Análise: Neon Inferno traz ação arcade explosiva em um mundo cyberpunk de luzes neon

Alterne entre planos e atire em tudo que aparece pela frente neste intenso, porém brevíssimo, título indie.

em 19/11/2025

Neon Inferno é um shooter 2D ágil que mistura ação frenética, tiroteios constantes e um visual pixel art vibrante em um mundo cyberpunk. É o tipo de jogo que nos joga direto no caos: disparos para todos os lados, inimigos surgindo em múltiplas camadas do cenário e chefes gigantescos que ocupam a tela inteira. Apesar de entregar uma experiência arcade competente e direta ao ponto, o título não chega a ser particularmente memorável.

Fagulhas e intrigas banhadas em luz neon

Nova York em 2055 se tornou uma metrópole distópica, palco de disputas entre diferentes facções. Na pele de Angelo Morano e Mariana Vitti, os melhores assassinos da organização criminosa chamada Família, o objetivo é simples: eliminar os rivais e dominar a cidade. Para isso, a dupla participa de inúmeras missões perigosas contra outros grupos e até mesmo a polícia — qualquer um pode ser um alvo.


No controle de um dos protagonistas, temos uma ação 2D focada em reflexos rápidos e leitura imediata do caos. Um dos diferenciais é que, além de atirar em inimigos no plano frontal, é possível mirar e disparar contra o fundo dos cenários a qualquer momento, o que cria um fluxo constante de alternância entre duas camadas de perigo. Outro ponto interessante é a habilidade de rebater balas com um bastão: ao segurar o botão, é possível direcionar a trajetória do projétil devolvido, trazendo um aspecto tático aos tiroteios.

A progressão é direta e linear, sem enrolações. Cada estágio leva ao próximo sem pausas, mantendo o ritmo rápido, mas entre as missões há uma pequena loja que permite comprar itens úteis. Escudos, armas com maior cadência de tiro ou recursos que facilitam a sobrevivência ajudam a ajustar a estratégia. Nada muito profundo, mas suficiente para criar um senso de avanço e oferecer pequenas opções de personalização.



Intenso fogo cruzado em dois planos de ação

Neon Inferno entrega um run and gun acelerado, extremamente baseado em reflexos e tempo de reação. As mecânicas são simples de entender, mas exigem precisão para lidar com inimigos que aparecem de repente enquanto você pula buracos, esquiva de ataques e tenta manter o fluxo constante de disparos. O ritmo é sempre alto, e o jogo não hesita em te desafiar constantemente.


Atirar no fundo do cenário é uma das mecânicas mais intuitivas do jogo: basta segurar um botão para alternar o foco e disparar. Mas, nos momentos mais intensos, essa alternância vira quase um malabarismo — dividir sua atenção entre os dois planos é essencial para sobreviver, especialmente quando hordas vêm da frente enquanto helicópteros, drones e máquinas atacam do fundo. Essa dinâmica dá identidade ao jogo e deixa a experiência mais tensa e estratégica do que parece à primeira vista.

Os estágios variam bastante e combinam tiroteio puro com pequenas seções de plataforma. Em alguns momentos, enfrentamos máquinas gigantes que ocupam quase toda a tela; em outros, helicópteros nos perseguem no fundo, obrigando-nos a usar pontos de cobertura para não sermos atingidos. Há trechos em que pilotamos motos ou jet-skis, além das tradicionais partes de pular, se pendurar em barras e navegar por estruturas industriais. Os chefes são um dos pontos altos: têm múltiplas fases, padrões de ataque complexos e até toques de bullet hell, mantendo a adrenalina sempre alta.



Uma aventura arcade até demais

A experiência é curta: é perfeitamente possível concluir o jogo em cerca de uma hora. Conquistas, desafios extras e a busca por classificações melhores em cada estágio podem aumentar essa duração, mas, de modo geral, isso vai interessar mais aos jogadores hardcore que gostam de repetir níveis até aperfeiçoar suas pontuações.


A dificuldade é moderada, com checkpoints relativamente espaçados e a impossibilidade de recuperar vida durante as fases. Isso cria um contraste delicado: o jogo exige precisão e, ao mesmo tempo, pune fortemente erros pequenos. Como muitos inimigos e perigos aparecem de surpresa, algumas partes acabam dependendo mais de tentativa e erro do que de pura habilidade. Memorizar o que vem pela frente se torna quase obrigatório, especialmente nas lutas contra chefes.

Outro problema recorrente é a leitura de profundidade. Às vezes fica difícil identificar se o inimigo está no plano frontal ou no fundo da tela — e, como a ação é rápida, essa incerteza causa situações frustrantes. A escala diferenciada dos sprites nem sempre é suficiente para indicar claramente a distância, e, em um jogo que exige decisões em frações de segundo, isso pesa.



A beleza de uma NY distópica

Visualmente, Neon Inferno impressiona com sua pixel art retrô de alta qualidade, reforçada pelo uso constante de cores neon que iluminam ruas decadentes, máquinas gigantescas e arranha-céus sombrios. Cada cenário transmite um pedacinho diferente desse universo, alternando ruas sujas, instalações industriais, áreas abandonadas e espaços futuristas repletos de letreiros. As cenas de corte, bem animadas e estilizadas, ajudam a reforçar a identidade visual.

A trilha sonora, fortemente inspirada em synthwave, completa o pacote estético e impulsiona a ação. Os beats eletrônicos combinam perfeitamente com o clima cyberpunk, mantendo sempre a sensação de urgência. É uma trilha que casa com a proposta: não rouba a atenção, mas cria o ambiente ideal para explodir robôs enquanto mergulhamos na luz neon.


Tiroteio breve e intenso

Neon Inferno entrega exatamente o que promete: ação rápida, visual estiloso e uma jogabilidade que mistura tiroteios intensos com momentos pontuais de estratégia, graças à alternância entre planos e ao rebater de projéteis. Seus chefes são marcantes, a variedade de situações mantém o ritmo sempre interessante e a ambientação cyberpunk dá o charme final.

Ainda assim, é uma experiência curta e simples, que se destaca mais pela intensidade estilosa do que pela profundidade. Como uma sessão arcade moderna, funciona muito bem, proporcionando uma hora de diversão frenética. Mesmo sem ser memorável, é o tipo de jogo que faz valer o tempo investido — rápido, direto e cheio de personalidade.

Prós

  • Experiência de tiro 2D intensa com mecânicas interessantes, como alternar planos e rebater projéteis;
  • Boa variedade de situações pelos estágios;
  • Ambientação cyberpunk ímpar com pixel art banhada em luz neon e música synthwave.

Contras

  • Muita presença de memorização e tentativa e erro;
  • Falta clareza para distinguir inimigos no fundo do cenário em alguns pontos;
  • Quantidade de conteúdo limitada.
Neon Inferno — PC/PS4/PS5/XBO/XSX/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela Retroware
OpenCritic
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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