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Análise: HEAVEN SEEKER —— The Savior of This Cruel World traz ação frenética em um roguelike monótono

Mova-se por salas apertadas e cheias de inimigos em uma aventura que exige paciência e determinação.


Produzido e publicado pela Success, HEAVEN SEEKER —— The Savior of This Cruel World combina elementos de roguelike e bullet hell em um frenético shooter de duas alavancas. No controle de poderosas guerreiras, exploramos fases geradas proceduralmente e enfrentamos tiroteios insanos para descobrir os segredos de Pentagaia.

Apesar da ação contínua e desafiadora, ideal para jogadores que buscam desafios e não se importam com mortes frequentes, o jogo torna-se monótono rapidamente devido à falta de desenvolvimento da história e à variedade limitada de inimigos.

As salvadoras de Pentagaia

A história de HEAVEN SEEKER  se passa em Pentagaia, um mundo dividido em cinco países que foram transportados para diferentes dimensões devido a um desastre natural. Para restaurá-lo, líderes de cada país enviam guerreiras poderosas ao Castelo Celeste, onde um importante segredo está guardado.

A princípio, somos apresentados a três personagens: Sophilia, da Nação Mágica, que possui a habilidade de atirar projéteis mágicos; Yasaka, da Nação Oriental, equipada com kunais e uma katana; e Tenebra, da Nação da Floresta, usuária de flechas mágicas. Essas guerreiras possuem o título de Heaven Seeker e devem explorar cinco áreas repletas de inimigos para prosseguir em sua missão.




E aqui vai a primeira crítica ao jogo: o desenvolvimento da história é praticamente nulo e as informações dadas no início da campanha não agregam nada. Todo o contexto, seja da história ou das protagonistas, é feito em textos mal escritos em um fundo preto, sem o mínimo de cuidado. Até mesmo a apresentação de NPCs é feita de qualquer jeito, com apenas alguns balões de diálogos que não explicam nada.

Além disso, vale ressaltar que o jogo não possui tradução para português brasileiro. Em relação à história, isso não é muito significativo, mas para a descrição de habilidades e itens, é algo que faz falta e pode interferir na experiência de jogadores que não dominam a língua inglesa ou japonesa.



Atire, ande e sobreviva

Heaven Seeker possui a estrutura tradicional de um roguelike. Primeiramente, escolhemos entre uma das protagonistas disponíveis, sendo que a principal diferença entre elas é a arma equipada, cujas características — como cadência, alcance e dano dos projéteis — variam.

Em seguida, podemos escolher entre três opções de dificuldade, que tentam atender a jogadores de diferentes níveis. Digo que tentam, porque o nível mais fácil, chamado de Modo História, não tem nada de simples e provavelmente já entrega desafio o suficiente para a maioria dos jogadores.

As cinco fases que precisamos explorar são estruturalmente semelhantes, com salas repletas de inimigos e armadilhas que são interligadas por corredores, e nosso objetivo é encontrar a sala do chefe, derrotá-lo para prosseguir ao próximo estágio. Com exceção de alguns inimigos e desafios específicos, todos os mundos são genéricos e tediantes de explorar; mesmo a geração procedural das fases não dá um ar de novidade e toda campanha parece igual a última.




Acredito que a maior parte do desenvolvimento foi focado no combate em si, pois ele é o grande destaque de Heaven Seeker: as salas repletas de inimigos é logo preenchida por inúmeros projéteis e passa a exigir movimentos precisos para esquiva e ataque. A dificuldade elevada e a facilidade em perder vidas nos obriga a dominar todas as mecânicas rapidamente para obter sucesso.

Seja utilizando mouse e teclado ou um controle, os comandos são precisos e dão alternativas a certas limitações. O mouse permite que tenhamos mais precisão da mira em detrimento da movimentação da personagem, mas isso é compensado pela esquiva que possui uma janela de invencibilidade generosa; já os controles permitem uma melhor movimentação, mas uma mira menos precisa — para isso, uma opção de mira automática pode ser ativada.

Para dar um pouco mais de variedade ao combate, é possível equipar diferentes habilidades às nossas armas. Essas skills modificam certos comportamentos dos nossos projéteis, podendo aumentar dano ou velocidade e até multiplicá-los. A princípio, podemos combinar até três delas, mas com o passar da campanha, aumentamos essa quantidade.




Um ponto importante que ajuda a manter o jogo agradável é a progressão das protagonistas, que acumulam experiência após cada partida. Com isso, podemos equipar melhorias para aumentar a vida, deixar a personagem mais rápida e até sermos capazes de equipar mais artefatos em nossas armas.

Tudo isso torna as batalhas verdadeiramente divertidas. Mesmo que os inimigos comuns deixem a desejar um pouco, os chefes ganham destaque pela criatividade e nível de exigência. Em alguns casos, a tela fica tomada de projéteis de uma forma que o FPS cai de maneira considerável, mas nada que atrapalhe muito o combate.




A grande questão é que Heaven Seeker não tem nada além disso para oferecer. Mesmo que possua muitas opções para o combate, isso não é nada além da obrigação de um roguelike e não existe nenhuma outra virtude que o faça ter um destaque no mercado. 

Acredito que isso pode ser mitigado em DLCs, principalmente em atualizações que desenvolvam melhor sua história e adicionem novas fases e inimigos. 



Um bom combate e só

Não vou negar que me diverti com HEAVEN SEEKER —— The Savior of This Cruel World, principalmente pelo seu combate frenético. A grande variedade de habilidades e a possibilidade de combiná-las de diferentes maneiras ajuda a trazer aquele ar de novidade a cada partida.

No entanto, a falta de cuidado com a história, o design das fases e a variedade de inimigos me incomodou bastante, pois a aquela sensação de repetição chegava em todas as partidas. Portanto, acredito que ele seja recomendado para aqueles jogadores que gostam de sofrer com jogos difíceis e não ligam muito para uma história mais elaborada.

Prós

  • O combate é frenético e desafiador, exigindo um domínio completo de suas mecânicas;
  • Há uma boa variedade de habilidades para equipar nas armas;
  • Os chefes se destacam pelo combate criativo e dificuldade mais elevada que o normal;
  • Os controles são precisos e possuem opções que contornam possíveis problemas de movimentação e mira.

Contras

  • A história é mal desenvolvida e apresentada de qualquer maneira;
  • O design de todas as fases é semelhante, o que traz a sensação de repetição;
  • Pouca variedade de inimigos;
HEAVEN SEEKER —— The Savior of This Cruel World — PC — Nota: 5.5
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise feita com cópia digital cedida pela Success


É engenheiro geólogo, graduando em Engenharia Ambiental, entusiasta de novas tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Gosta de aproveitar o tempo apreciando RPGs, relaxando em simuladores de fazenda e curtindo uma boa música em jogos de ritmo.
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