Lançado em janeiro de 2026, Ghetto Zombies: Graffiti Squad é uma aventura que evoca a nostalgia da época dos saudosos Mega Drive e Super Nintendo, oferecendo uma experiência que remete a um sucessor espiritual do clássico Zombies Ate My Neighbors. Desenvolvido pelo estúdio Fogo Games, o título está entre os primeiros jogos brasileiros lançados em 2026, e tivemos a oportunidade de jogá-lo para contar como foi essa experiência.
Vila Fundinho contra o apocalipse
Em Ghetto Zombies, somos apresentados à simpática Vila Fundinho, um subúrbio como qualquer outro passando por mais um dia rotineiro, com crianças brincando na rua, donas de casa fazendo a feira e a água faltando nas torneiras das casas. Ironicamente, a falta d’água no bairro foi a melhor coisa que poderia ter acontecido naquele dia, já que uma misteriosa contaminação na rede da cidade fez com que todos que consumissem a água se transformassem em zumbis.
Assim, a Vila Fundinho, que foi o único local não afetado pela calamidade, acabou se tornando um refúgio diante do iminente apocalipse zumbi que tomou conta da cidade. Com o passar do tempo, o local consolidou-se como um porto seguro contra os mortos-vivos que dominaram tudo ao redor, isolando-se do mundo externo por meio de grandes muros e barricadas de proteção.
Agora, após anos de isolamento, chega a hora de revidar e retomar a liberdade brutalmente tomada pelos zumbis. Para isso, o professor Vara, um renomado e talentoso cientista com aparência de capivara, criou o Esquadrão-Z, um grupo de quatro jovens geneticamente modificados e dotados de habilidades especiais para enfrentar a ameaça.
Treinados especificamente para eliminar zumbis, Kath, Vini, Fabão e Duda surgem como a última esperança para acabar de vez com a ameaça monstruosa que coloca em risco o futuro dos últimos sobreviventes da Vila Fundinho.
Entre zumbis e latas de tinta
Ghetto Zombies: Graffiti Squad é um top-down shooter de aventura no qual assumimos o controle dos membros do Esquadrão-Z em uma investida contra os zumbis que ameaçam os últimos cidadãos vivos da Vila Fundinho. O objetivo é combater os monstros enquanto avançamos pela cidade, enfrentando diferentes tipos de inimigos e deixando nossa marca com artes de grafite nos muros por onde passamos.
A dinâmica principal funciona da seguinte forma: cada área acessada possui uma quantidade de muros que precisam ser grafitados. Ao concluir essa tarefa, o jogador libera o acesso às áreas seguintes, permitindo que a progressão continue rumo ao centro da cidade.
Durante a exploração de ruas e becos, inevitavelmente encontramos zumbis que antes eram cidadãos da metrópole. Eliminá-los não é obrigatório, mas torna-se necessário para evitar que atrapalhem o processo de grafitar os muros e o avanço da expedição.
Sempre que uma arte é concluída, uma nova onda de zumbis surge para atazanar nossa vida. A única solução é enfrentá-los diretamente. Essas batalhas rendem DNA, que é utilizado como pontos de experiência para adquirir upgrades na base sempre que subimos de nível, e estrelas, que funcionam como moeda para destravar contêineres espalhados pelas ruas e becos, os quais contêm itens de cura e novos armamentos.
É nesse aspecto que o jogo demonstra grande criatividade, graças ao amplo arsenal disponível. Cada personagem pode carregar até três armas diferentes, indo das mais convencionais, como revólveres, pistolas, espingardas, fuzis e metralhadoras, até opções mais inusitadas, como disparadores de raios laser, armas de abelhas e até pistolas de condimentos, como ketchup e mostarda.
As armas especiais oferecem vantagens adicionais, o que causa efeitos extras nos inimigos, como lentidão, dano contínuo ao longo do tempo ou maiores chances de dano e acertos críticos. Contudo, a munição para elas é bem escassa, podendo ser recarregadas apenas na base da Vila Fundinho. Além disso, cada um dos quatro membros do esquadrão conta com armas exclusivas que refletem suas personalidades e só podem ser equipadas no QG.
Periodicamente, é possível retornar à base para trocar de personagem, ajustar o equipamento com base nas armas já descobertas no mapa e distribuir os pontos obtidos ao subir de nível para melhorar atributos como vitalidade, defesa e velocidade de movimento. Antes de seguir com a missão, uma visita ao QG costuma ser sempre uma boa escolha.
Criativo e divertido, mas ainda limitado
Como já mencionado, Ghetto Zombies: Graffiti Squad demonstra clara inspiração no clássico Zombies Ate My Neighbors, de 1993. Afinal são poucos os jogos — até onde me lembro — que colocam adolescentes lutando contra zumbis de diferentes tipos, tamanhos e comportamentos, utilizando armas nada convencionais.
No entanto, apesar da inspiração evidente no título noventista, o jogo deixa escapar a oportunidade de se tornar tão interessante ou memorável, tanto para jogadores que, como eu, conhecem o clássico da era 16-bit quanto para aqueles que sequer têm referência do jogo original.
Ghetto Zombies é uma experiência exclusivamente single player. Isso significa que, se a ideia era jogar acompanhado, a única alternativa é o esquema de “um de cada vez”. A inclusão de um modo multiplayer, mesmo que local, certamente tornaria a experiência ainda mais interessante e divertida.
Por conta disso, a principal atividade disponível é finalizar a campanha com cada um dos quatro personagens jogáveis. A campanha é dividida em quatro capítulos e caso o jogador não interrompa com frequência para realizar upgrades ou trocar equipamentos, é possível concluir a jornada com cada personagem, alcançar o nível 10 e colecionar o vasto arsenal de armas disponíveis em cerca de três horas aproximadamente, caso decida jogar com apenas um membro do esquadrão durante a partida.
O desafio adicional está em atravessar a cidade no menor tempo possível e experimentar diferentes combinações de armas, explorando as diversas possibilidades e aprendendo quais são mais eficazes contra cada tipo de inimigo, subchefe e chefe. Essa proposta garante boas horas de repetição, embora a experiência possa ser ainda mais divertida ao lado de outra pessoa.
A mecânica de recarga de armas é, claramente, o ponto mais frustrante da experiência. Enquanto algumas armas recarregam rapidamente outras levam tempo demais, interrompendo o ritmo da ação. Dependendo do conjunto de armas equipado, a jogabilidade pode se tornar truncada por conta dessa limitação intencional.
Um exemplo comum ocorre com armas de alto alcance e dano, como rifles de precisão, que exigem vários segundos de recarga antes de poderem ser usadas novamente. Se, por um lado, isso adiciona uma camada estratégica à escolha do arsenal, incentivando o uso de armas com munição mais acessível e maior agilidade, por outro acaba se tornando um obstáculo, especialmente em momentos de caos na tela, quando há muitos inimigos simultaneamente e o que temos à disposição são armas que levam “anos” para recarregar.
De modo geral, Ghetto Zombies: Graffiti Squad é uma obra que esbanja criatividade e oferece uma dose sólida de diversão, sendo que essa poderia ser ainda maior com a inclusão de um modo cooperativo. A ambientação é charmosa e carismática, trazendo de forma sutil mas eficaz elementos da brasilidade nos cenários e nas falas dos personagens. Um belo pontapé inicial para os games brasileiros no cenário indie em 2026.
Toma essa, zumbizeira!
Ghetto Zombies: Graffiti Squad é uma experiência carismática e criativa dentro do cenário indie brasileiro, combinando ação em ritmo acelerado com uma proposta visual e temática que dialoga bem com a nostalgia dos jogos 16-bit. A ideia de avançar pela cidade enquanto se combate zumbis e se grafita muros dá identidade própria ao jogo, e ela é reforçada por personagens carismáticos, bom humor e referências sutis à cultura brasileira.
Apesar disso, algumas escolhas de design acabam limitando o potencial da experiência. A ausência de um modo cooperativo pesa negativamente em um jogo que claramente se beneficiaria da jogabilidade compartilhada, enquanto a mecânica de recarga de certas armas pode quebrar o ritmo da ação em momentos mais intensos. Ainda assim, o título entrega diversão consistente, variedade de armas e um sistema de progressão que incentiva a experimentação e a rejogabilidade.
Em conclusão, Ghetto Zombies: Graffiti Squad é um jogo competente, com identidade própria e boas ideias, que funciona como um ótimo cartão de visitas da Fogo Games e da qualidade do cenário indie brasileiro em 2026. Ajustes e expansões em futuras atualizações, se vierem, podem tornar a fórmula melhor e conquistar um público maior.
Prós
- Direção artística charmosa e identidade visual marcante;
- Inspiração nostálgica bem aplicada a um top-down shooter moderno;
- Grande variedade de armas, incluindo opções criativas e inusitadas;
- Ambientação com brasilidade, reforçando os valores de um jogo produzido no Brasil;
- Boa rejogabilidade ao experimentar diferentes heróis e loadouts.
Contras
- Ausência de modo cooperativo, mesmo que esse fosse local, diminui o valor da experiência;
- Mecânica de recarga de algumas armas quebra o ritmo da ação;
- Campanha curta, com foco quase exclusivo na repetição;
- Pouca variedade estrutural nas missões ao longo dos capítulos.
Ghetto Zombies: Graffiti Squad — PC — Nota: 7.0
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nuntius Games










