Análise: Avowed é um RPG com exploração robusta e combate excelente

Embora não seja o RPG mais complexo do estúdio, o jogo ainda se destaca pela sua vasta variedade de armas e companheiros carismáticos.

em 25/02/2026
Avowed
é um RPG de ação e aventura, desenvolvido pela Obsidian. O título teve uma recepção mista no seu lançamento, mas ele chega ao PlayStation 5 em sua versão definitiva. Trazendo novidades como novas raças para se jogar, New Game + e um modo foto bem generoso.

As Terras Férteis entre a política e a doença

A história é ambientada no mundo de Eora, mesmo local onde se passa a franquia Pillars of Eternity, passando-se em um continente selvagem chamado Terra Fértil. O local está passando por complicações políticas devido à presença do império Aedyrano na região. Para complicar mais as coisas, a região começou a sofrer de uma doença misteriosa chamada praga dos sonhos.

Nesse cenário conturbado, chega o herói da história, o porta-voz, um representante do império que nasceu como uma deidade, alguém tocado no ventre por uma divindade. Ele deve ir ao continente achar uma forma de se livrar da doença, ao mesmo tempo que sua jornada irá revelar mais detalhes sobre a divindade que o abençoou e sobre o passado do próprio continente.



A narrativa começa sem dar muitas informações, mas progressivamente vai revelando detalhes importantes desse rico universo, dos cativantes companheiros Kai, Marius, Giatta e Yatzli e da relação do porta-voz com sua divindade patrona. Eu me surpreendi com a trama, que me deixou intrigado do começo ao fim dela. Além disso, a obra conta com legendas em português muito bem adaptadas e um glossário que explica termos e eventos desse universo.

Como de costume em RPGs, um sistema de escolhas está presente, que muda completamente o rumo das missões principais e secundárias. Porém, esse elemento não é tão complexo neste jogo, a maioria das decisões importantes só vai ter dois caminhos possíveis. Não existe tanta liberdade quanto em outros títulos, como Baldur's Gate 3, no qual os diálogos possuem muitas variantes. Mas esse detalhe em nenhum momento tira o brilho da jornada e de seus múltiplos finais.


Outra característica, como a presença do carisma, elemento que permite que um personagem convença outro a tomar alguma ação, não está presente, sendo substituída pelos atributos de força, inteligência, destreza e observação, que, dependendo do nível, influenciam nos diálogos. Apesar de o sistema de escolhas não detalhar tanto a narrativa, ela ainda está carregada de momentos impactantes e vários finais alternativos para o fim da jornada. Com a adição do New Game +, é fácil iniciar uma nova jogatina.

Uma alta variedade de raças mal aproveitadas

O protagonista é totalmente customizável. Podemos escolher seu tipo físico, sexo, cabelo, voz e traços de deidade. Como ele foi tocado por um deus, obrigatoriamente possui características únicas como rochas ou galhos crescendo na cabeça, porém é possível ocultar esses detalhes, que ainda serão visíveis aos NPCs. Embora isso tenha causado certa estranheza no começo, acabei me afeiçoando a esses traços. Só queria que tivesse mais opções dessas peculiaridades para a cabeça.

Além do aspecto físico, é possível escolher uma origem como nobre ou soldado e uma raça. No lançamento só tinham duas disponíveis: humanos e elfos, mas agora chegaram anões; aumauas, que são como homens-peixe; e orlas, seres pequenos e felpudos.


Tanto a origem quanto a espécie dão um bônus de atributo como inteligência ou força. Entretanto, achei as espécies pouco aproveitadas. Elas não afetam em nada a narrativa, o que é uma pena, pois seria interessante ver como personagens reagiriam ao ver uma deidade anã ou aumaua. Consequentemente, esse elemento perde um pouco da sua importância e afeta a imersão do jogador na hora de interpretar o protagonista.

O máximo de diferença que consegui notar é o fato de que, dependendo da altura, NPCs olham para cima ou para baixo para falar com o personagem. Em contrapartida, agora é possível mudar a aparência e a espécie da divindade em um espelho mágico presente em todos os acampamentos do grupo quantas vezes quiser.

Um arsenal que permite interpretar quem desejar

Avowed é um RPG de ação e aventura que pode ser jogado em primeira ou terceira pessoa. Seu combate é estruturado em três pilares: ataques fortes e fracos, esquivas e defesas. Após uma certa quantidade de golpes, os inimigos entram em um estado de atordoamento, ficando vulneráveis para receber uma animação extravagante que provoca muito dano.

Entretanto, essa última perspectiva ainda conta com animações um pouco estranhas, principalmente em momentos de escalada, e não é possível alternar entre as perspectivas de maneira rápida, sendo necessário ir ao menu de configurações, tornando a mecânica pouco dinâmica. Uma atualização resolveria essa questão facilmente.

Muito mais do que apenas golpes simples, o título possui uma árvore de habilidades generosa dividida em guerreiro, mago, ladino e deidade. Graças a ela, os embates se tornam ágeis, dinâmicos e divertidos. Além dessas qualidades, Avowed proporciona uma grande liberdade para o jogador poder criar seu próprio estilo de luta mesclando armas distintas.

Entre as ferramentas que mais chamaram minha atenção foram o bastão — capaz de causar um grande dano mágico, embora seja lento — as clássicas espadas e arcapuzes — rifles poderosos, mas com recarga lenta. O que mais me impressionou neles foi como são detalhados e possuem versões com características únicas, como causar dano de fogo e gelo.

Para promover essa filosofia, é possível refazer as builds a qualquer momento, direto do menu de habilidades. Com isso, é possível rejogar inúmeras vezes, testando combinações diferentes e inventando novas formas de lutar.

Um grupo de aliados divertidos

O Porta-Voz não precisa enfrentar os perigos das Terras Férteis sozinho, pois conta com um elenco de quatro companheiros carismáticos: Kai, Marius, Giatta e Yatzli. Durante o desbravamento do mundo, o jogador pode selecionar até dois desses aliados para compor seu grupo ativo simultaneamente. Eles vão sempre comentar sobre as decisões tomadas, servindo como uma bússola moral.

Achei os aliados interessantes, principalmente quando consegui conhecê-los melhor no acampamento, local onde é possível conversar com eles, fazendo perguntas pessoais e ouvindo suas opiniões sobre missões já feitas. Graças a isso, essas figuras se tornaram marcantes para mim. Além de se enturmar, o local também permite gerenciar, aprimorar e encantar os equipamentos do protagonista.

No entanto, falta um pouco mais de consequências pela parte dos ajudantes. Embora eles reajam a escolhas, esse elemento não é tão bem desenvolvido como poderia. Normalmente, em RPGs, o grupo possui objetivos e morais. Caso o herói vá contra isso, eles podem abandoná-lo. Essa característica praticamente é inexistente, tornando os aliados um pouco menos vivos e mais caricatos.

Durante os embates, é possível dar ordens para que eles ataquem um alvo específico ou deixar que lutem sozinhos, e eles possuem uma árvore de talentos com quatro habilidades que podem ser liberadas e melhoradas. Além disso, eles também ajudam interagindo com obstáculos específicos.

Por exemplo, Kai consegue queimar raízes que bloqueiam passagens, enquanto Giatta pode interagir com máquinas que precisam de energia. Essa mecânica torna os aliados mais úteis, passando a ideia de que eles realmente são uma equipe.

As paisagens incríveis das Terras Férteis

As terras férteis são um continente vasto, perigoso e belo, sua ambientação representa muito bem isso, com desertos, florestas, pântanos e vulcões. Essas áreas são repletas de atividades como baús, masmorras, missões secundárias, tesouros enterrados e chefes. A exploração é um dos principais destaques. Bastante horizontal, há muitos momentos de escalada e parkour, tornando-a rápida e frenética.

Aventurar-se por esses biomas foi uma das melhores partes da minha experiência e, com a adição do modo foto, foi possível registrar melhor os belos cenários. A curiosidade sempre é recompensada com equipamentos poderosos, confrontos desafiadores contra chefes ou momentos de reflexão proporcionados por memórias antigas que expandem a história do local.


Além da forte presença de natureza, cada região conta com uma cidade distinta com arquitetura e cultura próprias. Os locais possuem bastantes NPCs conversando entre si, andando pelo ambiente, mas falta um pouco mais de interação entre eles. Lá também é possível encontrar mercadores e contratos de recompensas.

Para terminar, cada cenário traz inimigos novos: temos esqueletos, besouros gigantes, cogumelos monstruosos e muitos outros seres peculiares que vão entrar no caminho do protagonista. Enfrentá-los é divertido, pois são rápidos e possuem golpes em área, reforçando a necessidade de dominar as mecânicas básicas e usar os aliados. No entanto, eles se tornam repetitivos após certo tempo.

Um RPG que supera expectativas


Avowed
não é o RPG mais complexo que a Obsidian Entertainment produziu, mas ele entrega conflitos dinâmicos, com uma alta liberdade para criar builds, exploração robusta e uma história intrigante com vários finais. Entretanto, mesmo trazendo novidades como modo foto, novas armas e raças, ainda falta um aprimoramento na visão em terceira pessoa e tornar mais ágil a troca entre perspectivas. Além disso, as espécies novas poderiam ter um impacto na narrativa para tornar o elemento mais interessante.

Prós

  • Combate simples e dinâmico, com muitas opções de armas, conferindo liberdade para combinar cada uma, podendo criar assim seu próprio estilo de luta;
  • Uma vasta quantidade de atividades para se fazer;
  • Ambientação robusta e horizontal com ambientes distintos e muitas recompensas para os jogadores;
  • Companheiros carismáticos e úteis em confrontos;
  • História intrigante com vários finais e escolhas que alteram o rumo dela;
  • Legendas em português.

Contras

  • Embora tenha recebido novas espécies, esse fator não acrescenta nada à narrativa ou muda a forma como os companheiros ou NPCs enxergam o personagem;
  • O modo terceira pessoa tem algumas animações estranhas ao executar ações como escalar e a maneira de ativar a visão ainda é demorada;
  • Alguns inimigos se tornam monótonos.
Avowed — PC/XSX/PS5 — Nota: 8.5
Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Xbox Game Studios
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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