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Análise: NeoSprint é uma revitalização de um clássico na medida exata

Conquiste circuitos vibrantes, ou crie o seu próprio, e pilote carros cheios de estilos, cores e referências ao legado da Atari.

Para quem achava que a Atari só iria focar em trazer de volta jogos de nave ou com temática espacial, acabou de se enganar. NeoSprint é inspirado no saudoso Sprint 2, de 1976, que tinha como controladores dois volantes em sua cabine.

Esta versão revitalizada para plataformas modernas faz parte de uma nova leva de títulos clássicos da Atari, e, diferentemente da série Recharged, traz uma personalidade própria, com gráficos coloridos e estilo mais atual, mas sem conectá-lo a outros jogos sob uma mesma identidade visual.

O legado das pistas

A ideia geral de NeoSprint se mantém a mesma do original de quase cinco décadas atrás: pilotamos nosso carrinho em diversos circuitos cheio de curvas mirabolantes. Mesmo sem jogar Sprint 2, essa fórmula foi popularizada por outros diversos títulos em vários consoles — Rock’n Roll Racing é um dos mais famosos e lembrados da era 16-bits, por exemplo.

Se a jogabilidade é simples, baseada apenas em acelerar e frear para derrapar nas curvas, o conjunto em torno disso trouxe uma série de opções para deixar NeoSprint mais adequado para os moldes atuais.

A Campanha é o principal modo de jogo, no qual escolhemos um carro entre as nove opções disponíveis, e devemos vencer 16 corridas, divididas entre quatro torneios. Alcançar o lugar mais alto do pódio nos concede alguns prêmios, como novas pinturas para os veículos, além de itens para customização de pistas. Também é possível jogar cada um desses torneios no modo Grand Prix ou curtir uma prova simples na Corrida Livre.

Para quem quiser continuar testando suas habilidades, há o Percurso de Obstáculos e o Contra o Relógio. Ambos colocam o jogador pilotando sozinho na pista para cumprir metas de tempo. O primeiro nos penaliza se atingirmos algum dos objetos no caminho, enquanto o segundo trata-se apenas de buscar a melhor volta.

Todos estes modos de jogo liberam alguma coisa, mas vale a pena ficar jogando para liberar tudo? A resposta é sim, e a culpa disso são as boas referências que foram incluídas nas pinturas dos carros.

Cada um deles conta com alguns esquemas de cores simples logo de cara, mas progredir pelos diferentes modos habilita pinturas mais caprichadas, e algumas possuem referências a outros títulos da Atari. Temos decalques que trazem os logos de Pong, Asteroids, Breakout, Gravitar, Black Widow, Centipede, entre muitos outros; essa sacada por si só já é uma grande motivação para buscar não só o lugar mais alto do pódio em todos os torneios, como também as melhores marcas de tempo. 

Do meu ponto de vista, um dos poucos deslizes de NeoSprint foi de não ter aproveitado mais recursos online. Mesmo com o aviso de conexão com um servidor ao iniciar o jogo, não há uma tabela de líderes com os melhores tempos de outras pessoas ao redor do mundo.

Também seria interessante poder baixar os fantasmas de outros corredores, pois no fim só podemos competir contra os melhores tempos feitos por nós mesmos. Quanto ao multiplayer, ele suporta até quatro pessoas de maneira local; aqui, o online poderia brilhar mais uma vez com disputas em rede.

Minhas curvas, minhas regras

NeoSprint traz uma lista de 50 circuitos diferentes, um mais caprichado e mirabolante que outro. Se ainda assim isso não for o bastante, há um editor de pistas que com certeza te fará gastar mais algumas longas horas no controle.

Podemos escolher o ambiente que quisermos e variar entre três tamanhos: pequeno, médio e grande. Uma vez que o espaço for definido, o único limite presente é o da nossa criatividade, pois o restante é bastante intuitivo e fácil de fazer. Alterar a elevação do traçado, por exemplo, é feito com apenas um clique, sem a necessidade de escolher uma nova peça igual à anterior, mas que possui uma altura diferente.

Como já citei, quanto mais avançamos nos modos de jogo, mais liberamos novos trechos de pista para serem utilizados. Eles podem ser variantes dos que já estão disponíveis, mas com pinturas diferentes ou alguma decoração, como coqueiros, ou objetos de paisagem — e, de novo, as referências voltam a pipocar na tela.

Além de itens normais como árvores, arquibancadas e fontes, há outros objetos mais pitorescos, como pirâmides, castelos, pedras mágicas e placas luminosas de arcade. E mais uma vez, temos à disposição letreiros temáticos de vários títulos clássicos, o que nos dá a oportunidade de criar circuitos 100% saudosistas. E convenhamos, isso é bem legal, levando em consideração o apelo visual dos jogos da Atari.

Por fim, e agora sim aproveitando um ótimo recurso em rede, podemos subir nossa criação para o servidor de NeoSprint para que outros corredores ao redor do globo possam experimentá-lo, ao mesmo tempo que também podemos baixar outras pistas para  curtirmos livremente.

Acelerando com estilo e nostalgia

NeoSprint não vem para ser um expoente do gênero de corrida, mas a maneira como o título foi revitalizado faz com que ele seja bastante convidativo para quem quer aquela diversão leve que um jogo arcade proporciona. O estilo colorido e cartunesco foi uma escolha acertada e a quantidade generosa de conteúdo é um prato cheio para quem gosta da mistura do estilo retrô com algo mais atual.

Prós

  • Grande variedade de pistas;
  • Modos de jogo investem no fator replay com vários itens desbloqueáveis;
  • É possível construir seu próprio circuito e compartilhá-lo com outros jogadores;
  • Carros e elementos de construção possuem referências a outros jogos da Atari;
  • Multiplayer local para quatro pessoas;
  • Estilo colorido e cartunesco casa bem com a jogabilidade simples.

Contras

  • Ausência de um ranking online para registrar os melhores tempos de jogadores ao redor do mundo;
  • Seria interessante contar com disputas multiplayer em rede.
NeoSprint — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise feita com cópia digital cedida pela Atari

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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