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Análise: Little Kitty, Big City (Multi): descobrindo uma cidade repleta de aventuras pelos olhos de um felino

Acompanhe a jornada de um gatinho que, explorando a cidade grande, quer a todo custo voltar para seu apartamento (ou não).

Dentre os animais domésticos, os gatos são, indiscutivelmente, uma das espécies mais independentes, pois costumam gostar de sair por aí e explorar todos os cantos da cidade. Não é incomum encontrar tutores de gatos que têm a curiosidade de saber o que seus bichinhos de estimação costumam fazer quando estão longe de casa, mas… e se fosse possível descobrir o que eles andam aprontando? Essa é a premissa principal de Little Kitty, Big City, o título de estreia do Double Dagger Studio.


Perdido na selva de pedra

Neste bonito adventure 3D, controlamos um simpático gatinho preto que, acostumado ao conforto da vida em um apartamento, acaba caindo (literalmente) em uma enorme desafio: ao despencar da janela de sua residência, ele acaba nas ruas de uma grande cidade.

O que inicialmente pode parecer ser mais uma triste história do desencontro entre um bichano e o seu amoroso lar, na verdade, se transforma em uma inusitada e divertida aventura.

Logo após a queda, o pequeno felino acaba colidindo com um corvo, que conduz nosso protagonista ao início de sua aventura pela cidade ao propor a realização de algumas tarefas em troca de um suculento peixe. Esse item restabelece parte da força do bichano, permitindo que ele escale paredes, vinhas e outros elementos do cenário.

Por falar em bichano, em boa parte do game o pequeno gato é tratado carinhosamente pelos outros animais por “Chaninho”, sendo seu verdadeiro nome revelado bem mais à frente na aventura...

Na grande cidade de Little Kitty, Big City podemos controlar não apenas o caminhar do felino pelos cenários, mas também seu pulo e seu miado, agachar para passar por pequenas frestas nos muros, derrubar objetos com suas patinhas, correr pelas ruas, dentre outras ações interessantes.

O principal obstáculo que impede nosso pequeno protagonista de avançar livremente nas ruas é a água, presente em diversas poças nas ruas e avenidas, algo que Chaninho detesta em definitivo. Sabendo disso, devemos guiar sabiamente o gatinho por caminhos alternativos, como muretas e frestas, conhecendo no processo todos os segredos dessa grande aventura.

A sociedade animal 

Não é apenas com o corvo que Chaninho irá interagir para tentar voltar ao seu lar. Em todo o cenário de Little Kitty, Big City podemos encontrar diversos animais que precisam de ajuda para realizar alguma tarefa ou querem te ajudar em troca de algo.

Vários cachorros e gatos, um esperto guaxinim, um pato e seus filhotes e até mesmo um camaleão poderão ser encontrados pela cidade, propondo alguma atividade e ajudando Chaninho de diversas formas.

Como não poderia deixar de ser, diversas pessoas transitam diariamente em uma cidade grande. Podemos interagir com elas de diversas formas, recebendo carinhos, fazendo-as tropeçar e coletando seus pertences ou mesmo deixando que elas satisfaçam seu irresistível desejo de tirar uma foto do amiguinho peludo.

São tão diversas as tarefas e atividades que podemos fazer que, por vezes, acabamos até esquecendo de que queremos mesmo voltar para casa… afinal, queremos mesmo?!

Algumas das “moedas de troca” no game são os tiricuticos, pequenos pedaços de metal reluzentes amados pelo corvo, e penas azuis, coletáveis ao se conseguir capturar (e soltar) outros pássaros encontráveis pelo cenário, usando as habilidades especiais que só um exímio felino conseguiria aplicar.

A conversação animal é constante em diversos momentos do game, sendo utilizado o recurso dos balões de texto, intercalados com os sons característicos dos animais (miados, latidos, pios, dentre outros).

Embora a presença dos diálogos permita uma maior imersão na história, em determinadas situações seu uso acaba excedendo o razoável. Em alguns momentos enfrentamos mais de vinte balões de texto por interação, o que acaba quebrando um pouco o ritmo das ações.

Personalização e referências

Em Little Kitty, Big City são disponibilizadas diversas opções de toucas, chapéus e vestimentas para personalizar a cabeça do personagem principal da aventura, sendo elas obtíveis após se concluir determinadas tarefas ou por meio da troca de tiricuticos com o corvo.

As vestimentas não apenas dão um aspecto charmoso ao pequeno gato, mas algumas delas apresentam também características úteis a determinados momentos da aventura, como quando Chaninho “se passa por um cachorro” e consegue atravessar a rua sem se assustar com os latidos de um “amigo” canino.

Outro aspecto interessante do jogo, desbloqueável após a realização de determinada tarefa, é a presença de um modo foto. As imagens podem ser salvas e compartilhadas com as mais diversas poses de Chaninho e seus amigos.

Os desenvolvedores do game capricharam nos detalhes, tanto em relação às vestimentas de personalização do personagem quanto às referências culturais presentes pela cidade. De clássicos do cinema a lendas dos videogames, como Street Fighter II, há muitos homenageados em determinados momentos da aventura.

Um grande ponto positivo do game é em relação à tradução magistral de seu conteúdo para o português brasileiro. Seja nas falas entre os animais, nas conquistas a serem desbloqueadas ou em outros elementos de interação, vira e mexe encontramos várias referências culturais bacanas adaptadas ao nosso país.

Um ode à paz

O estilo gráfico de Little Kitty, Big City lembra muito o de um desenho animado, tanto em relação aos personagens e cenário quanto aos elementos de interação e telas de menus.

A cidade retratada, de inspiração japonesa, é bem detalhada, muito bonita e transmite uma sensação de paz e tranquilidade ao ser explorada nesta aventura.

Por falar em paz, um aspecto interessante do título é que, diferentemente de outros jogos do gênero adventure 3D, não há um conceito de “penalização ou morte”. Mesmo se despencarmos do último andar de um prédio, nada de mal acontecerá com Chaninho.

Talvez seja algo deliberadamente criado pelos desenvolvedores como forma de se homenagear os pets, seres tão puros e que, concordando com os developers, acredito não merecerem sofrer jamais.

Comece aqui, continue lá

A versão de Little Kitty, Big City para Xbox é aderente ao programa Xbox Play Anywhere da Microsoft. Isso significa que podemos começar a jogatina no console e, posteriormente, continuar a aventura em nossos PCs com Windows 10 ou 11, instalando o game por meio da Microsoft Store.

Experimentei a funcionalidade e fiquei positivamente surpreso ao poder continuar a aventura em meu PC exatamente do ponto em que parei em meu Xbox One, pois o save é compartilhado e armazenado na nuvem do Xbox.

Em relação às especificações técnicas necessárias, o “teste extra” foi realizado em um notebook com 7 anos de uso, sem placa gráfica dedicada. Ajustando a qualidade gráfica para níveis baixos, pude usufruir do game com boa estabilidade e fluidez. 

Nem tudo são flores

Embora a experiência em geral com o game seja majoritariamente positiva, ele ainda carece de alguns ajustes pontuais.

Além da já citada grande quantidade de diálogos presente em alguns momentos, a câmera, embora a maior parte do tempo responsiva, por vezes prega peças nos jogadores, se posicionando atrás de paredes, sobretudo em partes do cenário com ruas mais estreitas. Desse modo, é necessário fazer ajustes constantes do point of view por meio do segundo analógico (no console) ou com o mouse (no PC).

Pode ser notada também a presença de glitches em alguns momentos da aventura, como ao aproximar o gato da câmera no modo foto ou ao tentar realizar determinadas ações sequencialmente de forma rápida, ocasionando sobreposição das ações e, em alguns raros casos, até mesmo travamentos.

A disponibilização de um mapa da cidade apenas a partir da conclusão de uma tarefa em específico também é capaz de frustrar alguns jogadores, que podem acabar se perdendo até encontrarem o destino correto para realização de algumas atividades.

Leveza e felicidade

Mesmo levando em consideração os aspectos que poderiam ser melhor trabalhados no game, não há como negar que Little Kitty, Big City é uma grata surpresa no mundo dos adventures 3D, trazendo diversão em um título leve e que consegue transmitir bem ao jogador o senso de aventura e brincadeira que os felinos da vida real devem sentir em seus passeios pela cidade.

Prós

  • Uma bela homenagem, em formato de game, à alegria de viver dos pets;
  • Cenários muito bonitos, com diversas áreas convidativas à exploração;
  • Grande quantidade de atividades e tarefas a fazer, além da presença de itens coletáveis e de conquistas;
  • Possibilidade de continuar a jogatina entre dispositivos diferentes (Xbox e PC);
  • Muitas referências a elementos da cultura pop, além da ótima localização do título para o português brasileiro.

Contras

  • Quantidade de diálogos entre os animais em determinados momentos passa do razoável;
  • Necessidade de se corrigir manualmente o posicionamento da câmera em determinados cenários;
  • Presença de alguns glitches que podem atrapalhar a experiência.
Little Kitty, Big City — XBO/XSX/PC/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: XBO
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise realizada com cópia digital cedida pela Double Dagger Studio

Entendo videogames como sendo uma expressão de arte e lazer e, também, como uma impactante ferramenta de educação. No momento, doutorando em Sistemas da Informação pela EACH-USP, desenvolvendo jogos e sistemas desde 2020. Se quiser bater um papo comigo, nas redes sociais procure por @RodrigoGPontes.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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