Blast from the Past

Aliens vs. Predator (Multi): a busca por uma boa adaptação

Relembre a adaptação dos aliens assassinos para os videogames que fechou a década de 2000.


Em 1979, foi lançado um filme que revolucionou a ficção científica de terror para sempre. Dirigido por Ridley Scott, Alien - O 8º Passageiro definiu vários conceitos que inspiraram diversas outras obras nas décadas seguintes. Com o sucesso, não demorou muito para que outras mídias criassem adaptações do Alien, principalmente a mídia do videogame.


A primeira tentativa de levar o Alien para os videogames veio em 1982, quando a antiga Fox Video Game lançou para Atari 2600 uma adaptação do primeiro filme que era apenas um clone de Pac-Man. Como era de se esperar, o jogo não fez nenhum sucesso e acabou caindo no esquecimento!

Nas décadas seguintes, várias outras desenvolvedoras continuaram tentando adaptar a grandiosidade do Alien para os videogames, sempre mirando nos grandes sucessos da época, como Doom, Contra, Final Fight e Streets of Rage, mas quase sempre sendo apenas cópias inferiores desses jogos.

A dificuldade de fazer uma boa adaptação

Tentar criar algo que fizesse juz à imagem do Alien em uma mídia interativa logo se provou uma missão complicada, mas em 1994 a desenvolvedora britânica Rebellion — que futuramente seria conhecida pela franquia Sniper Elite — aceitou a tarefa de tentar mais uma vez adaptar a obra de Ridley Scott para os videogames, desta vez em conjunto com outro ícone da ficção científica, o Predador.

Assim surgiu o tão querido por ninguém e esquecido por todos, Alien vs. Predator, lançado em 1994 para o Atari Jaguar. O jogo era um FPS bem inspirado em Doom que tentava trazer uma atmosfera de terror com o que era possível na época, mas infelizmente, por limitações de hardware, acabou ficando muito lento e confuso. Porém, a Rebellion não desistiu e tentou novamente em 1999, lançando praticamente um remake do original de 1994 e chamando-o apenas de Aliens Versus Predator.

Por se tratar de um exclusivo para os computadores da época, as limitações dos consoles já não eram mais um problema, o que gerou um jogo bem mais rápido que seu antecessor e que conseguiu realizar várias ambições que não eram possíveis no Jaguar, tendo uma ótima atmosfera de suspense em equilíbrio com a ação.


Porém, a Rebellion não parou por aí: mesmo tendo desenvolvido um ótimo jogo no final dos anos 90, a desenvolvedora britânica ataca novamente alguns anos depois, lançando seu terceiro título da franquia, e, em 16 de fevereiro de 2010, foi lançado para Xbox 360, PlayStation 3 e PC, Aliens vs. Predator.

Os soldados

Assim como seus antecessores, o jogo continua apostando na perspectiva em primeira pessoa, o que acaba funcionando melhor para alguns personagens do que para outros, já que existem três campanhas diferentes que podem ser jogadas com os soldados, o Alien e o Predador.

Na campanha dos soldados, é apresentada uma trama bem interessante, usando toda a mitologia do universo para contar uma história inédita. Na pele de um soldado sem nome, apelidado apenas de Rookie, o jogador irá enfrentar diversos desafios em um planeta desconhecido enquanto é incessantemente caçado por todos os tipos de criaturas.

Apesar de AvP ser um FPS, ele nem de longe se assemelha a um Call of Duty ou um Battlefield. Para combinar com a atmosfera de suspense e criar uma tensão constante, ele adota uma jogabilidade bem lenta e pesada, o que faz sentido, já que os soldados precisam usar roupas que aguentem as porradas dos monstros.

Apesar de lenta e um pouco diferente dos padrões atuais, a jogabilidade de Aliens vs Predator envelheceu bem, levando em conta a proposta diferente que o jogo adota.


O Alien

A campanha do Alien, por outro lado, pega todos os conceitos interessantes estabelecidos na campanha dos soldados e joga pela janela. Pode-se dizer que Aliens vs. Predator na verdade são três jogos em um, sendo o primeiro terço dele o melhor.

Assim como Resident Evil 6, todas as histórias se interligam e funcionam como partes isoladas de um todo; porém, nem todas essas partes são necessariamente boas de se acompanhar, fazendo o jogador muitas vezes se encontrar bocejando enquanto assiste às longas cutscenes.

A jogabilidade com o Alien é extremamente rápida, mas essa velocidade se torna frustrante uma vez que os controles não conseguem acompanhar o dinamismo do xenomorfo. É muito comum o jogador ficar tonto ou não entender se está andando no chão ou no teto.

E se você gostou de todo o aspecto de tiro mais lento e cadenciado da primeira campanha, sinto te dizer que o Alien conta apenas com dois tipos de ataques corpo a corpo — não dá pra esperar que ele pegue o rifle e saia atirando todo mundo, não é mesmo?!. A base da jogabilidade com o Alien é o stealth. Ser furtivo é a chave para se dar bem nessa campanha, já que o xenomorfo é extremamente frágil e morre com poucos tiros.

Apesar de ter alguns conceitos legais na teoria — mas que na prática são bem mal-executados —, o Alien é a parte menos interessante do jogo, seja por sua jogabilidade confusa, seja pela história dispensável e quase irrelevante para a trama geral.


O Predador

E eis que chegamos à campanha do predador, o último terço não tão bom do jogo.

É difícil dizer se a escolha da primeira pessoa para um personagem como o predador é a ideal. Apesar de não ser tão rápido quando o Alien, cambalhotar pelas árvores é uma coisa comum para o personagem. Sua jogabilidade não é tão boa quanto a dos soldados, porém, mais interessante e funcional que a do Alien.

Além dos ataques corpo a corpo, o arsenal de habilidades do personagem também conta com invisibilidade, tiros teleguiados, armadilhas que podem ser plantadas para atrair os soldados, visão de calor, etc. Ele é, de longe, o personagem com mais verbos do jogo; porém, muitos desses verbos não funcionam tão bem na prática.

As lutas contra chefes são desinteressantes e confusas, e a progressão recicla quase todos os mapas da primeira campanha, o que não chega a ser um problema, mas é nítido que o jogo carece de cenários que aproveitem melhor as habilidades do Predador, ficando restritas apenas a andar para frente e matar sem precisar criar muitas estratégias.

Por outro lado, as finalizações são algo a se aplaudir. Apesar de não ter uma grande variedade, todas elas são muito bem detalhadas. E falando em detalhes, toda a parte gráfica é bem caprichada e envelheceu bem. Mesmo mais de uma década depois do seu lançamento, ele ainda continua muito bonito em computadores modernos.


Apesar dos problemas, vale a pena tirar a poeira do console para jogar hoje em dia?

Se você, assim como eu, é um amante de jogos antigos e acha a sétima geração de consoles a melhor de todos os tempos, a resposta é sim. Particularmente, eu adoro me afundar nas bibliotecas desses consoles e descobrir algumas gemas ocultas que passaram despercebidas na época. E se você também compartilha desse hobby, não vai se arrepender. Mesmo não tendo envelhecido bem em todos os aspectos, o jogo tem conceitos muito interessantes que ainda podem ser divertidos hoje em dia, seja pela sua história ou bons gráficos.

Aliens vs. Predator ainda pode ser comprado em algumas lojas digitais como Steam, mas talvez não por muito tempo. Jogos antigos e obscuros tendem a ser abandonados e cabe a nós, amantes de velharias, manter suas memórias vivas. 

Revisão: Davi Sousa


Um “arqueólogo de games” que adora falar das gemas ocultas do mundo dos jogos, tem o PS3 como console favorito e ama um bom hack and slash. Mesmo apreciando os jogos modernos, não dispensa uma boa velharia obscura do tempo que videogame era movido à lenha. Segue o pai.
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