Billy Blaze é um gênio de oito anos de idade. Usando apenas sucata e objetos domésticos, construiu uma nave espacial com a qual foi explorar Marte enquanto seus pais estavam fora de casa. Após isso, alienígenas chamados Vorticons roubam as peças de sua nave, deixando-o preso no planeta vermelho. O que os extraterrestres não sabiam é que o garoto se transforma no incrível Commander Keen ao vestir o capacete de futebol americano do seu irmão. É assim que começa Commander Keen in Invasion of the Vorticons, o primeiro jogo da id Software, que depois viria a deixar sua marca na história dos videogames com Wolfenstein e Doom.
No vizinho vermelho, um início menos difícil
O jogo do MS-DOS é dividido em três episódios, todos compostos de um mapa geral cada nos quais se encontram fases de plataforma 2D. No primeiro capítulo, Marooned on Mars (Naufragado em Marte, em tradução livre), Commander Keen desbrava o nosso vizinho vermelho em busca das quatro partes roubadas de sua nave espacial, necessárias para voltar ao lar antes do retorno de seus pais. Munido de sua pistola de raios e de um pula-pula que pode ser encontrado no planeta, o jovem protagonista deve desviar de obstáculos letais e combater inimigos perigosos ao longo das fases, que podem ser opcionais ou obrigatórias.
O nível de desafio aumenta conforme o episódio progride, mas não chega a ser muito difícil recuperar as peças. Vale destacar que desde esse início já é possível perceber a criatividade aplicada pelos desenvolvedores: as ideias por trás de cada fase são tão imaginativas quanto a ambientação, de forma que o jogo nunca transmite a sensação de ser repetitivo. Com isso, o primeiro dos três capítulos possui um ritmo atrativo e bem-construído, imergindo o jogador no fluxo de gameplay.
Na nave mãe dos invasores, uma ampla gama de opções
Ao retornar ao lar, Commander Keen repara que a nave mãe dos Vorticons está próxima da Terra. Após seus pais irem dormir, nosso herói decide retornar ao espaço para invadir tal imensa nave e frustrar os planos dos alienígenas. Eis a premissa do segundo episódio, The Earth Explodes (A Terra Explode, em tradução livre). Nele, exploramos a ampla espaçonave Vorticon, na qual é possível abordar as fases em praticamente qualquer ordem.
Tal não-linearidade poderia dificultar a construção de um bom ritmo como o do primeiro episódio, se não viesse acompanhada de outra mudança significativa: o nível de dificuldade é elevado, inclusive nas fases obrigatórias. Dessa forma, se uma fase causa frustração por repetidos fracassos, é possível simplesmente optar por aventurar-se em outra parte do jogo. Assim, pode até haver alguma sensação de frustração, mas ela não tende a ser acumulada ou duradoura. Some-se isso a maior variedade de desafios e possibilidades no caminho de Commander Keen, e tem-se uma jornada ainda mais criativa e imaginativa.
No mundo natal dos alienígenas, ainda mais variedade
Durante o segundo episódio, encontramos um ancião Vorticon que trás consigo uma reviravolta na história: ele revela que os alienígenas estão sobre o controle mental do Grande Intelecto, e na verdade não querem machucar Commander Keen. Assim, implora para que nosso herói não mate seus companheiros de espécie. É com esse conhecimento que chegamos ao último capítulo, Keen Must Die! (Keen Tem que Morrer!, em tradução livre). Aqui, o jovem gênio parte para o planeta natal dos Vorticons para derrotar o Grande Intelecto, libertar os alienígenas e salvar a galáxia.
O que se destaca no último episódio é o ainda maior grau de variedade das fases. Entre residências, montanhas e castelos, Commander Keen enfrenta uma ampla gama de obstáculos ao seu sucesso, em uma aventura ainda mais desafiadora que o capítulo anterior. Cabe uma reflexão sobre a origem de tamanha criatividade. Mesmo com tanta variedade, o jogo ainda é marcadamente simples: seja pelas limitações técnicas da época ou por escolhas dos desenvolvedores, a trilogia de episódios não é muito rebuscada de pontos de vista técnicos ou artísticos (na verdade, sequer possui trilha sonora musical, o maior defeito do jogo). Mesmo assim, ou devido a isso, todas as fases são únicas e imaginativas. Com labirintos, saltos precisos e inimigos letais, a simplicidade de Commander Keen in Invasion of the Vorticons gera a sua criatividade.
No final das contas, a simples imaginação
É possível fazer um paralelo entre o próprio Billy Blaze e a id Software: a simplicidade do contexto da criança produziu uma imensa inventividade, enquanto a simplicidade do empreendimento chamado Commander Keen da id Software gerou sua gigante criatividade. É por toda essa imaginação que Commander Keen in Invasion of the Vorticons merece ser lembrado ao lado de obras como Doom e Wolfenstein na rica história do estúdio.





