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Análise: Logiart Grimoire (PC) — Artes pixelizadas em centenas de quebra-cabeças

Solucione desafios lógicos para desvendar figuras e restaurar o livro mágico de Emil.


Logiart Grimoire
é o novo puzzle produzido e publicado pela Jupiter, mesma empresa responsável pela série Picross. Os enigmas visuais, conhecidos como nonogramas, estão presentes em mais de 400 fases, com os mais variados níveis de dificuldade e que também contam com ferramentas de assistência para deixá-los mais acessíveis. Apesar da simplicidade em alguns dos seus aspectos visuais e mecânicos, o jogo não deixa de ser um excelente atrativo para quem gosta desse tipo de passatempo.

Restaurando o grimório

Em Logiart Grimoire estamos na companhia de Emil Libraound, o guardião de um grimório que registra os Logiarts, figuras de elementos de todas as épocas da história. No entanto, uma magia estranha corrompeu o livro e, para restaurá-lo, precisamos resolver os enigmas guardados em suas páginas, que são representados por nonogramas, um tipo de quebra-cabeça lógico que envolve grades retangulares e números.

Em cada puzzle, nosso objetivo é pintar uma determinada quantidade de quadrados dentro da grade, de forma que o resultado final crie uma imagem pixelizada. Para isso, devemos seguir a indicação numérica disponível na borda da grade que indica quantos espaços próximos dentro das linhas e colunas devemos marcar. 




Cada número representa a quantidade de quadrados que devem ser pintados de forma contínua na linha ou coluna. Caso haja mais de um, devemos pintar dois blocos de quadrados de acordo com os algarismos indicados, mas entre eles deve haver pelo menos um espaço em branco. A dificuldade está em combinar essa dinâmica entre todas as linhas e colunas.

Os mais de 400 nonogramas estão distribuídos em diferentes modos de jogo. Na campanha, há 280 puzzles para serem resolvidos, categorizados em 11 tópicos de acordo com suas características. Os demais estão espalhados em seções das Logiarts fracassadas de Emil e em cartas misteriosas que chegaram para o grimório, que funcionam apenas como fases extras aos jogadores.




Um ponto positivo é que logo no começo já temos acesso a nonogramas de diferentes dificuldades. Enquanto jogadores novatos podem ir se acostumando com o desafio aos poucos, os mais experientes não ficam presos aos mais simples. Ainda nesse sentido, vale destacar o ótimo tutorial, que ensina passo a passo o processo lógico por trás dos desafios.

Em relação aos Logiarts, o tamanho das grades varia entre seis dimensões: 5×5, 10×10, 15×15, 20×15, 30×30 e 40×30. O primeiro é o mais simples, muitas vezes solucionado em menos de um minuto, mas, a partir do 15x15, as coisas ficam mais complexas — o 40x30 chega a ser desesperador. O lado bom é que o jogo conta com diversas ferramentas de auxílio, como a roleta de dicas — que soluciona uma linha e uma coluna do nonograma no início da partida —, um autocorretor de erros e um sinalizador de inconsistência, que aponta linhas e colunas preenchidas incorretamente.



Fundindo elementos para criar novas artes

Mesmo com sua simplicidade, Logiart Grimoire é um jogo divertido e cativante. A presença de Emil em algumas interações conosco, além de seu visual, traz um charme único à jogatina. Como o loop de gameplay se resume a selecionar um nonograma e resolvê-lo, essas interações ajudam a dar mais personalidade à obra. No entanto, senti falta de mais variações visuais, principalmente durante as fases, que contam apenas com a um fundo preto com efeitos coloridos.

Na tentativa de ter um diferencial em relação aos demais jogos criados pelo estúdio, a Jupiter implementou uma mecânica de fusão de elementos para tentar dar uma pequena camada de complexidade. Para desbloquear certos nonogramas, precisamos fundir dois ou três Logiarts já solucionados. Para isso, dicas são disponibilizadas — inclusive com cores indicando se temos ou não os nonogramas corretos — e precisamos combinar as figuras corretas para desbloquear o próximo desafio.




Essa mecânica funciona para quebrar o ritmo da jogatina, pois conseguimos dar uma respirada entre um estágio e outro, mas ela deixa a desejar na complexidade, pois não há punição em caso de erro e, na prática, não agrega muito ao jogo. Mesmo podendo desativar as dicas, a dificuldade é quase nula.

Focado em seu público

Logiart Grimoire não é nada além do que um grande catálogo de quebra-cabeças para os jogadores selecionarem e resolverem. Ele é repetitivo, claramente nichado para um público que gosta de resolver esse tipo de desafio lógico e não vejo nenhum outro atrativo para cativar jogadores que nunca experimentaram o gênero. Visualmente ele é agradável, mas limitado — faltam cores e efeitos para deixar a jogatina mais vibrante e atrativa.

Por outro lado, vale ressaltar a excelência na execução dos puzzles. A variedade é impressionante e o sistema de dicas o deixa mais acessível para que os jogadores novatos apreciem e se acostumem com a lógica necessária. A mecânica de fusões poderia ser melhor explorada, mas funciona como uma forma de quebrar o ritmo dos nonogramas. Dentro de sua proposta, Logiart Grimoire é uma excelente opção de passatempo para os amantes desse tipo de desafio.

Prós

  • Muitas ferramentas de assistência para os jogadores novatos;
  • Nonogramas de diferentes dificuldades estão disponíveis desde o início;
  • Tutorial excelente, com o passo a passo do raciocínio por trás dos nonogramas;
  • Os mais de 400 quebra-cabeças garantem dezenas de horas de jogo.

Contras

  • Os visuais são simples, apresentando cores e efeitos visuais pouco chamativos;
  • A mecânica de fusão é subutilizada e possui uma dificuldade quase nula.
Logiart Grimoire — PC — Nota: 7.5
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela Jupiter


É engenheiro geólogo, graduando em Engenharia Ambiental, entusiasta de novas tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Gosta de aproveitar o tempo apreciando RPGs, relaxando em simuladores de fazenda e curtindo uma boa música em jogos de ritmo.
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