualmente, a DLC não promove mudanças significativas em relação ao que já foi apresentado em Diablo II: Resurrected. A base estética permanece a mesma: sombria, opressiva e marcada por cenários decadentes. Ainda assim, o conjunto continua funcionando muito bem. A atmosfera é densa, os efeitos visuais das habilidades são impactantes, e a direção de arte mantém aquele equilíbrio entre o grotesco e o fascinante, que define a identidade do jogo.
No campo sonoro, também não há grandes novidades, mas isso está longe de ser um problema. As músicas, quando surgem, reforçam a tensão da jornada, e os efeitos de combate continuam satisfatórios. O Bruxo, em especial, destaca-se pelo visual imponente e pelas animações carregadas de personalidade. A dublagem e os textos mantêm o alto padrão de qualidade, contribuindo para a imersão.
Infelizmente, a experiência técnica não é perfeita. No PlayStation 5, há quedas de quadro perceptíveis, pequenos travamentos e ocasionais “piscadas” na tela. Além disso, subir escadas longas e estreitas pode ser frustrante, já que o posicionamento do personagem nem sempre responde com a precisão esperada.
Apesar disso, esses problemas não chegam a comprometer a experiência como um todo. Ainda assim, são falhas que destoam do cuidado presente no restante da DLC e que merecem ajustes em futuras atualizações.
Vale a pena?
No fim das contas, Reign of the Warlock não reinventa a roda, e nem precisava. A expansão amplia de forma consistente, aquilo que Diablo II: Resurrected já faz bem. O Bruxo é uma classe extremamente divertida, versátil e poderosa, enquanto os ajustes de qualidade de vida e os novos desafios opcionais enriquecem tanto a campanha quanto o endgame.
Mesmo com alguns tropeços técnicos, trata-se de uma experiência fácil de recomendar para veteranos que desejam um novo motivo para retornar a Santuário. O principal obstáculo pode ser o preço: na versão padrão da DLC, sem incluir o jogo base (comercializada como Infernal Edition) o valor ultrapassa os 100 reais. Para novos jogadores, pode ser um investimento considerável, especialmente em um título com mais de duas décadas de existência.
Ainda assim, para quem já aprecia o legado de Diablo II, a expansão entrega conteúdo suficiente para justificar a volta ao campo de batalha.
Prós
- A narrativa continua envolvente e muito bem escrita;
- O Bruxo é uma excelente adição, com mecânicas divertidas e versáteis;
- As melhorias de qualidade de vida tornam a experiência mais fluida e organizada;
- O endgame oferece uma ampla variedade de desafios opcionais para jogadores dedicados;
- A dublagem do novo personagem mantém alto nível de qualidade.
Contras
- Quedas recorrentes de desempenho, especialmente no PS5;
- Movimentação em escadas longas e estreitas pode ser frustrante;
- O preço elevado pode afastar novos jogadores.
Diablo II: Resurrected – Reign of the Warlock — PC/PS4/PS5/XSX/Switch — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Blizzard Entertainment



