Jogamos

Análise: INDIKA (Multi) — uma jornada sobre autoconhecimento e fé

Em um estranho mundo onde nada faz sentido, uma jovem freira parte em uma aventura em busca de um propósito.


Até onde vai o poder da sua fé? O quão longe você iria por aquilo que acredita? Em uma terra devastada pela guerra, fome e medo, a jovem freira Indika e o devoto soldado Ilya embarcam em uma aventura cheia de perigos e reflexões para tentar descobrir as respostas dessas perguntas.


Lançado em 2 de maio de 2024 para PlayStation 5, Xbox Series e PC, INDIKA trás uma experiência filosófica sem igual no mundo dos videogames que fará os jogadores refletirem sobre suas ações e o papel dos personagens na trama.

“Todos me odeiam, inclusive eu”

Em uma Rússia fictícia do final do século XIX, vive uma jovem chamada Indika. Em seu convento, ela leva uma vida pacata junto às outras freiras, cuidando das atividades cotidianas. Porém, Indika não é uma simples freira como as outras, em seus pensamentos, no fundo de sua mente, habita um ser que a faz companhia: o próprio diabo.

Seu estranho companheiro torna até as tarefas mais simples, como pegar água em um poço, extremamente difíceis, sussurrando constantemente em seu ouvido e enlouquecendo-a, fazendo Indika ter atitudes que aos olhos dos outros podem parecer no mínimo estranhas. Por conta do seu comportamento instável, ela não é vista com bons olhos por suas irmãs de fé que constantemente a humilham ou simplesmente fingem que ela não existe.



Mas Indika não cessa aos sussurros ou maus tratos, mantendo-se centrada em sua fé independentemente do que o mundo arremesse em sua direção. Porém, a constante luta contra o inquilino de sua mente já está a deixando cansada, minando aos poucos sua sanidade e fazendo-a questionar o que antes era a maior certeza da sua vida: a existência de Deus.

Certo dia, Indika recebe uma simples missão de levar uma carta até um convento vizinho. Ela só não imaginava que essa seria a jornada mais importante da sua vida.

Um mundo distorcido

Para representar a loucura da mente da personagem, o jogo apresenta uma versão distorcida da nossa realidade. À primeira vista tudo parece normal, mas é só olhar um pouco mais atentamente para notar a estranheza das coisas, tudo parece maior do que deveria, as casas e as pessoas são estranhas… tudo para mostrar que esse mundo não é o que imaginamos.

Durante sua jornada, Indika presencia todos os tipos de atrocidades que a guerra pode proporcionar, isso, somado aos comentários do diabo em sua mente, faz ela questionar ainda mais se tudo aquilo que ela faz tem algum propósito ou se é apenas um trabalho vão.

Tudo parece cada vez mais perdido, até que alguém cruza seu caminho, alguém que acalentaria suas dúvidas e colocaria uma gota de esperança em sua mente, um veterano de guerra chamado Ilya.



Ilya teve seu braço machucado em combate e segue em sua própria peregrinação em busca do Kudets, um artefato capaz de realizar milagres, que ele acredita que pode curá-lo.

Ao saber que o Kudets estava em uma catedral na cidade vizinha, Indika desvia da sua missão para seguir Ilya e tentar de alguma forma fortalecer sua fé antes que o diabo a enlouqueça por completo.

Uma jornada repleta de quebra-cabeças

Em seu gameplay, INDIKA é extremamente simples, por ter um foco maior na história, o jogo não dispõe de combate ou mecânicas elaboradas. Todo o jogo gira em torno dos diálogos entre os personagens e quebra-cabeças que irão compor boa parte da jogatina.

Mas apesar de simples, ele está longe de ser enjoativo. Todos os quebra-cabeças são super criativos, interessantes e desafiam a inteligência do jogador. Tudo fica mais interessante por conta da estranha estética do mundo, como nada nessa versão da realidade faz sentido, o jogador precisará pensar fora da caixinha para entender como as coisas ali funcionam.



Para compor ainda mais a loucura da mente de Indika, o jogo conta com uma estética 8 bits em vários momentos que irão te pegar de surpresa, podendo te arrancar boas gargalhadas ou te fazer suar pelos olhos. Boa parte da estranha beleza do mundo está em sua trilha sonora composta por Mike Sabadash, misturando sintetizadores para dar uma estética 8 bits com pianos melancólicos.

Mesmo levantando vários pontos de discussão sobre filosofia e religião, o jogo não se preocupa em chegar a uma conclusão dos temas propostos, já que para muitos desses temas, não existe uma verdade absoluta e sim várias interpretações que dependem das experiências e vivências de cada pessoa. O seu objetivo é instigar a imaginação do jogador, fazendo-o refletir sobre esses temas, e dependendo das suas crenças, cada um pode tirar um ensinamento diferente, fazendo com que INDIKA seja uma experiência única para cada jogador.

Se você gosta de jogos focados em narrativa e bons quebra-cabeças, INDIKA é um prato cheio. São poucos os jogos que conseguem continuar em nossos pensamentos mesmo depois de os créditos subirem e com certeza este é um que permanecerá com os que se aventurarem nesse estranho mundo.


Prós

  • Enredo envolvente que promove reflexão e discussão;
  • Quebra-cabeças bem elaborados;
  • Gráficos e cenários impressionantes;

Contras

  • Curta duração;
  • Com exceção da protagonista, todas as expressões faciais são bem fracas;
INDIKA — PS5/XSX/PC — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela 11 Bit Studios


Um “arqueólogo de games” que adora falar das gemas ocultas do mundo dos jogos, tem o PS3 como console favorito e ama um bom hack and slash. Mesmo apreciando os jogos modernos, não dispensa uma boa velharia obscura do tempo que videogame era movido à lenha. Segue o pai.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


Disqus
Facebook
Google