Em 2025, minha missão no começo do ano era limpar o máximo possível do backlog antes da chegada de GTA VI. Para isso, até deixei de jogar um certo MOBA diariamente e foquei completamente em experiências single-player. Apesar de o jogo da Rockstar ter sido adiado múltiplas vezes e parecer cada vez mais distante, segui com o plano.
Com minha entrada no GameBlast, também tive acesso a lançamentos que, em outras circunstâncias, provavelmente não teria conseguido. O resultado foi um ano especialmente rico em quantidade e de experiências variadas. A seguir, estão meus jogos favoritos lançados em 2025, listados em ordem alfabética.
Battlefield 6
Das grandes publicadoras, a EA é, para mim, a mais contraditória. A empresa abriga algumas das minhas franquias favoritas, mas o tratamento dado a elas, especialmente Mass Effect, frequentemente me causa frustração. Isso torna ainda mais curioso ver a mesma EA acertar em cheio em outros momentos, como aconteceu com It Takes Two, que inclusive levou o prêmio de Jogo do Ano.
Por isso, minha surpresa foi genuína quando Battlefield 6 foi anunciado e ficou claro que era exatamente o que eu queria da franquia. O foco em guerra total, sem exageros e “loucuras”, o retorno de uma campanha robusta e os altos valores de produção mostravam um esforço visível, vindo de um time que parecia realmente acreditar no legado da série.
O resultado foi o multiplayer militar mais divertido que joguei (e ainda jogo) desde o auge de Warzone durante a pandemia. O modo Ruptura, em especial, tornou-se meu modo conforto e, na minha opinião, o grande destaque do jogo. Essa empolgação rendeu um guia de troféus, no qual guardo especial satisfação pelo resultado final alcançado.
Borderlands 4
Lembro bem da ansiedade antes do anúncio de Borderlands 3. Eu temia que a franquia fosse transformada em algo mais próximo de Destiny, focado em retenção constante de jogadores. Isso me deixava nervoso, porque sempre acreditei que Borderlands possui a melhor fórmula de looter shooter do mercado.
Quando Borderlands 3 chegou, veio junto um enorme alívio. A essência estava intacta, com evoluções claras que empurraram a fórmula ao limite. Com o anúncio do quarto título, no entanto, a sensação foi diferente. Como mencionei em minha análise, uma mudança real se fazia necessária para garantir a longevidade da franquia.
A inovação veio na forma de um mundo aberto que potencializa tudo o que a série faz de melhor. Kairos, o novo planeta, rapidamente se torna um playground de caos e diversão, onde o jogo encontra espaço para manifestar a verdadeira essência da saga.
Borderlands 4 reapresenta a fórmula em seu estado mais refinado, mas também mais ambicioso. É barulhento, exagerado, recompensador e absurdamente divertido. Não vejo a hora de encontrar tempo para revisitar o jogo com calma e buscar a platina.
Death Stranding 2: On the Beach
Death Stranding é um jogo especial para mim, então deixei para jogar a sequência em um momento em que sabia que poderia me dedicar de verdade. Comecei em dezembro e, mesmo após mais de 55 horas, ainda não finalizei a campanha (estou no capítulo 8).
O loop de gameplay continua me fisgando de uma forma difícil de explicar. A satisfação de cada entrega e o prazer da preparação para cada jornada continuam enormes. Aqui, ir do ponto A ao ponto B nunca é trivial. Não se trata de acelerar até o destino; o caminho em si é a experiência.
A evolução do metagame segue sendo um dos aspectos mais brilhantes da obra. Cada ação realizada no mundo não beneficia apenas o jogador, mas também deixa marcas que facilitam a jornada de outros. Essa sensação de cooperação indireta já era genial em 2019 e, em 2025, continua funcionando de forma quase perfeita. É uma fórmula que parece feita sob medida para mim.
Jurassic World Evolution 3
Jurassic Park é meu filme favorito e o que mais assisti na vida, então sempre tenho carinho especial por jogos que trazem dinossauros para os videogames. Ainda assim, subestimei o quanto Jurassic World Evolution 3 me conquistaria.
A dimensão da diversão e o nível de vício que o jogo proporcionou me surpreenderam constantemente. Não uso a palavra “mágico” levianamente, mas criar dinossauros, observar seus comportamentos e montar meus próprios parques foi exatamente isso.
Jurassic World Evolution 3 é um título necessário para quem gosta de dinossauros e de jogos de gerenciamento. Ele entende sua fantasia central e a executa com segurança, sem tentar reinventar a roda, mas refinando tudo o que a série já fazia bem. É um daqueles jogos que você liga “só para dar uma olhada” e, quando percebe, perdeu horas ajustando detalhes do parque.
Silly Polly Beast
Silly Polly Beast é um indie purista: feito por um único desenvolvedor e publicado por uma publisher sem capital bilionário. Ele é imperfeito, mas deixa uma marca difícil de apagar.
A construção artística é a mais singular do ano, misturando ângulos de câmera e gêneros de forma ousada, amplificando a narrativa mais brutal de 2025 — e isso vindo de alguém que também analisou HORSES, um jogo literalmente banido de grandes plataformas digitais por conta de seu conteúdo narrativo.
O jogo irrita em alguns momentos, especialmente quando suas ideias ambiciosas esbarram em limitações de execução. Ainda assim, essa fricção faz parte da experiência. Silly Polly Beast impressiona, incomoda, cativa e permanece na memória justamente por não tentar agradar o tempo todo. É um daqueles jogos que não se esquecem facilmente, mesmo com suas falhas aparentes.
Backlog
No primeiro semestre, tive mais oportunidades de avançar no meu imenso backlog. Joguei títulos incríveis como Horizon Forbidden West, Resident Evil Village e Metal Gear Solid 3: Snake Eater, mas quero destacar três experiências que não recebem tanto destaque online.
Rise of the Ronin
A entrada da Team Ninja no mundo aberto trouxe seu combate brutal para um escopo maior, retratando um dos períodos mais confusos e fascinantes do Japão, criando um jogo que reflete esse mesmo caos histórico.
Mesmo seguindo algumas cartilhas tradicionais dos mundos abertos, o foco aqui é claramente a diversão. Em Rise of the Ronin, eu simplesmente não conseguia deixar passar nenhuma oportunidade de cair na porrada. O combate é um dos mais satisfatórios dos últimos anos, recompensando agressividade, leitura de inimigos e domínio das mecânicas. Com mais de 95 horas, tornou-se um dos meus favoritos da geração, mesmo com suas arestas.
Road 96
Confesso que comecei Road 96 achando que seria apenas uma platina rápida. Um erro grave. Logo nos primeiros momentos, percebi que estava diante de uma jornada única.
Raramente um jogo acerta tantos aspectos do meu gosto pessoal ao mesmo tempo. A estrutura, combinada com personagens recorrentes e escolhas que ecoam de maneiras inesperadas, cria uma sensação constante de movimento e descoberta. Não se trata apenas de chegar ao destino, mas de tudo que acontece no caminho: encontros, diálogos, pequenas decisões e momentos silenciosos que dizem mais do que longos monólogos.
Na minha opinião, Road 96 se posiciona como uma experiência obrigatória para quem gosta de jogos narrativos.
The Last Guardian
Shadow of the Colossus é uma das experiências definitivas da minha vida. Não digo isso com leveza: o jogo foi um dos pilares que ajudaram a moldar a paixão por videogames que carrego até hoje. Talvez por isso eu tenha adiado tanto The Last Guardian, esperando o momento certo para jogá-lo.
Era difícil imaginar como esse jogo conseguiria carregar o peso de seu predecessor, e eu queria jogá-lo em um momento tranquilo, no qual pudesse absorver tudo o que ele tivesse a oferecer, sem pressa ou distrações.
Felizmente, o resultado superou qualquer receio. Não tenho muito a acrescentar além de dizer que é um dos melhores jogos que já joguei. Rodando de forma fluida no PlayStation 5, a experiência ecoou em mim de maneira profunda e inesperada.
Como alguém que ainda carrega a dor de perder um animal de estimação, ver Trico ganhar vida na tela foi algo especialmente tocante. Não apenas pelo visual, mas pelos trejeitos, pelos olhares, pela forma como o jogo constrói uma criatura que parece viva, com vontade própria, medos e hesitações. Poucos jogos conseguem criar esse nível de verossimilhança emocional.
Trico não obedece imediatamente, erra, demora, ignora comandos, porém, ao longo da jornada, conforme o vínculo entre os personagens se fortalece, suas respostas se tornam mais rápidas e confiáveis. É um crescimento orgânico, que acontece tanto para o jogador quanto para a criatura.
O resultado é uma experiência épica, sensível e que exige paciência. The Last Guardian não é apenas um jogo sobre resolver puzzles ou avançar cenários, mas sobre construir confiança. E quando isso finalmente acontece, o impacto é difícil de descrever.
Expectativa 2026
Não tem muito para onde fugir, 2026 é o ano de GTA VI. Mas reduzir o próximo ano a isso seria injusto. Vivemos um momento em que a indústria não sofre de escassez, mas de excesso.
Títulos como Nioh 3, Resident Evil Requiem, About Fishing e Tides of Tomorrow mostram que há espaço para todo tipo de experiência. Se alguém olha para 2026 e diz que não há o que jogar, talvez o problema não esteja nos jogos, mas na forma como se relaciona com a mídia. Nunca houve tantas opções, tantos caminhos e tantas experiências distintas disputando nossa atenção.
Se 2025 foi o ano de limpar o backlog e focar em experiências single-player, para 2026 almejo revisitar mais meu PS3 e jogar sem pressa tudo o que a indústria oferecer, principalmente do título vindo da Rockstar.
Revisão: Vitor Tibério












