Produzido pela Crimson Tales e publicado pela Shoreline Games, Onirism é um jogo de plataforma 3D que nos coloca no controle de Carol, uma garota que teve seu coelhinho de pelúcia roubado por um monstro maligno enquanto se preparava para dormir. Ambientado em um mundo dos sonhos, nossa protagonista precisa superar diversos desafios de plataforma e inimigos fortemente armados para reaver seu companheiro de pelúcia. O título conta com uma proposta de exploração dinâmica e um combate intenso, mas ainda carece de balanceamento na dificuldade para ficar mais agradável aos jogadores.
Uma noite mal dormida
Depois de se acomodar na cama com seu coelho de pelúcia, Bunbun, Carol é atacada por Umbra, uma criatura maligna que invade seu quarto e rapta seu companheiro. Sem pensar duas vezes, ela atravessa o portal mágico deixado pelo vilão e vai parar no mundo de Crearia, um universo cheio de biomas diferentes e criaturas estranhas. A partir desse momento, acompanhamos a jornada da protagonista enquanto persegue Umbra por todos os cantos desse mundo.
O jogo é estruturado em grandes áreas tridimensionais abertas, que permitem explorar livremente apesar da progressão ser relativamente linear. Carol se movimenta bem, podendo correr, saltar e se esquivar com facilidade, e, para se defender, conta com seu guarda-chuva e um secador de cabelo que dispara projéteis. Entre vulcões, cavernas, montanhas e planícies, sempre há algo no caminho chamando atenção, seja uma rota escondida ou um grupo de inimigos pronto para atrapalhar a busca pelo Bunbun.
Durante a campanha, Carol encontra diversas armas que deixam o combate mais variado. Há armas mágicas com disparos elementais, escopetas, carabinas e outros tipos curiosos, como armas de bolhas de sabão, todas com munições e cadências diferentes. Podemos alternar entre nove armas ao longo das fases, deixando as batalhas mais dinâmicas, já que podemos escolher o que usar dependendo da situação.
Além disso, há moedas e itens especiais que oferecem novas skins e melhorias permanentes. Tanto o guarda-chuva quanto o secador ganham funções mais úteis com o tempo, sendo capazes de causar dano em área ou realizar disparos mais potentes. Essas evoluções ajudam a deixar o sistema de luta mais fluido, mesmo que o balanceamento nem sempre funcione tão bem.
Mundos criativos e coloridos
Onirism divide seu gameplay entre exploração e enfrentamentos, apresentando mundos tridimensionais com desafios de plataforma e inimigos espalhados pelo cenário. A mobilidade ágil de Carol é um ponto especialmente positivo: a protagonista corre, salta e se agarra em beiradas de forma bastante intuitiva, tornando a movimentação natural e agradável. Os mundos, de modo geral, também são criativos e bem estruturados, com trajetos principais claramente definidos e outros pontos de interesse facilmente identificáveis ao longo do caminho, o que estimula a curiosidade e nos incentiva a sair da rota para descobrir algo novo.
Ainda assim, alguns ambientes deixam a desejar. Há fases cujo layout compromete a fluidez da progressão, tornando a exploração confusa. Na área do vulcão, por exemplo, passei longos minutos caminhando em círculos até encontrar o caminho correto, resultado de um design pouco claro que transforma a fase em um labirinto de espaços fechados.
O combate, embora variado e apoiado em uma boa seleção de armas e golpes físicos, sofre com uma dificuldade completamente desbalanceada. Mesmo escolhendo a dificuldade padrão, precisei reduzi-la após poucas horas apenas para conseguir avançar. O desequilíbrio entre o dano causado pelos seus ataques e o dano recebido dos inimigos é absurdo, o que prejudica a sensação de progressão.
Além disso, há momentos em que o jogo nos coloca em arenas fechadas repletas de inimigos atacando simultaneamente, criando situações caóticas e frustrantes. Eram tantos tiros vindo de tantas direções diferentes, que sobreviver era praticamente impossível. Sempre que uma missão dessa aparecia, eu acabava tendo que repeti-la pelo menos umas cinco vezes.
Esse problema na dificuldade é particularmente problemático porque Onirism parece mirar em um público mais casual. Os comandos são simples, os inimigos têm design cartunesco, os diálogos têm um tom leve e não há quebra-cabeças complexos. Com um melhor balanceamento, o título poderia ser uma ótima opção inclusive para crianças, mas, do jeito que está, a experiência pode se tornar mais exaustiva do que divertida.
Personalização dos sonhos
Um ponto que vale destacar em Onirism é a quantidade surpreendente de elementos personalizáveis. Durante a exploração e o combate, coletamos moedas que podem ser trocadas por novas roupas, penteados e armas para Carol. Embora algumas fases tenham trechos confusos de navegar, a sensação de recompensa compensa, especialmente para quem gosta de brincar com customização.
Personalizar a protagonista é realmente divertido graças à grande quantidade de opções disponíveis, o que incentiva ainda mais a exploração dos mapas. Contudo, caso isso não seja o seu foco, também é possível direcionar os recursos exclusivamente para adquirir novas armas e expandir suas possibilidades no combate.
Outro ponto que merece destaque são os diversos modos de jogo, incluindo um tipo de Modo Zumbi, no qual somos perseguidos por bonecos mortos-vivos enquanto coletamos recursos e compramos armas melhores, e o Modo Caçada, em que precisamos sobreviver por um tempo limitado em uma arena fechada. Todos esses modos podem ser jogados sozinho ou em co-op.
Eles funcionam muito bem e trazem uma dinâmica totalmente diferente ao jogo, já que são experiências focadas exclusivamente no combate. O uso estratégico do arsenal e a leitura do cenário passam a ser essenciais para sobreviver, o que deixa esses modos muito mais divertidos.
Um pouco de sonho, um pouco de pesadelo
Onirism entrega um conjunto interessante de ideias e tem personalidade suficiente para se destacar, mas sua execução ainda não acompanha o potencial da proposta. A combinação entre dificuldade desbalanceada e fases mal estruturadas compromete a experiência, mesmo com a boa mobilidade da protagonista e o charme visual do mundo. Por outro lado, a variedade de armas e dos modos de jogo adiciona fôlego à aventura, trazendo novas dinâmicas ao combate. No geral, Onirism é uma experiência divertida, mas que ainda precisa de ajustes para se tornar realmente acessível a diferentes tipos de jogadores.
Prós
- A mobilidade da protagonista é ágil e agradável;
- Os mundos são criativos, com bom level design na maior parte do jogo;
- Há uma boa variedade de armas e abordagens de combate;
- Os visuais são coloridos e carismáticos, com atmosfera de desenho animado;
- Os diferentes modos de jogo trazem uma nova dinâmica à experiência;
- Os comandos são simples, o que favorece jogadores casuais.
Contras
- Alguns mundos têm design confuso, prejudicando a progressão;
- A dificuldade é muito desbalanceada, mesmo no modo padrão;
- Os encontros em arenas fechadas tornam o combate repetitivamente frustrante.
Onirism — PC — Nota: 7.5
Revisão: Thomaz Farias
Análise feita com cópia digital cedida pela Shoreline Games










