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Análise: Teenage Mutant Ninja Turtles Arcade: Wrath of the Mutants (Multi) desperdiça o carisma dos heróis em um produto sem tempero

Baseado em um show mais recente, o novo visual não esconde as falhas estruturais que tornam o jogo fraco e sem apelo.

Lançado para os Arcades em 2017, Teenage Mutant Ninja Turtles Arcade: Wrath of the Mutants é um beat ‘em up inspirado nas aventuras do quarteto de répteis cascudos adolescentes que moram em um esgoto e são treinados pelo rato Mestre Splinter. Por mais que a combinação de porradaria lateral e Tartarugas Ninja seja uma fórmula de sucesso, nem sempre dá para viver só do legado da franquia.

Está tudo ali, mas não está

Wrath of the Mutants é inspirado na animação de 2012, transmitida pela Nickelodeon, mas busca referências nos jogos clássicos da franquia, como o célebre Turtles in Time. A mecânica é simples e o objetivo é o de sempre: finalizar todos os estágios para dar uma surra no Destruidor no embate final. Inclusive, vale citar que há diversos elementos clássicos que foram inseridos para acionar a memória afetiva dos jogadores, como os buracos no meio do caminho, os ninjas de cores diferentes e até os agarrões que arremessam os inimigos em direção à tela. 

O visual mais moderno e tridimensional até que dá um sopro de novidade, já que a maioria das aparições das Tartarugas Ninja nos games, pelo menos nos memoráveis, sempre está ligada à sua identidade oitentista. Entretanto, as coisas boas param por aí, pois Wrath of Mutants se torna um tanto quanto decepcionante no restante.

O principal, que é a jogabilidade, se resume a dois comandos: correr e pular, que é o básico em todo beat ‘em up, e ainda há um botão para um golpe especial. Ainda assim, parece que falta algo, como uma esquiva ou rolagem. Digo isso pois, mesmo que lentamente, há inimigos que conseguem te acertar sem pressa nenhuma pelo simples fato de aparecerem em uma direção contrária à do nosso personagem.

Um fato que influencia diretamente nisso é que ao começarmos uma sequência de golpes, dificilmente conseguimos interrompê-la ou mudar de sentido, o que deixa os protagonistas completamente vulneráveis. Essa situação piora nas lutas contra os chefes, já que quando eles entram em um breve momento de invencibilidade, ficamos abertos a ataques fortes e isso fatalmente nos arranca algumas vidas, mesmo no nível de dificuldade mais fácil.

Mesmo adotando o manjado esquema de usar padrões diferentes de cores para tornar as investidas inimigas fáceis de identificar, esse problema afeta bastante o ritmo da ação. Parece que a única alternativa para não ser atingido é ficar pulando a todo momento, e ainda assim isso não dá uma garantia de um triunfo sem gastar alguns continues.

Para completar o show de horror, temos a parte sonora, que peca tanto pela presença quanto pela ausência. Como isso é possível? Eu explico. As músicas das fases simplesmente não têm impacto nenhum e chegam até a sumir em alguns momentos. Chequei diversas vezes se era o volume do meu televisor que estava baixo ou se eu, sem querer, acabei zerando o volume geral nas configurações, mas não foi o caso. É a música mesmo que vai se escondendo.

Por outro lado, as quatro tartarugas simplesmente repetem as mesmas frases a todo momento. Na primeira vez é bacana; na segunda, continua legal; na décima-quarta, já é bastante irritante. A ideia de colocar falas sempre é válida, mas toda repetição exagerada causa incômodo.

Entretanto, pelo menos para mim, a mancada mais grave está no multiplayer. Assim como nos jogos clássicos, podemos contar com até quatro jogadores para finalizar a aventura simultaneamente. Só que isso acontece apenas se houver quatro participantes conectados de maneira local. Por fim, é possível registrar suas pontuações em um ranking global, mas é quase impossível fazer uma boa marca jogando sozinho.

Isso torna o título muito menos atrativo que o excelente Shredder 's Revenge, ou a Cowabunga Collection, que trouxe conectividade em rede para títulos antigos como Turtles in Time e Hyperstone Heist.

O time tem que estar junto para vencer

Uma das particularidades de Wrath of the Mutants que eu até achei interessante é que podemos escolher qualquer uma das cinco fases para começar a jogar: Parque de Diversões, Esgotos, Cidade de Nova York, Dimensão X e T.C.R.I. (Instituto de Pesquisa Techno Cosmic). Finalizando todas, liberamos o combate final contra o Destruidor. Em todas elas, temos que derrotar dois chefões, um na metade e outro no final.

Outro ponto positivo que merece ser ressaltado é que, apesar das hordas de inimigos iguais para todas as fases, os elementos dos cenários são únicos. Se no esgoto arremessamos latões de lixo tóxicos, no parque podemos acertar os inimigos com ursinhos de pelúcia, por exemplo.

Outra ideia boa, mas que poderia ter rendido mais, é que podemos coletar itens que convocam um ajudante para limpar a tela. Infelizmente, apenas Metalhead e Leatherhead aparecem no auxílio. Do mesmo jeito que os itens seguem a temática dos cenários, seria bacana se essas interações também continuassem nesse fluxo. Personagens para isso não faltaria.

E por falar em escassez, Wrath of the Mutants traz pouquíssimo conteúdo. É pegar, jogar, finalizar e largar, seja sozinho ou em grupo. Não há nada que explore o universo das Tartarugas NInja no geral, nem da animação na qual foram inspiradas. 

A massa da pizza desandou…

Infelizmente, Teenage Mutant Ninja Turtles Arcade: Wrath of the Mutants oferece uma experiência muito aquém do esperado para um beat ‘em up das Tartarugas Ninja. A identidade visual baseada em uma animação mais “recente”, mesmo que no momento já existam outras mais novas, poderia ter sido um ótimo elemento, mas o conjunto insosso e desinteressante acabou afetando o que poderia ser mais uma ótima jogatina em grupo.

Prós

  • Ser baseado na animação de 2012 traz um ar mais jovial para quem estava cansado do visual baseado nos anos 80;
  • De maneira sutil, há referências aos jogos clássicos;
  • Poder escolher a ordem das fases é uma dinâmica interessante.

Contras

  • A jogabilidade é preguiçosa, resumida a dois comandos que não respondem tão bem;
  • Ausência de um recurso de defesa, como esquiva ou rolagem;
  • A trilha sonora some no meio do jogo;
  • As tartarugas simplesmente não calam a boca e repetem as mesmas frases;
  • Conteúdo raso, sem aproveitar o universo da animação para mais conteúdo ou modos extras;
  • Ausência de multiplayer online.
Teenage Mutant Ninja Turtles Arcade: Wrath of the Mutants — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 4.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Davi Sousa
Análise feita com cópia digital cedida pela GameMill Entertainment

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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