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Análise: The Bridge Curse 2: The Extrication (Multi): terror em uma faculdade com histórico sombrio

O jogo de terror da Softstar nos leva a vasculhar um prédio de faculdade à noite e descobrir vários segredos de sua história.

The Bridge Curse 2: The Extrication
é um jogo de terror da Softstar Entertainment publicado no Ocidente pela PQube Games. A obra acaba de chegar ao PC e será publicada também para PlayStation 4, 5, Switch, Xbox One e Xbox Series X|S ainda em 2024. Como parte de uma franquia multimídia, mergulhamos em um universo com elementos sobrenaturais.

À noite na faculdade

The Bridge Curse 2 se passa na Da Ren, um dos prédios da universidade Wen Hua. Lendas urbanas contam histórias sobre esse lugar ter sido palco de grandes tragédias que envolvem até mesmo assassinatos, levando as pessoas mais inclinadas a questões sobrenaturais a investigá-lo. Com a recente produção de um filme de alta popularidade com base nessas histórias, uma jornalista decide buscar a verdade por trás de tudo.
 
Além dela, temos três outros protagonistas, todos despreparados para o que estava por vir, e a trama muda de perspectiva conforme avançamos pelos capítulos. Aos poucos, vamos explorar a Da Ren mais a fundo e conhecer cantos que trazem à tona o aspecto mais macabro do prédio, que data desde a sua fundação.
Conhecer mais a fundo a mitologia por trás dos misteriosos casos da Da Ren é um dos charmes da experiência. Temos vários itens espalhados pelos mapas que servem como colecionáveis e permitem entender a fundo a ambientação. Isso ajuda também a valorizar a exploração e é possível conferir quantos itens foram coletados e o número total no menu inicial, caso o jogador queira refazer um capítulo em particular.
 
O jogo está disponível em português, o que deveria facilitar a imersão, mas na prática as coisas não são tão simples. A tradução oscila entre momentos bem fluidos de leitura e outros cheios de equívocos, como tratar personagens femininas no masculino, frases sem sentido por uma tradução muito direta e até a eliminação do destaque de cor de pistas para a resolução de puzzles. No fim das contas, esses erros se acumulam o suficiente para considerarmos a versão brasileira ruim.

Exploração e tensão

The Bridge Curse 2 é uma aventura de terror em primeira pessoa. Observamos o mundo pelos olhos dos protagonistas e há um bom trabalho nos aspectos sonoro e visual para construir a atmosfera, com ambientes escuros e bom uso de ruídos. Há belos enquadramentos da câmera, geralmente entortando a visão para deixar tudo um pouco mais sinistro do que o normal.

Infelizmente, os encontros com criaturas e momentos de pânico são um tanto óbvios. Especialmente nos primeiros capítulos, o que era para causar medo se resume muitas vezes a momentos cinemáticos seguidos por trechos de furtividade. Apenas quando já fomos apresentados aos inimigos, é necessário prestar atenção nos arredores e na trajetória das criaturas para poder avançar.
Ao retirar o controle do jogador e gastar um tempo com animações em cutscene, a campanha acaba tendo o efeito oposto ao desejado. Me senti verdadeiramente relaxado durante vários momentos de exploração, tendo a certeza de que a aparição de qualquer criatura viria apenas após uma cutscene e um salvamento automático. Sem a responsabilidade de manter meu personagem vivo, a tensão de ir de um ponto a outro no mapa se dissipava totalmente.

Nos momentos finais, porém, temos trechos de fuga bem intensos, em que a chance de falhar é alta. Há bloqueios sobrenaturais que aparecem na hora que chegamos e nos forçam a reagir rapidamente para buscar o caminho correto em desvios. Podemos até ter o apoio de uma lanterna mágica ou de talismãs, mas a sensação de fragilidade durante esses trechos é um forte fator para causar medo.
Além de momentos de stealth e fuga acelerada, temos vários puzzles para resolver no caminho. Eles são geralmente bem simples, envolvendo apenas encontrar pontos de interesse, porém são bem-estruturados o suficiente para que o jogador geralmente precise prestar atenção em inscrições e detalhes nas adjacências para avançar.
 
Também temos à nossa disposição um celular, mas interagir com ele é algo totalmente ignorado após a sua introdução inicial. Essa mecânica poderia ter sido melhor aproveitada ao longo do jogo para apresentar um pouco da visão de fora da Da Ren ou expandir detalhes da narrativa, então é uma pena que tenha sido deixada de lado tão rapidamente.

Gostaria de destacar que só temos um save automático à disposição e ele sempre acontece quando avançamos na campanha. Ele é eficiente para a proposta e podemos refazer trechos do jogo através do seletor de capítulos.

Uma experiência básica, mas bem feita

The Bridge Curse 2: The Extrication
é um jogo de terror razoável com alguns momentos muito bons de angústia na sua reta final. Ele não se destaca em particular e a tradução deixa a desejar, mas oferece uma experiência que deve agradar aos fãs do gênero.

Prós

  • História interessante com elementos de ocultismo;
  • Puzzles simples, mas bem-estruturados;
  • A reta final tem ótimos momentos de tensão e fuga;
  • Os colecionáveis ao longo dos capítulos valorizam o senso de exploração dos jogadores.

Contras

  • A tradução para o português é cheia de erros;
  • Boa parte da experiência é telegrafada demais, a ponto de reduzir consideravelmente o peso da atmosfera.
The Bridge Curse 2: The Extrication — PC/PS4/PS5/XBO/XSX/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
 Revisão: Davi Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela PQube Games

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
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