Da cidade para o vilarejo
A narrativa não é o foco aqui, mas existe uma premissa básica: você é alguém cansado da cidade grande, barulhenta, poluída e sufocante. Assim, decide começar uma nova vida, construindo a sua própria cidade do zero, do seu jeito.
É nesse ponto que o jogo mais encanta. A primeira missão é simples: construir três casas e conectá-las à estação de trem. A tarefa pode parecer um pouco estranha no início, já que as ruas precisam ser desenhadas livremente no terreno, mas esse detalhe logo se perde diante do charme das construções. Com o tempo, novas famílias chegam em busca de moradia e o jogo apresenta uma de suas principais mecânicas: a felicidade da população.
No começo, os moradores se contentam apenas com casas confortáveis. Porém, à medida que a cidade cresce, surgem novas exigências: alguns querem viver perto da água, outros preferem não ter vizinhos por perto, enquanto há quem deseje estar cercado por árvores ou próximo de restaurantes. Atender a esses desejos influencia diretamente no nível de satisfação dos habitantes. Além disso, eles também valorizam um ambiente agradável, bem decorado e cheio de atividades.
Manter a felicidade da população é essencial para o sucesso do vilarejo. Afinal, ela não apenas garante o crescimento saudável da cidade, como também funciona como requisito para liberar novos upgrades, como decorações e construções adicionais. Por isso, expandir sem planejamento pode gerar mais insatisfação do que progresso.
Construa e evolua
Mesmo em acesso antecipado, Town To City já se mostra um título de construção bastante competente. O jogo oferece bastante liberdade para experimentar e expandir, ainda que dentro das regras estabelecidas. Construir casas, por exemplo, permite receber novas famílias, e com elas vêm trabalhadores, que podem ser alocados em diferentes estabelecimentos da cidade.
Há uma boa variedade de opções, desde pequenos comércios de frutas e peixes até armazéns (essenciais, já que fazem o transporte das mercadorias da estação de trem para as lojas). Também é possível investir em lojas de roupas, onde dá para influenciar a moda local escolhendo as cores predominantes das peças vendidas. Esse mesmo detalhe aparece em barbearias ou lojas de óculos, trazendo um toque interessante de personalização.
Apesar disso, o sistema de trabalhadores é um dos pontos mais frágeis do jogo. A lógica é clara: quanto mais habitantes a cidade tem, mais trabalhadores são necessários, e mais caro fica manter os estabelecimentos. O problema é que a gestão desse recurso é pouco aprofundada. Não há um controle real sobre quem trabalha em qual lugar, e, curiosamente, isso também não afeta a felicidade dos moradores. Em um jogo onde detalhes como a ausência de flores em uma janela impactam na satisfação da população, seria natural esperar que o local de trabalho também tivesse peso nesse equilíbrio, mas não é o caso.
Felizmente, não só de comércio vive a cidade. O jogo também dá bastante ênfase ao entretenimento e à decoração, elementos que influenciam diretamente no bem-estar das famílias. Árvores, postes de luz, floreiras, bancos e muitos outros itens podem ser usados para deixar o ambiente mais acolhedor. Já no campo do lazer, há opções como barracas de jogos e carrosséis. Além disso, algumas missões secundárias pedem a criação de espaços específicos, como parques, clubes do livro ou áreas de piquenique, geralmente exigindo uma combinação de itens e condições, como manter o espaço afastado de residências.
A evolução das construções acontece de forma gradual e envolvente. Muitas melhorias são liberadas por meio de pontos de pesquisa, obtidos ao investir em um centro de pesquisa. Com isso, é possível transformar casas simples em casas burguesas, que exigem certo nível de luxo por perto para manter os moradores felizes. Também há a possibilidade de aumentar o número de andares das construções, permitindo abrigar mais de uma família no mesmo prédio. No entanto, concentrar muitos edifícios em um único espaço pode prejudicar a satisfação da população, o que adiciona uma camada estratégica ao planejamento urbano.
Por outro lado, o ponto mais frustrante do jogo está nas mecânicas ligadas à agricultura. Criar uma fazenda demanda diversos passos, incluindo refinarias e armazéns específicos, o que torna o processo trabalhoso demais em comparação ao restante do jogo. É um sistema que carece de ajustes, mesmo que o resultado final, visualmente, seja bastante agradável.
Relaxe e aprecie a vista
Mesmo com alguns problemas, é fácil perder horas desenvolvendo sua cidade. Os gráficos estilizados são cheios de charme e agradam em cada detalhe, dos mapas às construções, das decorações aos próprios cidadãos.
A trilha sonora segue o mesmo espírito. Embora não seja extensa, cada faixa é cuidadosamente selecionada para reforçar a atmosfera acolhedora e tranquila do jogo. A música se mistura de forma orgânica à jogabilidade, transformando o simples ato de gerenciar sua cidade em algo ainda mais envolvente.
E talvez seja aí que Town To City mais brilhe: no prazer de observar a rotina dos moradores ou simplesmente apreciar o pôr do sol em uma rua que você mesmo decorou. São esses pequenos momentos que tornam a experiência verdadeiramente relaxante.
Revisão: Johnnie Brian

