Análise: Kotama & Academy Citadel combina ação intensa e estética anime em um metroidvania que aposta no seguro

Explore uma academia futurista nesta aventura que até tem algumas ideias interessantes, mas que acaba não fugindo do básico.

em 15/01/2026

Kotama & Academy Citadel se apresenta como um metroidvania com atmosfera de anime e algumas ideias próprias que tentam se destacar dentro de um gênero já saturado. A combinação de combate veloz, exploração em uma academia tecnológica e sistemas como a manipulação temporal cria uma boa primeira impressão, mas, ao longo da jornada, fica claro que o jogo prefere seguir caminhos tradicionais. O resultado é uma experiência competente e segura, porém menos ousada do que sua proposta inicial sugere.

Em uma competição de popularidade que mais parece um campo de batalha

A história se passa na Carmel Academy Citadel, uma instituição onde estudantes disputam prestígio e poder em busca do título de Carmel Star. Kotama, uma aluna recém-chegada e envolta em mistério, é lançada nesse ambiente competitivo sem muitas explicações, mas decide desde já que o título de Carmel Star será seu. Com isso, a garota precisa competir com as outras alunas da academia, ao mesmo tempo em que investiga suas próprias origens.


Grande parte da construção do universo acontece fora das cenas principais por meio de documentos espalhados pelos cenários. Esses fragmentos ajudam a enriquecer o pano de fundo do mundo e revelam detalhes interessantes sobre a academia e seus estudantes, mas a narrativa central em si avança pouco ao longo da campanha. O resultado é um universo curioso em teoria, mas que raramente se manifesta de forma mais ativa durante a jornada — confesso que mal me importei com a competição central da trama e com a protagonista quase muda.


Visualmente, o título aposta em uma estética anime, com personagens ilustradas em 2D contrastando com cenários 3D coloridos e uma trilha sonora suave. Apesar de se passar em uma academia, o ambiente é tão tecnológico e estilizado que pouco remete a uma escola tradicional, funcionando mais como um grande complexo futurista com laboratórios e oficinas. 

O design de personagens claramente mira um público específico com um elenco exclusivamente feminino e visual chamativo; embora alguns conceitos sejam interessantes, outros ultrapassam o limite do bom senso e acabam soando apelativos demais.



Manchando oponentes em combates ágeis e explosivos

A estrutura central segue à risca a cartilha dos metroidvanias: explorar áreas interconectadas, enfrentar inimigos, evoluir habilidades e desbloquear novos caminhos. O combate é frequente e ágil com o uso constante de combos, esquivas e aparos, forçando-nos a ficar sempre atentos ao posicionamento e ao ritmo das batalhas. Kotama conta com três armas distintas — um guarda-chuva equilibrado, um chicote de longo alcance e um par de facas focadas em velocidade — que podem ser alternadas livremente, permitindo a criação de sequências variadas.

O grande diferencial do combate está na mecânica de fluido temporal: ataques mancham os inimigos com um líquido roxo e, ao acumular níveis elevados, é possível detoná-los com golpes específicos, causando grandes quantidades de dano. Esse sistema adiciona um elemento estratégico único às lutas, especialmente contra inimigos mais resistentes. A customização também tem seu espaço por meio de chips equipáveis em uma grade de espaço limitado, incentivando-nos a fazer escolhas conscientes sobre bônus e habilidades passivas.


As batalhas são rápidas e exigem leitura constante dos padrões inimigos, com foco em escapar e interromper investidas no momento certo. O ritmo é frenético, com inimigos agressivos, monstros que pedem abordagens distintas e arenas que frequentemente incorporam armadilhas. Essa combinação faz com que os confrontos se mantenham variados. Os chefes são, sem dúvida, o ponto alto da experiência, trazendo lutas criativas que testam o domínio das habilidades de Kotama e o uso eficiente das armas e mecânicas disponíveis. 

A dificuldade é geralmente equilibrada, mas pende para o lado mais desafiador em alguns momentos: Kotama é frágil, a recuperação de vida é lenta e exige posicionamento estratégico, ainda que a cura seja praticamente infinita, custando apenas dinheiro a cada uso. Com o avanço do jogo e o fortalecimento da personagem, porém, parte dessa sutileza se perde, e muitos encontros acabam sendo resolvidos na base da força bruta, reduzindo a necessidade de tanta precisão.



Uma jornada tradicional por um mundo elaborado

No que diz respeito à exploração, Kotama opta por uma abordagem relativamente direta. A rota principal é bem óbvia e o próximo objetivo costuma estar sempre claro no mapa, facilitando a progressão. O equilíbrio entre exploração, combates e desafios de plataforma é bem ajustado, garantindo um fluxo constante de atividades ao longo da jornada.

Apesar de apresentarem temas visuais distintos, as áreas da academia acabam sendo mecanicamente e estruturalmente parecidas entre si. Falta um pouco mais de identidade própria a cada região, seja por meio de elementos exclusivos ou layouts mais marcantes, o que faz com que algumas partes do mapa se confundam na memória após algumas horas de jogo.


Fora da rota principal, há bastante conteúdo relevante a ser descoberto. Muitos upgrades importantes, segredos e missões estão escondidos em caminhos alternativos que exigem habilidades obtidas mais tarde, incentivando o backtracking. Algumas salas especiais se destacam por oferecer desafios complexos de plataforma, funcionando como puzzles de navegação que exigem precisão e planejamento e se mostram alguns dos momentos mais interessantes da exploração.

Uma das ideias mais criativas do jogo é o sistema de manipulação temporal. Kotama possui itens chamados Temporal Coils, que representam diferentes horas do dia e que são consumidos conforme atravessamos as salas. Quando eles acabam, o tempo deixa de avançar, sendo necessário ativar um ponto de salvamento para rebobinar o relógio e restaurar os recursos. Alguns eventos e portas dependem de horários específicos ou de uma quantidade mínima de Coils, exigindo certo planejamento de rotas. Apesar de inventiva, essa mecânica tem impacto prático limitado, com poucos eventos realmente relevantes e um número reduzido de situações em que o tempo influencia de forma decisiva.


Fora isso, a competição pelo título de Carmel Star funciona como um objetivo secundário importante. Ajudar outras estudantes rende votos para Kotama, e certas portas e interações só são liberadas ao atingir porcentagens específicas. As missões paralelas costumam ser bem elaboradas e, para alcançar o final verdadeiro, é necessário investir pesado nelas, o que se torna um forte incentivo para explorar cada canto da academia.



Uma boa aluna, mas sem nota máxima

Kotama & Academy Citadel é um metroidvania competente, que entende bem os fundamentos do gênero e entrega uma experiência sólida no geral. O combate repleto de combos ágeis e o vasto mapa repleto de conteúdo são destaques, e a atmosfera colorida estilo anime ajuda a tornar a aventura envolvente.

Ainda assim, sua abordagem é bastante conservadora: as habilidades de navegação seguem o padrão esperado e a estrutura principal é praticamente linear. Embora apresente ideias interessantes, como o sistema de Temporal Coils, o jogo não explora essas mecânicas com profundidade suficiente para causar um impacto duradouro. O resultado é uma experiência agradável, mas pouco ousada.

Prós

  • Combate ágil, com boa variedade de armas e chefes criativos;
  • Exploração competente com bom equilíbrio entre ação e plataforma;
  • Boa quantidade de conteúdo para explorar;
  • Ambientação estilo anime colorida e agradável.

Contras

  • Estrutura excessivamente linear para um metroidvania;
  • Mecânicas únicas pouco exploradas, como o sistema temporal;
  • Áreas e cenários pouco marcantes entre si.
Kotama & Academy Citadel — PC — Nota: 7.5
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela 2P Games
OpenCritic
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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