Mega Drive: os melhores jogos de navinha do console

Vamos relembrar alguns dos shmups mais interessantes da plataforma.

em 29/11/2025
Um dos gêneros que mais evoluíram durante a era 16-bits foi o shoot ’em up — ou, como gostamos de chamar por aqui, “jogo de navinha”. Graças ao avanço técnico dos consoles, o estilo ganhou visuais mais detalhados e com múltiplas camadas de profundidade, trilhas sonoras mais elaboradas, além de jogabilidade mais complexa e refinada.


O Mega Drive, em especial, tornou-se um verdadeiro celeiro de ótimos shmups, fossem eles desenvolvidos diretamente para o console ou adaptados dos fliperamas. Montar uma lista definitiva é tarefa complicada, mas reunimos aqui dez títulos que merecem destaque dentro da vasta biblioteca do sistema.

10 – Aero Blasters (Kaneko, 1990)

Port fiel de um arcade da Kaneko, Aero Blasters (ou Air Busters, dependendo da região) chama atenção pelo visual colorido e detalhado, sem economizar no tamanho dos sprites inimigos. A trilha sonora também impressiona logo de início, trazendo um dos melhores temas de primeira fase dentro do gênero.

A mecânica de armas gira em torno da possibilidade de carregar os disparos. O jogador pode coletar mais de seis tipos diferentes de projéteis, apresentados em cápsulas que oferecem todas as opções para escolha. Embora a variedade seja elogiável, Aero Blasters peca ao não tornar todas igualmente úteis — não é raro encontrar um tiro favorito e permanecer com ele ao longo de toda a partida.

9 – Gaiares (Telenet Japan, 1990)

Infame por sua dificuldade brutal, Gaiares é um dos grandes destaques da saudosa Telenet/Renovation. A nave do jogador conta com o apoio de um pequeno satélite capaz de copiar os tiros dos inimigos. Mesmo que o sistema se limite a tipos de projéteis, e não à arma completa, experimentar novas possibilidades a cada partida continua sendo parte do charme.

A apresentação, porém, é o que realmente faz Gaiares brilhar. A narrativa é contada por meio de belas ilustrações em estilo anime; os estágios exibem cenários de escala impressionante; e os chefes, gigantescos e estilosos, reforçam a sensação de espetáculo. A trilha sonora também não fica atrás — até o tema do mapa se destaca pela qualidade.

O que pesa contra o jogo é a própria dificuldade, que por vezes beira o injusto. O cenário costuma ser o maior inimigo, punindo severamente qualquer erro. Além disso, o clássico problema de perder todos os equipamentos coletados ao morrer torna o desafio ainda mais frustrante.

8 – Super Fantasy Zone (Sunsoft, 1992)

Apesar de ser uma franquia da Sega, Super Fantasy Zone foi desenvolvido pela Sunsoft — e acabou se tornando uma das aventuras mais divertidas do carismático Opa-Opa. Mesmo sendo um título inédito, o objetivo aqui foi claramente recriar o espírito do primeiro Fantasy Zone no Mega Drive, e o resultado é adorável.

O estilo artístico colorido e vibrante foi reproduzido com maestria, mesmo diante da paleta limitada do console, enquanto as melodias, viciantes como sempre, adotam um toque inesperado de bossa nova e samba. A jogabilidade segue a fórmula clássica da série: destruir bases, coletar moedas para gastar na loja de armas e finalizar cada fase com um chefe maluco.

Ainda que não traga grandes inovações para a franquia, Super Fantasy Zone se destaca como uma das experiências mais carismáticas e bem executadas do gênero no Mega Drive.

7 – Battle Mania: Daiginjō (Vic Tokai, 1993)

Continuação de Battle Mania que acabou permanecendo exclusiva do Japão, Battle Mania: Daiginjō representa uma evolução clara em relação ao seu antecessor. Aqui, controlamos duas garotas altamente equipadas para enfrentar um império inteiro — um diferencial imediato dentro do gênero, já que não pilotamos naves tradicionais, mas sim protagonistas usando jetpacks e atuando em dupla.

A Vic Tokai não economizou nos truques de perspectiva: os cenários exibem fundos repletos de camadas de parallax e uma quantidade impressionante de detalhes que enriquecem o mundo e dão vida às fases. Somado a isso, a trilha sonora aposta em um "metal sujo" característico do Mega Drive, reforçando a personalidade do jogo. O resultado é um dos títulos mais singulares e estilizados de todo o catálogo do console.

6 – Advanced Busterhawk Gley Lancer (NCS, 1992)

Também ficando exclusivo ao Japão por vários anos, Gley Lancer é extremamente competente em tudo que faz. Cenários com profundidade, level design justo, história surpreendentemente detalhada e com direito a ilustrações, bons chefes, e claro, uma trilha sonora de arrepiar.

A mecânica principal de Gley Lancer está nos dois drones que podemos coletar, que proporcionam tiros diferentes. Antes de começar a campanha, devemos escolher a forma de agir deles, como atirar na direção que movemos a nave, mirar automaticamente ou girar ao redor do jogador.

5 – Elemental Master (Technosoft, 1990)

O primeiro jogo da lendária Technosoft da lista, Elemental Master troca qualquer elemento de sci-fi por um mundo de fantasia, em que controlamos um mago a pé. Só essa premissa já torna o título bem diferente, dando mais ênfase nos perigos naturais de cada área como lava e montanhas.

Elemental Master é extremamente satisfatório quando deixamos o protagonista superpoderoso, varrendo todos pela tela com seus tiros amplos que podem ser carregados, podendo dispará-los para frente ou para trás livremente. Embora impiedoso, especialmente pelos chefes, dominar a jogabilidade é bastante divertido.

Como esperado pela Technosoft, o audiovisual do título é um grande destaque. Embora o visual seja um tanto sujo, ajuda na pegada medieval tradicional, tal qual a trilha sonora com uma instrumentação característica da desenvolvedora no início dos anos 1990.

4 – Sagaia/Darius II (Taito, 1990)

A Taito providenciou um port de Darius II para Mega Drive, chamado de Sagaia no Ocidente, com uma ótima adaptação, especialmente considerando que o original usava três telas para exibir a jogatina. No 16-bits, o visual permaneceu extremamente fiel, sem comprometer a jogabilidade com a proporção tradicional de tela.

Darius II se destaca pelo sistema de escolha de fases. Cada nível concluído abre possibilidades numa árvore de seleção de fases, incentivando novas jogatinas. Claro, nem todos os estágios são totalmente diferentes uns dos outros, mas a dificuldade de cada um é variável.

A jogabilidade de Sagaia envolve o clássico de pegar armas diferentes e melhorá-las quanto mais tempo permanecermos vivos, da maneira mais polida possível. Claro, a trilha sonora experimental e o estilo dos inimigos como seres marítimos mecânicos são a cereja do bolo em um título impecável.

3 – MUSHA (Compile, 1990)

A saudosa Compile entregou apenas um Aleste para Mega Drive, que se tornou um dos melhores — senão o melhor — da série. Em MUSHA trocamos uma espaçonave por um mecha altamente equipado, e devemos coletar armas elementais para dar cabo de inimigos e ambientes, que misturam-se ao sci-fi e ao feudalismo japonês.

MUSHA esbanja estilo e personalidade em todos os seus aspectos. Uma vasta seleção de ameaças para lidar, fundos que usam e abusam de parallax, chefes amedrontadores, uso de set pieces para contar a narrativa, e uma dificuldade que é acessível o suficiente para novatos e desafiante para aqueles que quiserem aumentar a dificuldade.

E como não podia deixar de ser, as músicas são um arraso! Metal estridente com todo o puro poder do YM2612, que embora possa soar estranho à primeira ouvida, combina perfeitamente com a ação. Pessoalmente, é meu shmup vertical favorito de todos os tempos.

2 – Thunder Force III (TechnoSoft, 1990)

Apesar de não ser o jogo de estreia da TechnoSoft no Mega Drive, Thunder Force III foi o primeiro da franquia feito sob medida para um console. Deixando totalmente a visão aérea dos antecessores em prol de uma rolagem horizontal, o controle da nave beira a perfeição.

Assim como MUSHA, é impressionante o que foi feito na parte gráfica ainda em 1990. Basta visitar o planeta Vênus e ver o fundo se distorcendo com o calor, ou a quinta fase em que percorremos uma gigantesca base inimiga e vamos destruindo-a pouco a pouco. A variedade de ambientes também merece seu destaque aqui.

Contudo, está na trilha a cola que liga toda a experiência. Não há uma faixa fraca, seja ela voltada para a pura adrenalina ou como algo melancólico e dramático, sempre muito elaborado. Thunder Force III é uma experiência quase impecável em todas as suas partes, e recomendo como porta de entrada para o gênero.

1 – Thunder Force IV (TechnoSoft, 1992)

Como melhorar algo que era tão polido? Aumentando mais a escala de tudo. Thunder Force IV beira o absurdo num console de 16-bits, com fases imensas, variedade de obstáculos e inimigos absurdos, chefes bem elaborados, e muito conteúdo no geral.

É facilmente um dos cinco jogos mais belos do Mega Drive, com um belíssimo trabalho de sprites, efeitos interessantes que completam o visual como um todo, com apenas uma consequência: a ocorrência de slowdowns. São muitos detalhes para o blast processing lidar, mas mesmo assim não chega a prejudicar a experiência.

Enquanto a jogabilidade foi mais expandida com mais armas e maior liberdade vertical, os temas musicais receberam uma direção levemente diferente. São empolgantes na medida certa, mas soam mais aventurescos e puxados tanto para o jazz quanto para o metal, com uma entrega técnica exemplar para o console.

Menção honrosa: Earthion (Ancient Corporation, 2025)

Um jovem clássico do sistema e encabeçado pelo lendário Yuzo Koshiro, Earthion só não entra de vez entre os melhores por ainda não ter sido lançado no Mega Drive em mídia física, mesmo que o título rode em um emulador em seu lançamento oficial.

Contudo, é uma aventura que merece total destaque. Um dos visuais mais bonitos dos 16-bits, trilha sonora matadora e uma mecânica bem interessante de level up. Se passarmos uma fase com uma cápsula de melhoria, podemos escolher entre aumentar a vida, o slot de armas ou outros bônus para a nave e carregar as adições para partidas futuras via password.

Mesmo não reinventando o gênero, Earthion faz tudo tão perfeitamente que acaba se destacando — é uma aventura gostosa e eletrizante de jogar, polida em todos os aspectos.

Uma extensa biblioteca

Numa biblioteca que conta com mais de 80 shoot ‘em ups, claro que a preferência varia de jogador para jogador. Sendo assim, quais jogos de navinha você considera essenciais no Mega Drive?

Revisão: Vítor Tibério
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Alecsander "Alec" Oliveira
Estudante de enfermagem de 25 anos, está nesse mundo dos joguinhos desde criança. Fã de games com vibe mais arcade e arqueólogo de velharias, mas não abandona experiências mais atuais. Acompanha a mídia de podcasts, dublagem e ouvinte assíduo de VGM. Pode ser encontrado como @AlecFull e semelhantes por aí.
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