10 jogos mais aguardados para além de 2026

Projetos que merecem estar no radar, ainda que distantes no horizonte.

em 23/01/2026

O desenvolvimento de jogos sempre foi um processo demorado, mas, com o passar dos anos, a distância entre anúncios e lançamentos parece apenas aumentar. Isso soa irônico à primeira vista, já que o avanço tecnológico sugere processos mais ágeis, quando, na prática, ocorre o oposto: quanto mais poderosas as ferramentas, maior a complexidade, a ambição e o desejo de impressionar.


Esta lista reúne jogos que estão além do horizonte de 2026: projetos pensados para preencher a segunda metade da década e que, mesmo ainda distantes, já despertam atenção suficiente para justificar expectativa. Apenas títulos com anúncio formal entram aqui; promessas eternas e lendas urbanas, como Beyond Good & Evil 2, Mass Effect ou Star Citizen: Squadron 42, ficaram de fora.

10. OD – Knock

A parceria entre Hideo Kojima e a Microsoft já seria suficiente para chamar atenção, mas OD – Knock vai além disso. Trata-se de um projeto de terror liderado por um dos criadores mais excêntricos da indústria, retomando ideias que remontam à frustrada tentativa de Silent Hills.

O trailer sugere um jogo esotérico, experimental e fortemente autoral. Como é típico de Kojima, ainda é difícil definir exatamente o que ele será, mas a sensação é de mais uma tentativa de expandir os limites do que se entende como narrativa e interação nos videogames.

9. Mega Man: Dual Override

Anunciado com grande destaque durante o The Game Awards 2025, Mega Man: Dual Override marca o retorno do mascote azul da Capcom, com lançamento previsto para 2027. Após anos de hiato, a expectativa é que a franquia volte com uma proposta que respeite seu legado, sem ignorar as exigências modernas.

O simples fato de a Capcom reposicionar Mega Man como um projeto de médio a grande porte já indica não apenas confiança, mas também uma tentativa clara de devolver ao personagem o protagonismo que ajudou a construir a identidade da empresa.

8. Divinity

Depois de redefinir o gênero com Baldur’s Gate 3, a Larian Studios retorna à sua própria franquia. Divinity carrega expectativas altas não apenas pela qualidade técnica do estúdio, mas também pela maturidade criativa que ele atingiu.

A promessa é de mais um RPG profundo, reativo e envolvente, com sistemas que respeitam a inteligência do jogador. O desafio, agora, não é provar competência, mas repetir um feito histórico sem cair na própria sombra.

7. Star Wars Eclipse

Entre tantos projetos ambientados no universo Star Wars, Eclipse se destaca justamente por quem está por trás dele. Desenvolvido pela Quantic Dream, o jogo desperta curiosidade pelo histórico narrativo do estúdio e pela assinatura de David Cage, conhecido por histórias que fogem do óbvio — para o bem e para o mal.

A escolha de abandonar o formato tradicional de escolhas narrativas, para explorar um RPG mais amplo, representa um salto de ambição que pode elevar o estúdio — ou expor seus limites. É um risco claro, mas sobretudo o projeto mais intrigante do catálogo futuro da franquia.

6. The Witcher 4

Após o lançamento conturbado de Cyberpunk 2077, a CD Projekt RED passou anos reconstruindo sua imagem por meio de atualizações consistentes e transparência. The Witcher 4 surge como o verdadeiro teste dessa redenção.

Ainda que o marketing inicial já levante sobrancelhas — como a divulgação prematura de demonstrações técnicas —, há tempo de sobra até o lançamento. Com Ciri assumindo o protagonismo, resta saber se o estúdio conseguirá entregar uma sequência à altura de um dos jogos mais importantes da década passada.

5. Coven of the Chicken Foot

Novo projeto de Bruce Straley, um dos principais nomes por trás de Uncharted 2: Among Thieves e The Last of Us, Coven of the Chicken Foot aposta em uma visão artística autoral. Inspirado em obras de Fumito Ueda, especialmente ICO, o jogo propõe uma experiência mais contemplativa e fora dos padrões tradicionais.

Assumir o papel de uma idosa com pés de galinha, em uma jornada intrigante, já sinaliza um desejo claro de fugir do óbvio e, se executado com sensibilidade, pode se tornar uma das experiências mais singulares de sua geração.

4. Okami Sequel

Quando anunciado, o retorno de Okami soou quase inacreditável. Lançado em 2006, o jogo original permanece até hoje, como uma obra singular, não apenas pela sua identidade visual inspirada na pintura sumi-ê, mas pela sua rara elegância de seu gameplay.

Poucos jogos envelheceram com tamanha dignidade: suas mecânicas, ritmo e direção artística continuam relevantes duas décadas depois, o que torna o anúncio de uma sequência tão empolgante quanto delicada.

Uma continuação carrega o desafio de expandir esse universo sem descaracterizá-lo, respeitando o legado artístico, sem cair na repetição ou na diluição estética. Se conseguir equilibrar inovação e reverência, a sequência de Okami tem potencial não apenas para reviver uma franquia cult, mas também para reafirmar o valor da autoria artística em uma indústria cada vez mais padronizada.

3. Intergalactic: The Heretic Prophet

O próximo projeto original da Naughty Dog chega cercado por expectativas gigantescas. Trata-se do primeiro jogo original do estúdio na geração PlayStation 5, após o prolífico The Last of Us Part II, em 2020, e o cancelamento conturbado de Factions. 

Com recursos praticamente ilimitados, Intergalactic representa um ponto de inflexão não apenas para o estúdio, bem como para a própria PlayStation. O peso do passado é grande, e a cobrança será proporcional.

2. Physint

Physint nasce em um momento de reflexão pública de Hideo Kojima sobre legado, mortalidade e criação artística. Após décadas moldando a linguagem dos videogames, o criador parece cada vez mais consciente da finitude de sua obra.

Descrito como um retorno ao gênero que o consagrou, o projeto soa como a realização de um desejo antigo: trabalhar com a linguagem cinematográfica em sua forma mais pura, agora com os recursos e a estrutura dos estúdios da Sony à sua disposição. Mais do que um novo jogo, Physint carrega a ambição de ser uma síntese de carreira.

1. Project: Robot

O novo projeto de Fumito Ueda ainda não possui título definitivo, mas isso é irrelevante diante de quem está por trás dele. O retorno do criador de ICO, Shadow of the Colossus e The Last Guardian é, por si só, um evento raro em uma indústria cada vez mais acelerada e barulhenta.

Ueda sempre trabalhou na contramão das tendências, apostando em silêncio, escala emocional e relações minimalistas entre jogador e mundo. Em um cenário em que jogos se tornam cada vez mais explicativos e verborrágicos, Project: Robot surge como a promessa de uma experiência que confia novamente na interpretação, no espaço vazio e na contemplação.

À medida que os ciclos de desenvolvimento se alongam e os autores que redefiniram os videogames produzem com menor frequência, cada novo projeto carrega um peso quase histórico. Project: Robot sugere a possibilidade de mais uma obra atemporal em uma indústria obcecada pelo imediato.

Revisão: Mariana Marçal
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Matheus Oliveira
Entusiasta de games e cinema, sempre explorando novos gêneros e estilos enquanto acumula um backlog infinito. X e Instagram
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