O que esperar das grandes publicadoras em 2026

Como as gigantes do entretenimento planejam dominar o ano.

em 22/01/2026

2026 é um ano de inflexão na indústria. Estamos diante de avanços tecnológicos mais maduros e já na segunda metade da geração atual de consoles, o que torna este o momento ideal para que as grandes publicadoras mostrem o que vêm desenvolvendo. A expectativa é de um ano forte para o mercado, com lançamentos relevantes e projetos que podem redefinir rumos criativos e comerciais da indústria.

PlayStation Studios 

Como dona de plataforma, a Sony precisa manejar seus lançamentos de forma estratégica para não colidir com títulos de grandes parceiras. Com acesso privilegiado a informações da indústria, a empresa consegue organizar seu calendário evitando fricções com o lançamento de novembro da Rockstar — isso, claro, caso o jogo realmente chegue nessa data e não sofra mais um adiamento.

Os quatro grandes lançamentos da gigante japonesa chegam com expectativas distintas. Marathon, o primeiro a chegar, em 5 de março, carrega o estigma de ser mais um projeto live service da Sony. Após o fiasco de Concord, esse é um peso considerável. Adiado meses depois do feedback da comunidade, o novo título da Bungie chega com a missão de justificar o investimento bilionário feito pela Sony no estúdio.

Comprada por sua expertise, a aquisição da Bungie tem sido, até agora, decepcionante para a PlayStation. O desempenho de Destiny caiu, o estúdio esteve diretamente ligado ao cancelamento de The Last of Us Factions e a recepção inicial de Marathon foi morna. No entanto, desde o adiamento, o jogo de extração passou a gerar expectativas mais positivas em betas fechados, com a Bungie ouvindo ativamente o feedback da comunidade. Esse tempo extra parece ter valido a pena, permitindo que Marathon chegue ao mês de março com um nível de otimismo que nenhuma outra tentativa live service da Sony alcançou.

No campo single-player, Saros chega no fim de abril como uma sequência espiritual de Returnal, um dos jogos mais elogiados da geração. Ainda que o título original tenha sido um acerto, ele soava como uma primeira tentativa de expansão da Housemarque. Saros surge, então, como a oportunidade de refinar o conceito, especialmente no aspecto roguelike, e entregar a obra definitiva do estúdio.

MARVEL Tōkon: Fighting Souls marca a parceria com a Arc System Works para a criação de um dos jogos de luta mais aguardados do ano, unindo uma franquia popular a um estúdio reconhecido por sua excelência no gênero.

O lançamento mais esperado pelos fãs da PlayStation, no entanto, é a nova colaboração da Insomniac com a Marvel. Wolverine chega com a promessa de ser a versão definitiva do personagem nos videogames. No anúncio, havia dúvidas se o estúdio conseguiria fazer jus à violência inerente ao personagem, considerando o tom mais leve de seus jogos anteriores. O primeiro trailer de gameplay dissipou essas preocupações: a brutalidade está presente, e a expectativa é de um retorno à melhor forma da Insomniac, um dos pilares criativos da PlayStation.

Xbox Studios

A Xbox finalmente se consolida mais como publisher do que como plataforma. Após a compra de ativos gigantescos do mercado, como Activision Blizzard e ZeniMax, a Microsoft se tornou a maior publicadora do mundo. Ainda assim, 2025 foi um ano decepcionante: títulos vindos dessas aquisições, como Call of Duty: Black Ops 7, Avowed e The Outer Worlds 2, não conseguiram se firmar como grandes sucessos. Em 2026, a responsabilidade de reverter esse cenário recai principalmente sobre os estúdios originais da casa.

Fable retorna cercado de expectativa, prometendo revitalizar uma das franquias mais queridas do catálogo da Xbox, agora com tecnologia moderna e um tom que precisa equilibrar humor, fantasia e identidade própria.

Gears of War: E-Day marca o retorno da série com uma prequel que aposta em nostalgia e impacto emocional. A proposta é revisitar os eventos iniciais do conflito e reconectar a franquia com suas origens, algo que pode surpreender caso seja bem executado.

Forza Horizon 6 leva a série para o Japão, um cenário há muito pedido pelos fãs. A mudança de ambientação tem potencial para renovar a fórmula, mantendo o alto nível técnico e a acessibilidade que tornaram a franquia um dos maiores sucessos da marca.

Todos esses títulos estão previstos para chegar também ao PlayStation, seguindo a estratégia multiplataforma da Microsoft. O verdadeiro ponto de ruptura, no entanto, será Halo: Campaign Evolved. Quando Master Chief pisar oficialmente no console da concorrência, isso marcará um divisor de águas definitivo. Refeito na Unreal Engine 5, o jogo carrega o peso de honrar o título que colocou o Xbox no mapa há mais de 20 anos. Resta saber se a identidade será preservada e se novos jogadores abraçarão uma obra que, por muito tempo, foi considerada uma das grandes referências do gênero.

O ano também será decisivo para medir o real impacto das aquisições da Activision/Blizzard e da Bethesda. O maior objetivo da Activision será reconquistar a confiança dos fãs de Call of Duty, enquanto a Blizzard ainda trabalha para reconstruir sua relevância, sustentando Diablo IV e redefinindo o futuro de Overwatch 2, enquanto World of Warcraft recebe mais uma expansão. Já a Bethesda precisa reafirmar seu prestígio criativo após um período irregular, com The Elder Scrolls VI ainda distante. 

Capcom

Desde seu renascimento criativo, a Capcom vem entregando títulos de peso ano após ano, e em 2026 não deve ser diferente.

Pragmata chega em abril, cinco anos após seu primeiro anúncio oficial. Trata-se de uma grande aposta no segmento triple A, com uma proposta singular que a própria empresa define como um “quebra-cabeça de ação”. A longa espera aumenta a curiosidade, mas também a pressão por um resultado à altura da ambição apresentada.

Onimusha: Way of the Sword marca o retorno da franquia com uma nova interpretação. A Capcom demonstra, mais uma vez, que sabe ouvir seus fãs ao resgatar uma série querida, agora adaptada a uma nova era dos jogos de ação. O desafio será manter a identidade clássica enquanto dialoga com padrões modernos do gênero.

E, claro, um dos jogos mais aguardados do ano: Resident Evil Requiem. Desde Resident Evil 7, a franquia vem recebendo tratamento premium, com lançamentos e remakes que figuraram três vezes entre os indicados a Jogo do Ano no The Game Awards (RE2 Remake, Village e RE4 Remake). A expectativa é repetir o feito. A principal dúvida gira em torno da estrutura com dois protagonistas de estilos distintos, algo que já dividiu opiniões no passado com Resident Evil 6. Ainda assim, a estreante Grace Ashcroft tem potencial para se tornar uma personagem icônica, enquanto Leon, um dos maiores nomes da mídia, retorna para reforçar o peso da franquia.

Take-Two Interactive

A Take-Two entra em 2026 com duas grandes incógnitas capazes de moldar o ano e possivelmente a geração. Judas e Grand Theft Auto VI carregam pesos muito diferentes, mas igualmente decisivos.

Caso GTA VI realmente chegue na janela anunciada, é difícil imaginar que Judas seja lançado no mesmo ano. A empresa dificilmente canibalizaria dois projetos desse porte. Se Judas for empurrado para 2027 ou confirmado para o meio do ano, isso pode servir como termômetro direto para a confiança da Take-Two no cronograma de GTA.

Judas, novo projeto de Ken Levine após BioShock Infinite, carrega expectativas criadas pelo próprio criador. A ideia dos chamados “LEGOs narrativos”, em que a história se molda dinamicamente às decisões do jogador, promete redefinir a forma como o storytelling é tratado nos jogos, sendo um projeto ambicioso, arriscado e cercado de curiosidade. A espera por um novo jogo de Levine se equipara à ansiedade por um novo GTA. Ambos os jogos, BioShock Infinite e GTA V, foram lançados em 2013.

Grand Theft Auto VI será o fenômeno de 2026. Comercialmente, o fracasso não é uma possibilidade real. Ainda assim, após casos como Cyberpunk 2077, a indústria sabe que nem mesmo gigantes estão imunes a tropeços. A favor da Rockstar está um ciclo de marketing extremamente contido até o momento, com dois trailers, nenhuma promessa exagerada e expectativas criadas quase exclusivamente pela comunidade. Próximo ao lançamento, é razoável esperar a maior campanha de marketing da história dos videogames.

Ubisoft

A Ubisoft segue em um processo gradual de recuperação da confiança do público. Após um período conturbado, a empresa teve um 2025 mais sólido, impulsionado pelo lançamento de Assassin’s Creed Shadows e de bons títulos como The Rogue Prince of Persia e Anno 117: Pax Romana.

No entanto, o ano de 2026 começou conturbado. Com o anúncio do cancelamento do remake de Prince of Persia: The Sands of Time e a reestruturação interna de todos os seus estúdios, o destino da publicadora francesa torna-se mais incerto do que nunca. No lado positivo, é esperada a revelação de um novo Assassin’s Creed, além da continuidade de jogos como serviço, como Rainbow Six Siege, e o lançamento do recém-adquirido MOBA gratuito March of Giants.

Electronic Arts

O foco da Electronic Arts deve ser a sustentação de Battlefield 6, garantindo conteúdo consistente e suporte a longo prazo, algo essencial após as oscilações recentes da franquia.

Paralelamente, a empresa segue com seu calendário anual de esportes, enquanto mantém Mass Effect fora do horizonte imediato. O próximo capítulo da franquia permanece em desenvolvimento, mas claramente para além de 2026, reforçando a cautela da EA após experiências passadas.

Square Enix

A Square Enix inicia o ano com Dragon Quest VII Reimagined, prometendo mais um acerto dentro da clássica franquia, e o retorno de Max e Chloe em Life is Strange: Reunion, que fecha o primeiro trimestre com dois lançamentos relevantes, reforçando a diversidade do catálogo da empresa.

The Adventures of Elliot: The Millennium Tales surge como um novo projeto em HD-2D, agora com foco maior em ação, e pode ser a surpresa do ano para a publicadora.

Ainda assim, 2026 deve ficar marcado pelos anúncios, especialmente da terceira e última parte do remake de Final Fantasy VII, um dos projetos mais ambiciosos da indústria, assim como novidades concretas sobre Kingdom Hearts IV.

Koei Tecmo

A empresa mantém um perfil mais discreto, mas com apostas importantes. Nioh 3 deve reforçar a posição da franquia no nicho de ação hardcore, enquanto Fatal Frame II: Crimson Butterfly reacende o interesse por uma das séries de horror mais cultuadas da empresa.

Warner Bros. Games

2026 será decisivo para a divisão de games da Warner. Um novo título da NetherRealm Studios é esperado, enquanto a publicadora vive um momento de incerteza, em meio à venda para a Netflix e à instabilidade da Warner Bros. Discovery.

O futuro da divisão é nebuloso, apesar de um histórico recente que alterna grandes sucessos, como Hogwarts Legacy, e fracassos retumbantes, como Suicide Squad: Kill the Justice League. Os próximos meses podem definir se a Warner seguirá investindo no setor ou se passará por uma reestruturação profunda.

THQ Nordic 

A publicadora conta com lançamentos relevantes no primeiro semestre, como Reanimal e Tides of Tomorrow, além de aguardados projetos como Gothic 1 Remake e The Eternal Life of Goldman, que ainda não têm datas confirmadas. Darksiders 4, que foi anunciado para 2026, é o seu grande trunfo, mas é incerto se chegará ao mercado este ano.

O ponto de virada

Ao olhar para 2026, fica claro que o ano será marcado pela convergência de movimentos estratégicos das maiores forças da indústria. Estamos na metade final da geração, com publicadoras pressionadas a entregar resultados, justificar aquisições e reafirmar identidades criativas. Entre retornos aguardados, apostas arriscadas e lançamentos capazes de redefinir mercados, o ano se desenha como um ponto de virada que funcionará como o termômetro definitivo para o rumo que a indústria seguirá na próxima década.

Revisão: Heloísa D’Assumpção Ballaminut
Siga o Blast nas Redes Sociais
Matheus Oliveira
Entusiasta de games e cinema, sempre explorando novos gêneros e estilos enquanto acumula um backlog infinito. X e Instagram
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).