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Impressões: Dragon is Dead mostra potencial mesmo com uma proposta carente de originalidade e conteúdo

Apesar de um gameplay sólido e viciante, é evidente que o roguelite de ação da TeamSuneat ainda necessita de algo mais.


Dragon is Dead é um jogo de plataforma de ação roguelite no estilo hack and slash, no qual assumimos o papel de um guerreiro em constante evolução que busca se tornar cada vez mais poderoso para cumprir sua missão: destruir Guernian, o último dos dragões. Disponível em Acesso Antecipado desde o início deste mês de junho, aventuramo-nos em um mundo de fantasia sombria para explorar mais sobre este interessante projeto.

Todos os dragões estão mortos

Todos os dragões que desafiaram os deuses pereceram, com exceção de Guernian. Líder dos Dark Dragons, ele perdeu toda a sua espécie para os deuses e abraçou o mal, então ameaçando a existência do mundo com sua fenda, uma passagem que permite a entrada de seres malignos no mundo.
"Para onde foram os dragões? Considerando que as runas foram a causa de sua ruína, elas são tanto uma benção quanto uma maldição"
Alimentado por raiva e loucura, cabe a você se tornar o assassino capaz de deter Guernian e libertar os sobreviventes de seu sofrimento. A jornada colocará em seu caminho as mais retorcidas e aterrorizantes monstruosidades, todas criadas pela escuridão gerada pelo último dragão.

A morte, um destino inevitável, não deve ser temida, mas compreendida. Cada vez que seu corpo perecer, você se tornará um guerreiro mais completo e poderoso, com a motivação necessária para cumprir esse destino. Esta é uma jornada repleta de constante aperfeiçoamento e aprendizado, destinada aos mais aptos para esta grandiosa tarefa.

Ação em doses generosas

Em Dragon is Dead assumimos o papel de um ser chamado Sucessor, um guerreiro com habilidades e talentos únicos, escolhido pelo destino para livrar o mundo da corrupção causada pelo dragão Guernian, que ameaça a existência da vida na terra.


O objetivo do jogador é atravessar um mundo devastado, enfrentando hordas incansáveis de demônios e monstros criados pelo dragão, adquirindo novas habilidades e equipamentos que o tornarão apto a progredir em sua jornada. À medida que aprende e evolui com seus eventuais erros durante a viagem, o jogador se torna mais poderoso.

Em sua essência roguelite, Dragon is Dead nos ensina por meio da derrota. Em cada incursão, o jogador enfrenta inimigos e, ao derrotá-los, obtém pontos de experiência que fazem seu avatar subir de nível, permitindo aprender novas técnicas em uma vasta árvore de habilidades.


Além das habilidades, o Sucessor tem à sua disposição uma variedade de armamentos e equipamentos que alteram e favorecem seus atributos base, como poder de ataque, defesa e sorte. Estes equipamentos são categorizados em diferentes níveis de raridade, que, conforme aumentam, também favorecem o herói com mais atributos passivos.

A dinâmica do jogo se dá em um ambiente de fantasia sombria com visuais pixelados, e que cada nova tentativa do Sucessor apresenta resultados únicos e imprevisíveis. A única certeza é a morte, e é por meio dela que repensamos nossas atitudes e estratégias para progredir cada vez mais no jogo.

O gameplay é ágil e viciante. Nos momentos iniciais de uma nova partida, enfrentamos inimigos básicos e quase inofensivos, mas rapidamente somos surpreendidos por monstros que podem ceifar nossa vida em poucos golpes nos cenários seguintes.


Ao subir de nível, o Sucessor é premiado com um ponto de habilidade que pode ser alocado para desbloquear uma nova técnica de combate. Estas técnicas podem ser atribuídas a diferentes comandos do controle, tornando a jogabilidade mais cômoda e estruturada, dependendo do nível de habilidade do jogador. O Sucessor pode assumir duas identidades distintas:
  • Spellblade: Vem de um clã de magos que trabalham com runas e elementos. Este grupo é detestado pelo Culto da Luz, pois, ao contrário daqueles que usam o poder divino, os magos ganham seu poder através das runas e de sua própria vontade. Suas habilidades predominam no domínio dos elementos fogo, gelo e eletricidade.

  • Berserker: Conhecido por usar armaduras grossas e poderes do sangue e da loucura. Nascido no Pierce, um bando de guerreiros itinerantes composto por criminosos, desajustados e aqueles sem lugar no mundo. Ele é desbloqueado após um evento de história, ativado ao derrotar o quinto chefe do jogo pela primeira vez.
Cada personagem possui árvores de habilidades e atributos únicos, que o jogador precisa compreender bem ao montar sua build durante uma incursão. Enquanto o Spellblade se baseia em poder mágico e elemental, o Berserker se apoia na força física e dano crítico.

Para ambos, a obtenção de artefatos permite aprimorar status passivos em diferentes níveis, otimizando ações e atributos para deixá-los cada vez mais poderosos. Compreender os fundamentos desta dinâmica é essencial para a construção do personagem.

Familiar por um lado, raso em outro

A jogabilidade de Dragon is Dead é extremamente viciante. A movimentação rápida e precisa, aliada às habilidades, traz uma grande satisfação ao usá-las contra os inimigos, fora o visual que ajuda a transmitir essa sensação, tornando as sessões de jogo muito agradáveis.

A natureza roguelite do jogo nos obriga a reiniciar a partida várias vezes após uma derrota. Contudo, a cada vez que nosso personagem é morto, perdemos o ouro e os pontos de experiência e habilidade obtidos, mas mantemos os equipamentos, incluindo os de ranque lendário, obtidos exclusivamente ao derrotar chefes.

Apesar do caminho até conseguir derrotar o primeiro boss ser um tanto penoso, essa primeira grande vitória nos recompensa com um valioso equipamento, que pode se tornar crucial para nosso avanço nas horas subsequentes de jogo.

É difícil não notar como Dragon is Dead empresta algumas estruturas de outros títulos, especialmente o famoso Diablo, da Blizzard. A inspiração é evidente na interface do jogo, no menu de equipamentos e na árvore de habilidades.


Após algumas horas de jogo, percebe-se que ainda falta conteúdo, mas já temos a promessa da TeamSuneat para novos equipamentos e modificações nas fases para um futuro próximo. Encontrei uma "build perfeita" usando uma espada específica e uma peça de armadura, o que facilitou acelerar minha jornada cada vez mais, mesmo após ser derrotado em seções avançadas do jogo.

Ainda falta uma variedade considerável de equipamentos para estimular a experimentação de outras combinações de técnicas, evitando a dependência de uma arma extremamente poderosa e uma armadura que quase quebra o jogo.

A narrativa, apesar de interessante, ainda não consegue ser cativante o suficiente para somar à experiência. Até o momento, parece servir apenas como tema da aventura, sem a profundidade ou destaque que merece. Boa parte do lore de Dragon is Dead fica limitada aos diálogos com NPCs e às telas de carregamento, que trazem dicas e informações sobre a mitologia deste universo.
Já foi confirmado que muitas novidades serão adicionadas ainda no decorrer de 2024 antes do lançamento oficial em 2025.
Felizmente, os desenvolvedores já anunciaram novidades para 2024, incluindo novas áreas, um terceiro personagem jogável, novos equipamentos, chefes e um modo de boss rush. Este último será particularmente útil para melhorar meu desempenho contra os notáveis chefes do jogo e reduzir a taxa de erros durante as lutas.

A caçada ao dragão está apenas começando

Dragon is Dead já apresenta uma série de aspectos positivos que o tornam uma experiência promissora no gênero que tem como principal expoente o fenômeno Dead Cells. A jogabilidade é ágil e viciante, com movimentação rápida e precisa, além de habilidades variadas que proporcionam uma sensação de satisfação ao enfrentar os inimigos. O visual pixelado contribui para a atmosfera sombria e imersiva do jogo, e a mecânica roguelite incentiva a aprendizagem e evolução constante, mantendo os jogadores engajados.


No entanto, há áreas que podem ser melhoradas. A interface e a estrutura de evolução do jogador é claramente uma versão adaptada de Diablo, o que passa uma sensação de falta de originalidade. Além disso, o conteúdo atual parece limitado, necessitando de mais variedade em equipamentos e técnicas para estimular a experimentação e evitar a dependência de builds específicas. A narrativa, embora interessante, precisa de mais profundidade e destaque para realmente envolver os jogadores e enriquecer a experiência.

As promessas da TeamSuneat para 2024 são animadoras. A adição de novas áreas, um terceiro personagem jogável, novos equipamentos, chefes e um modo de boss rush têm o potencial de expandir e aprofundar significativamente o jogo. Essas atualizações são bem-vindas e podem abordar muitas das atuais limitações, proporcionando uma experiência mais rica e diversificada.

Dragon is Dead mostra grande potencial e oferece uma experiência divertida e desafiadora já nas primeiras semanas de Acesso Antecipado. Com mais conteúdo e refinamento, este projeto tem tudo para se destacar no gênero. As expectativas são boas, e as futuras atualizações prometem transformar Dragon is Dead em um título imperdível para os fãs de roguelite e hack and slash em plataforma.
Dragon is Dead está disponível em Acesso Antecipado para PC via Steam.
Revisão: Beatriz Castro
Texto de impressões produzido com cópia digital cedida pela PM Studios

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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