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Análise: Samurai Warriors 4 DX (PC) traz de volta as disputas de samurais

Relançamento do penúltimo título da franquia Musou focada no Japão antigo entrega um pacote recheado de conteúdo.

Pegando todos de surpresa, a Koei Tecmo lançou Samurai Warriors 4 DX no PC no dia 13 de maio sem aviso prévio. Esta é a versão mais completa do jogo de ação em estilo Musou originalmente lançado em 2014 e se mostra um pacote bem respeitável.

Múltiplos modos

A franquia Warriors é conhecida por explorar o conceito de enfrentar muitos inimigos em paralelo. Ter um comandante bravamente destroçando hordas com centenas de indivíduos é uma experiência de poder empolgante e bem divertida.

Enquanto Dynasty Warriors cobre os eventos do lendário Romance dos Três Reinos da China antiga, a linha Samurai Warriors nos transporta para o Japão. No contexto nipônico, nos vemos em um universo mítico de samurais, tradição e honra recheada de intrigas políticas.

Como parte dessa experiência, podemos controlar figuras icônicas da história japonesa, como Yukimura Sanada, Nobunaga Oda e Masamune Date. Nem todos conviveram juntos — e há até certas incompatibilidades de era que impedem certas combinações de serem factíveis —, mas o jogo explora tanto alguns elementos mais possíveis de ficção histórica quanto a chance do jogador aproveitar tudo do seu jeito.

Ao todo, Samurai Warriors 4 DX conta com três modos principais: Story, Free e Chronicle. O primeiro é justamente focado em explorar as lendas dos eventos da era Sengoku, restringindo as opções de personagem de acordo com facções e contexto histórico. Já o Free Mode permite jogar os mesmos mapas com os personagens que quisermos.



Já o Chronicle Mode é focado em criarmos um personagem original para explorar o Japão enfrentando vários guerreiros e firmando amizades com alguns deles. Podemos ir para o lado que quisermos, batalhar contra os personagens que lá aparecem e usar lojas. Juntando os três modos, temos bastante conteúdo para explorar.

Temos também um Dojo, que é o menu com extras como biografias dos personagens, cenas de eventos e músicas. Tudo que desbloqueamos é reunido aqui, sendo possível ver a porcentagem atual, o que ajuda o jogador a compreender a quantidade de coisas que ainda pode encontrar fazendo missões.

Missões e fases

Em termos de gameplay, uma vez selecionada a missão que iremos fazer, devemos concluir vários objetivos que variam de acordo com a fase. Cada área possui um objetivo principal que deve ser alcançado para vencer e várias missões secundárias no meio do caminho.

Nem sempre iremos ver essas tarefas além da principal, pois elas dependem de várias circunstâncias de combate, adicionando motivações para jogar novamente. Infelizmente, é uma pena que elas sejam ocultas, pois seria muito bom ter pistas de como desbloqueá-las após terminar a fase. Há indicações de personagens apenas, mas falta clareza para o jogador poder abusar das suas opções para fazer tudo.

Dentro da fase, temos que enfrentar vários inimigos com o nosso personagem, mas é importante ter em mente o objetivo. Não adianta apenas sair batendo em milhares de inimigos irrelevantes enquanto seus aliados estão sofrendo perdas; é fundamental cumprir missões e reduzir o moral dos inimigos, ocasionalmente auxiliando aliados que não controlamos diretamente no processo.

Dependendo da fase, é necessário proteger certas unidades ou evitar que os inimigos alcancem determinadas áreas. Há ainda uma espécie de quiz no modo Chronicle em que devemos eliminar o inimigo que corresponde a perguntas como “Quem é o dragão de Echigo?”. Essas questões podem ser bem difíceis para quem não é familiarizado com o contexto do Japão antigo, mas são bem interessantes.

Partidas, controles e performance

Em termos do combate em si, podemos alternar entre duas unidades no modo single player ou jogar com outra pessoa em co-op local ou online, sendo possível convidar um amigo ou tentar se juntar a uma partida. Infelizmente, achar uma sessão é complicado, e não tive êxito com minhas tentativas de Quick Match.

É possível jogar com mouse e teclado ou controle, mas há alguns poréns. Provavelmente um dos mais graves é a forma como a customização de controles é precária: só podemos alterar os botões no menu inicial e é necessário ter dois controles para que duas pessoas joguem, ignorando completamente o teclado e mouse como opção viável.

Além disso, o jogo não reconhece controles adicionados após iniciar a partida. Juntando tudo, temos configurações de controle restritivas demais para um título que saiu no PC em 2024, dando a impressão de um port porco.

Apesar disso, a performance do jogo no meu PC foi boa, sem nenhum tipo de problema notável e mantendo os 60 fps definidos no menu gráfico, que também permite alterar a resolução e o uso de tela cheia. Há ainda configurações mais detalhadas, com uma opção de qualidade geral e ajustes específicos para sombras dinâmicas, oclusão de ambientes, reflexos e texturas.

Batalhas e repetição

Dito tudo isso, o ponto realmente central da experiência é o combate. Começamos com personagens limitados no nível 1, ainda incapazes de usar boa parte dos combos avançados. Conforme derrotamos inimigos e ganhamos experiência, desbloqueamos poderes variados e nossos personagens ficam significativamente mais poderosos.

Essas habilidades são mantidas entre os modos e as várias dificuldades, dando ao jogador um senso consistente de progresso. Os combos geralmente envolvem apertar várias vezes os mesmos botões em ordens específicas e as melhorias são geralmente aberturas de determinadas sequências que inicialmente não funcionam.

Temos também poderes especiais, equipamentos e itens que podem ser usados para ganhar mais experiência ou bônus em atributos específicos e montarias. Dentre essas opções, é só uma pena que os itens não tenham descrições claras sobre a quantidade de usos em combate.

Embora estejamos sempre apertando os mesmos botões, cada personagem tem um estilo próprio. As animações de ataques alteram a forma como estamos posicionados e nos deslocamos pelo terreno em busca de jogadas ideais para derrubar os oponentes e avançar pelo campo de batalha.

Apesar disso e das variações de objetivos dos mapas, a experiência tende a ser bem repetitiva pela própria natureza de apertar os mesmos botões várias vezes para lutar contra grupos de inimigos. Com o tempo, a proposta se mistura em uma massa amorfa, o que pode ser divertido para jogadores que querem justamente essas lutas sem freio, mas pode ser um marasmo para outros.

Também vale a pena comentar que o sistema de criação de personagens é bem rico em opções. Dá para fazer homens e mulheres com vários portes e estilos, incluindo alguns itens que eram DLC. Porém, é uma pena que alguns acessórios sejam mutuamente exclusivos, limitando consideravelmente os resultados.

Um bom pacote

Samurai Warriors 4 DX
é uma opção sólida de Musou no PC, oferecendo o nível de diversão esperado de um título da série. Com boa variedade de conteúdo, o jogo deve agradar fãs do gênero que ainda não haviam aproveitado Samurai Warriors 4, embora já tenha vários defeitos que não deveriam ser ignorados em um novo lançamento em 2024.

Prós

  • Os modos oferecem uma ótima quantidade de conteúdo para explorar;
  • Embora os botões dos combos sejam os mesmos, os personagens são bem variados em estilos de combate;
  • Sistema de objetivos secundários é uma boa motivação para rejogar áreas;
  • Sistema de criação de personagem possui vários detalhes para customizar;
  • Ótima performance no PC;
  • A galeria com biografias, cenas e músicas no Dojo valoriza a busca por tudo que o título tem a oferecer.

Contras

  • Mesmo com algumas variações, a experiência geral tende a ser bem repetitiva;
  • O menu não diferencia de forma clara itens que só podem ser usados uma vez por combate dos que podem ser ativados múltiplas vezes;
  • Impossibilidade de alterar controles fora do menu inicial e não-reconhecimento de controles ligados após o jogo ter iniciado;
  • Sistema de customização limitado em aspectos como acessórios;
  • Seria interessante ter pistas claras de como encontrar os objetivos secundários após terminar uma área;
  • Ajustar os controles para dois jogadores possui limitações estúpidas.
Samurai Warriors 4 DX — PC — Nota: 8.0
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Koei Tecmo


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
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