Análise: S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl é uma jornada fantástica que chega ao PlayStation 5 em sua melhor versão

O jogo chega ao PlayStation 5 na sua versão 1.7, trazendo inúmeras novidades como o retrabalho da estamina e as melhorias na IA dos inimigos.

em 25/11/2025
S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl
é um FPS de mundo aberto com temática pós-apocalíptica, ambientado em uma Chernobyl viva que passa por mudanças climáticas e apresenta os inimigos com inteligência artificial acima da média. O jogo conta com elementos de sobrevivência e RPG, como escolhas que impactam a história e algumas missões secundárias, além da necessidade de beber água e comer.

Após um lançamento conturbado devido a conflitos no país do estúdio, o jogo chegou primeiro para PC e Xbox Series em novembro de 2024, ainda com alguns problemas como quedas de FPS e bugs. Agora, o jogo chega ao PlayStation 5 na sua versão 1.7, trazendo várias novidades. Posso adiantar que o título é fenomenal e uma experiência única.

Stalker novo, mesma Chernobyl

​S.T.A.L.K.E.R. 2 nos coloca no controle de Skif, um ex-soldado de 25 anos que vivia fora de Chernobyl — ou seja: fora do perigo. Porém, um evento destrói sua casa e obriga o protagonista a adentrar a Zona em busca de respostas sobre aquilo que arruinou sua pacífica vida.
A franquia Stalker sempre teve elementos de RPG, com a possibilidade de fazer escolhas importantes na história, e aqui não é diferente. Ao adentrar a perigosa e bela Zona, o protagonista se vê tendo que tomar decisões relacionadas a dois grandes grupos: a Ala (uma facção governamental) ou os Stalker( pioneiros na exploração de Chernobyl). Existem outros grupos, mas esses dois são os que mais afetam a campanha principal.

​Algo que devo elogiar desde cedo é como as escolhas afetam realmente a narrativa, a ponto de cada facção ter missões completamente diferentes, e o jogo contar com 4 finais distintos. Além disso, a maioria dos personagens é muito bem escrita, e o excelente trabalho de dublagem ajuda ainda mais a desenvolver o carisma deles.

​Também é notável que conseguiram, mesmo sendo um jogo em primeira pessoa,  fazer com que Skif seja simpático. O personagem está sempre gesticulando enquanto fala, o que ajuda a conseguir acreditar nas entonações de suas emoções. Essa característica se estende para os vários personagens icônicos desse jogo, como Cicatriz, que sempre que aparece esbanja carisma.


Contudo, nas missões secundárias é possível que os personagens não tenham tanta expressividade, mas em compensação essas deixam o jogador livre, permitindo que ele escolha como a missão acabará. Praticamente todas têm no mínimo 2 finais diferentes, algumas até 3. Esse é um ponto muito forte, já que faz jus ao fator RPG. Outra informação interessante é que é possível matar quase todo NPC. Por fim, o jogo tem apresentado um atraso na hora de algumas legendas aparecerem. Então, se você não entende tão bem inglês, pode acabar perdendo algum detalhe importante da história.

Bem-vindo a Zona e cuidado com as tempestades de radiação 

Mais viva que os personagens e suas expressividades é a Zona após ter sido bombardeada com radiação por anos. O clima e os seres que vivem nela foram modificados. É comum, enquanto se aventura pelo mundo aberto, se deparar com chuvas, tempestades com raios (que podem matar o protagonista) e a Emissão, ainda outra tempestade carregada de radiação e eletricidade, que avermelha o céu e mata todo o humano que não foi buscar um abrigo.


Além do clima, temos Anomalias eventos quase sobrenaturais que desafiam as leis da física, como fogo saindo do chão, poços e bolhas gigantes de ácido e distorções da gravidade. Nesses locais, ao usar um dispositivo chamado de rastreador é possível achar Relíquias — objetos que dão vantagens ao protagonista, como resistência a fogo e raio, além de diminuírem o dano recebido. O único ponto chato é que é difícil de achá-las, mas vale a pena para ficar mais forte e enfrentar perigos como mutantes ou bandidos.

Também é possível achar missões secundárias explorando. Algumas ficam marcadas no mapa ou em locais como as cidades que existem pelo jogo, mas a maioria está espalhada sem um marcador, fazendo com que seja algo natural encontrá-las. Essa, por sinal, é a chave do sucesso para se fortalecer durante as aventuras; o jogo recompensa muito bem os curiosos com armas únicas e armaduras.


Como padrão da indústria, Stalker foi feito na Unreal Engine 5, o que proporciona gráficos lindos, iluminação de primeira e texturas ótimas. Além disso, o clássico problema de otimização não está presente na versão 1.7, que entrega uma boa taxa de FPS tanto no modo Fidelidade quanto no Desempenho.

​Com a chegada da ultima atualização, houve uma mudança no comportamento dos NPCs, o que deixou a Zona mais viva. Agora, as facções estão em constante conflito, vigiam seus territórios e iniciam confrontos por conta própria, fazendo com que as coisas aconteçam mesmo sem o protagonista estar presente. Durante minha experiência de trinata e três horas, eu sempre ficava aflito ao ouvir disparos e ver os confrontos acontecendo, pensando se acabaria tendo que intervir.

Além disso, após a briga acabar, era incrível ver os personagens coletando loot — recursos dos cadáveres, armas, munição e comida. Isso é muito legal. Além de ser possível encontrar a marca registrada da franquia: fogueiras onde os personagens sentam e contam inúmeras histórias ou tocam violão, algo impressionante em uma geração onde é comum os NPCs parecerem cada dia menos inteligentes.

​Para finalizar sobre a ambientação, destaco as construções. Além da arquitetura europeia muito bem feita, elas são muito realistas e variadas: temos fábricas, prédios governamentais, bairros e, é claro, a própria Chernobyl com sua área residencial. 


É possível ver até mesmo o sarcófago que guarda o que sobrou do reator. Porém, os carregamentos não estão tão rápidos quanto se esperaria de um jogo de nova geração, o que pode frustrar algumas pessoas ao usar funções como fast travel.

Entre Mutações e Humanos 

Como comentei brevemente, os personagens possuem um comportamento inteligente acima do comum na maioria dos jogos de FPS. Isso inclui os inimigos, que são desafiadores: eles montam planos, executam armadilhas, pegam cobertura de forma esperta e sem deixar o corpo exposto, além de terem uma mira excelente. Conforme as regiões do mapa vão ficando mais perigosas, eles ficam mais bem equipados, o que dificulta ainda mais a progressão.

É revigorante enfrentar inimigos que realmente te desafiam, fazendo com que você tenha que priorizar mirar na cabeça e inclinar a mira para evitar ficar exposto. Ou seja, é preciso jogar de forma mais tática, como se fosse Rainbow Six Vegas. Vence quem se posicionar melhor; do contrário, você acaba facilmente morto mesmo se estiver jogando na dificuldade normal. As balas ainda machucam bastante e causam sangramento, obrigando o jogador a sempre andar com bastante ataduras e kit médico.

​Já os mutantes também são espertos, mas com um estilo mais selvagem. Alguns andam em alcateia como os cachorros cegos, que atacam em sincronia para distrair o jogador. Outros, como o Sangue-Suga, ficam invisíveis e aparecem de surpresa para testar o coração do jogador. Existem inúmeros outros com habilidades muito criativas, como o Cão Psíquico, que cria clones de si, e o Controlador, que manipula a mente de soldados.

Combinando esses dois tipos de inimigos, Stalker facilmente entrega um dos combates mais desafiadores que enfrentei em um bom tempo, sendo este um dos pontos mais fortes do título, graças à sua IA bem desenvolvida. O único problema é que às vezes mutantes acabam bugando em locais pequenos, e inimigos humanos entram no chão quando morrem. Mas um patch de correção deve resolver tais coisas.

Um Arsenal de Causar Inveja

Após comentar sobre os inimigos, nada mais justo do que adentrar o arsenal de armas disponíveis para auxiliar o jogador. Como o protagonista é um ex-militar, ele é capaz de usar qualquer tipo de arma. Nesse vasto arsenal, podemos dividi-las em comuns (como rifles, submetralhadoras, escopetas, pistolas, etc.) e lendárias (armas com nomes próprios, como a Mercenária, uma sniper com silenciador modificada).

Como o jogo preza o realismo, até certo ponto, é necessário fazer manutenção dessas armas com um técnico que fica nas cidades espalhadas pelo mapa. Caso isso não ocorra, a arma pode começar a falhar no meio do tiroteio, o que atrapalha bastante. 

Além dos cuidados com o armamento, é necessário ter atenção com o fato de todos os objetos pesarem, desde o pão que o protagonista pode comer à munição que ele carrega. Tal mecânica pode afastar jogadores que gostam acumular encher o inventário de itens. Para isso, existe um remédio chamado Hércules, que aumenta temporariamente o peso máximo de 80 kg para 100 kg.

A balística das armas de Stalker é impressionante; nem outros FPS como Call of Duty ou o recente Battlefield têm armas tão realistas e com uma ótima jogabilidade. No PlayStation 5, além de os gatilhos adaptáveis terem uma configuração diferente para cada arma, emulando a resistência de apertar cada um, é possível também usar o próprio controle para ajustar sua mira, apenas o movendo para os lados. É bom ver que a equipe do jogo soube usar os recursos disponíveis no DualSense, mas é claro que caso o jogador não curta isso é possível desligar nas configurações.

Além de armas temos variadas armaduras com estatísticas diferentes: algumas mais leves, outras medianas e pesadas, como os exoesqueletos que lembram uma Power Armor de Fallout. Normalmente, quanto mais pesada a arma for, melhor as proteções que ela oferece, como resistência a elementos (fogo, raio, ácido) ou dano físico.

Tanto as armas quanto as armaduras são customizáveis. É possível melhorá-las, colocando acessórios como lança-granadas, mira com zoom maior, laser e silenciador; já  para as armaduras é possível ter mais bolsos, por exemplo, para carregar relíquias (sendo possível ter até 5 ao mesmo tempo). O fato de ter essa possibilidade de customizar armas me agrada muito, pois assim é possível deixar cada uma mais única para o gosto do jogador. 


Durante as minhas horas de jogatina, me diverti muito testando como as minhas configurações mudaram o comportamento delas. As armaduras são bonitas e os exoesqueletos são divertidos de usar, embora demorem para ser liberados e só possam ser encontrados só em áreas mais avançadas.

Uma Jornada Incrível



S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl é uma obra-prima do estúdio GSC Game World, que chegou ao PlayStation 5 em sua melhor versão, trazendo inimigos desafiadores e uma excelente otimização com Unreal Engine 5. A história permite que o jogador faça escolhas que têm impacto, e o mapa recompensa o jogador por explorar com seu clima dinâmico. Mesmo que alguns bugs ainda existam, eles não ofuscam o trabalho incrível do jogo.

Prós

  • História com 4 possíveis finais, trazendo um ótimo enredo que envolve temas como conspirações governamentais, guerra, religião e personagens moralmente cinzentos extremamente carismáticos.
  • Missões secundárias com escolhas que dão liberdade para o jogador moldar seu desfecho, incentivando assim a rejogar para ver possibilidades diferentes.
  • Arsenal de armas e armaduras variado, com a possibilidade de customização à vontade.
  • Inimigos humanos são inteligentes, se posicionam de forma tática, armam emboscadas e se comunicam entre si, tornando cada combate único.
  • Os mutantes possuem visuais icônicos e grotescos e são ardilosos, se mostrando adversários únicos que desafiam o jogador a todo o momento.
  • Mapa com cenários variados, eventos climáticos e um forte incentivo à exploração, que sempre recompensa o jogador com recursos como armas, munição, comida, armaduras, etc.

Contras

  • Alguns inimigos em locais fechados ficam travados em objetos ou atravessando o chão.
  • Os carregamentos do jogo não são tão rápidos para os padrões de nova geração.
  • Alguns diálogos estão atrasados, demorando assim para aparecerem legendados.
S.T.A.L.K.E.R. 2: Heart of Chornobyl — PS5 — Nota: 9.5
Versão usada para análise: PlayStation 5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise produzida com cópia digital cedida pela GSC Game World
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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