Battlefield REDSEC chega como o esperado modo battle royale free-to-play para complementar a experiência de Battlefield 6, servindo também como porta de entrada para quem não possui o jogo base, mas quer experimentar parte de seu excelente pacote. É a segunda tentativa da EA de firmar o modo dentro da franquia, e desta vez ele nasce diretamente do ciclo de produção de BF6, um dos shooters mais consistentes da geração.
Battle royale fora de época
Em 2025, estamos muito além da febre do battle royale. A avalanche de lançamentos que marcou a última década deu lugar a um mercado consolidado, onde apenas os gigantes (Fortnite, Warzone, Apex Legends e PUBG) continuam relevantes. REDSEC tenta entrar nesse cenário tardio apoiado no que tem de mais valioso: o prestígio e a qualidade técnica de Battlefield 6.
E é justamente isso que lhe dá chance de sobreviver. O “pacote inicial” é forte e conta com visual impecável, tiroteios de altíssimo nível e toda a sofisticação técnica que o estúdio imprimiu no jogo base. Mesmo sendo gratuito, REDSEC soa como um produto triple A do início ao fim — o suficiente para valer a experimentação, especialmente para quem não tem acesso a Battlefield 6.
Mas junto da qualidade vem a monetização. A EA opta por um caminho conservador, com um battle pass unificado, válido tanto para REDSEC quanto para o jogo base, recheado de skins que, por enquanto, não destroem a fantasia militar. Nada agressivo, nada inventivo, apenas seguro.
Conforto da fórmula consagrada
A prudência da EA não aparece só na monetização. REDSEC também aposta no formato mais tradicional possível de battle royale. A estrutura é familiar em praticamente todos os aspectos: cair de paraquedas, procurar loot, eliminar inimigos, completar pequenas missões e sobreviver ao fechamento do círculo até restar apenas um jogador ou esquadrão. Não há qualquer tentativa de reinventar o gênero.
O diferencial real vem da identidade de Battlefield, que adiciona veículos, grande escala e destruição. Esses elementos dão vida ao combate e ajudam o modo a ter uma personalidade mínima dentro do que é essencialmente uma fórmula conhecida.
A experiência funciona porque tudo é executado com a qualidade técnica que se espera de um projeto ligado a Battlefield 6. Não surpreende, mas entrega um battle royale tradicional sustentado por tiroteios intensos e sistemas polidos.
Verticalidade e coerência
REDSEC não conta com a vantagem que Warzone teve ao lançar seu battle royale. Na época, a familiaridade com localidades clássicas de Call of Duty acelerava a adaptação dos jogadores ao mapa gigantesco. Aqui, a proposta é diferente. O cenário é completamente original, ainda que compartilhe elementos do recém-adicionado mapa Eastwood, presente no jogo base.
O resultado é um espaço vasto, variado e tecnicamente impressionante. A verticalidade é um dos pontos mais marcantes, contendo prédios altos que podem ser acessados com facilidade, abrindo oportunidades de flanco, rotas alternativas e confrontos em múltiplos níveis. A DICE aproveita o motor gráfico para criar um ambiente que parece vivo, construído com cuidado e coerente com a fantasia militar imposta pela Campanha.
A paleta de cores também merece destaque. Em vez de cair na monotonia cinza típica de cenários urbanos, o mapa mistura concreto com áreas abertas, vegetação e tons mais quentes que ajudam a destacar inimigos a média distância. Essa leitura clara do espaço torna o fluxo de combate menos frustrante e mais legível, especialmente em tiroteios com vários participantes.
Por fim, a parede de fogo funciona como o equivalente ao círculo clássico do gênero, mas aqui transmite uma sensação mais dramática. O efeito visual dá um peso maior à ameaça, e o fato de eliminar instantaneamente incentiva a movimentação constante, criando momentos de pânico genuíno. Mesmo avançando lentamente, é uma presença opressora que dita o ritmo da partida com eficiência.
REDSEC reduz parte da complexidade que acompanha os battle royales modernos, apostando em um conjunto de sistemas mais direto e acessível. A armadura funciona de modo semelhante ao de jogos concorrentes, mas com apenas dois slots disponíveis, o que simplifica decisões em meio ao combate. As missões, agora selecionadas diretamente no menu, evitam distrações durante a partida e garantem objetivos rápidos de executar.
O gerenciamento de inventário segue a mesma filosofia. Tudo é ágil e fácil de ler, ainda que o jogo ofereça uma boa variedade de gadgets para experimentar. É um equilíbrio sólido: menos burocracia, mais ação. O ritmo das batalhas reforça essa ideia. A qualidade do tiroteio é exatamente o que se espera da franquia, com armas responsivas e impactos satisfatórios.
O principal ponto que exige adaptação é o tempo para eliminar ou ser eliminado. A vida extra proporcionada pela armadura estende os duelos e pede um pouco mais de controle, consistência nos disparos e leitura de posição. Jogadores acostumados ao tempo para matar mais curto do jogo base podem estranhar no início, mas a lógica por trás dessa decisão funciona bem dentro da proposta do modo.
Falta de iconografia
REDSEC cumpre tudo o que promete. É um battle royale tecnicamente impecável, sustentado pelo orçamento alto e pelo refinamento de Battlefield 6. O problema é que ele se limita a isso. A competência é inegável, mas falta uma identidade capaz de diferenciá-lo dentro de um gênero onde os sobreviventes de longo prazo são definidos justamente por seus símbolos e particularidades.
Fortnite criou uma cultura de crossovers. PUBG eternizou o “Winner Winner Chicken Dinner”. Warzone estabeleceu o Gulag como ritual de segunda chance. São elementos que transcendem o jogo e se tornam parte da memória coletiva dos jogadores. Em REDSEC, nada ocupa esse espaço. A parede de fogo impressiona, mas já era esperada, herdada de Firestorm. A destruição é excelente, mas também é um traço tradicional da franquia. Tudo funciona, mas nada surpreende.
Essa ausência de um traço marcante pesa ainda mais em 2025, quando novos formatos como os shooters de extração começam a dividir o mesmo público. Esses jogos oferecem metas claras além da sobrevivência, com progressão entre partidas e tensão que não depende apenas do círculo se fechando. REDSEC, por outro lado, carece de uma meta progressão, permanecendo preso a um modelo conhecido e confortável. É sólido, mas não ousa, e isso limita seu espaço em um cenário cada vez mais competitivo.
O limite da segurança
Battlefield REDSEC não reinventa o battle royale e tampouco tenta fazer isso. Ele oferece uma experiência sólida e coerente, funcionando como porta de entrada para novos jogadores e como um complemento competente para quem já está no ecossistema da franquia. A falta de um elemento realmente marcante impede que ele se destaque no gênero, mas não compromete o que há de mais importante: partidas intensas, movimentação fluida e o espetáculo visual característico do estúdio.
No fim, é um modo seguro e bem executado, que se apoia na base extremamente forte de Battlefield 6. Por hora, pode não definir o futuro do gênero, mas cumpre seu papel ao ampliar o alcance do jogo e oferecer diversão imediata para quem busca algo gratuito e tecnicamente refinado.
Prós
- Qualidade técnica e audiovisual de alto nível, herdada diretamente de Battlefield 6;
- Mapa original, vertical e visualmente claro;
- Gratuito, permitindo que novos jogadores experimentem o ecossistema do novo titulo da série.
Contras
- Falta de identidade própria frente aos grandes do gênero;
- Poucas ideias novas e ausência de mecânicas marcantes;
- Carece de uma meta progressão além do passe de batalha.
Battlefield REDSEC - PS5/XSX/PC - Nota: 7.0Versão utilizada para análise: PlayStation 5
Revisão: Johnnie Brian
Análise feita com cópia digital cedida pela Electronic Arts (Battlefield 6)











