Blast from the Past

Tekken (Arcade/PS): referência em jogos de luta 3D completa 30 anos

O game é muito mais do que arremessos em penhascos.


2024 marca os 30 anos de uma das séries mais conhecidas dos jogos de luta: Tekken. Lançado nos arcades em 1994, o jogo foi portado para o PlayStation no ano seguinte. Sendo um sucesso de crítica e público, o título foi um dos principais responsáveis por popularizar as lutas 3D, ao lado de Virtua Fighter, da Sega.

O jogo foi desenvolvido pela Namco e era visto como uma opção de baixo custo para os arcades no lugar de Virtua Fighter 2. Dirigido por Seiichi Ishii, que havia trabalhado como designer justamente no principal game concorrente, o jogo chamou a atenção, entre outros motivos, por rodar a 60 fps, fosse na versão presente nos fliperamas ou na adaptação para o console da Sony.



Arremessando pessoas em penhascos

Heihachi Mishima é um lutador e dono de empresa (Mishima Zaibatsu) muito orgulhoso do estilo de luta que utiliza. Quando seu filho, Kazuya Mishima, tinha apenas cinco anos, Heihachi o jogou de um penhasco para testar sua força e saber se era merecedor de ser seu herdeiro.

Kazuya sobreviveu à queda e fechou um pacto com uma entidade conhecida como Devil para ser mais forte — esse trecho da história foi alterado nos jogos mais recentes, explicado com o gene demoníaco presente no sangue de Kazuya, herança recebida através da sua mãe, Kazumi Mishima.


21 anos se passaram e Heihachi decide criar um torneio para lutadores, chamado de King of Iron Fist Tournament (Rei do Torneio do Punho de Ferro, em tradução livre). O vencedor ganharia uma enorme quantidade de dinheiro, mas, para isso, precisaria derrotar o próprio Heihachi. Apenas uma pessoa teria essa oportunidade. E quem mais teve essa chance senão Kazuya? O jovem era um lutador invicto em outros torneios (apenas tendo um único empate, contra Paul Phoenix) e ganhou de todos os adversários para poder então se vingar de seu pai.

Após horas de confronto, Kazuya consegue finalmente sua vingança e o que ele faz imediatamente? Sim, arremessou seu pai do mesmo penhasco em que ele havia sido jogado. Além disso, ele assume o controle da empresa.

Kazuya era o protagonista da série, papel que logo na segunda edição foi contestado e tirado de vez do seu colo em Tekken 3, quando seu filho, Jin Kazama, passa a ter o papel principal. Mesmo assim, Kazuya acaba sendo um personagem extremamente relevante para todos os jogos da série, do primeiro ao mais recente (Tekken 8).

“Tá na hora do pau!”

Parte do que faz um jogo de luta ser bom é possuir um elenco diverso e carismático. E Tekken trouxe isso, tanto que quase todos os personagens retornaram na grande maioria dos jogos até hoje.
O elenco-base, presente na versão arcade, e que pode ser escolhido pelo jogador consiste em: Kazuya, Jack, King, Law, Michelle, Paul, Nina e Yoshimitsu.


Já na versão de PlayStation, outros personagens eram desbloqueáveis, geralmente apenas precisando finalizar o modo arcade com algum personagem específico. São eles: Anna Williams, Armor King, Ganryu, Kuma, Kunimitsu, Lee Chaolan, P-Jack e Wang Jinrei.
Outros dois lutadores precisavam de missões específicas. Para liberar o boss final, Heihachi, era preciso vencer o modo arcade com qualquer personagem dos iniciais em menos de 5 minutos e 30 segundos e sem perder uma partida sequer.

Para desbloquear Devil era necessário vencer os oito estágios do minigame de Galaga, presente na tela de loading (antes de o game carregar). Apesar de ser colocado como uma entidade separada, Devil nada mais é do que uma skin para Kazuya. Não apresentava golpes novos e nem era mais forte.


Um dos pontos que chamou a atenção em Tekken é que cada lutador traz seu estilo próprio de combate, geralmente baseado em algum tipo de luta real. Com exceção dos clones de nome parecido (P-Jack e Armor King), cada lutador era único. Por isso, mesmo com um número inicial reduzido de opções, o jogo trouxe bastante variação.

Tekken também se destacou pelos comandos diferentes. Em vez do costumeiro soco fraco e soco forte, por exemplo, o game trouxe soco direito e soco esquerdo. Isso fez com que a jogabilidade fosse mais intuitiva, pois bastava olhar o que o personagem fazia que era possível deduzir o comando.

Início de uma era

O game foi bem recebido por público e crítica desde o seu primórdio. Mesmo quando ainda era um protótipo, nomeado Rave War, os elogios não paravam de surgir.

As notas dadas pela mídia especializada oscilam entre 80 e 90 em sua maioria, com algumas exceções para mais e para menos. Tekken chegou a receber títulos de recordes do Guinness Book em sua edição especial de games, entre eles o de ser o primeiro título de PlayStation a vender mais de um milhão de unidades.


Mesmo sendo apenas o 54º jogo mais vendido do console da Sony, o jogo foi impactante o suficiente para catapultar seus sucessores: Tekken 2 aparece como 15º título mais vendido, enquanto Tekken 3 está no top 5.

Tekken hoje é sinônimo de qualidade em jogos de luta 3D. Prova disso é como a franquia se manteve viva e relevante nas mais diversas plataformas ao longo desses 30 anos.

Revisão: Ives Boitano


Jornalista, Técnico no papel, engenheiro não praticante e mestre Pokémon nas horas vagas. Passa 80% do tempo falando de games. Nos outros 20% torce para alguém falar sobre games, só para poder falar mais um pouco.
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