Hands-on

BGS 2023 hands-on: Persona 3 Reload (Multi) se mostra uma estilosa reimaginação do icônico JRPG

A nova versão do terceiro título da franquia moderniza praticamente todos os seus aspectos originais.


Persona 3 foi o ponto de virada da franquia de JRPGs, pois introduziu inúmeros conceitos que passaram a ser marca registrada da série, como os trechos em que participamos da vida de estudante do protagonista e reforçamos seus laços de amizade. Lançado para PlayStation 2 em 2006, o jogo hoje está bem datado tecnicamente e mecanicamente, apesar de ser muito apreciado pelos fãs. Aproveitando a popularidade da franquia, a ATLUS decidiu trazê-lo de volta na forma de Persona 3 Reload.


A nova versão não é um simples remake, mas sim uma reimaginação do original, pois expande e moderniza muitos dos seus aspectos. Além dos visuais retrabalhados, o jogo recebeu muitas das mecânicas dos títulos subsequentes, como trocar de heróis durante o combate. Além disso, há a promessa de que o seu universo seja expandido com novos eventos e cenas de história. Na Brasil Game Show 2023, tive a oportunidade de testar uma versão demo do jogo no estande da SEGA e fiquei impressionado com o que experimentei.

Um grupo de estudantes enfrentando criaturas misteriosas

O mundo de Persona 3 é assolado pela Hora Sombria (Dark Hour), uma “hora oculta” que acontece entre um dia e outro. Nesse espaço de tempo distorcido, vagam criaturas conhecidas como Sombras (Shadows), que atacam humanos desprotegidos. Nesse contexto, acompanhamos o S.E.E.S. (Specialized Extracurricular Execution Squad), um grupo de adolescentes que luta contra as Sombras com a ajuda de Personas, que são a manifestação de seu eu interior.


No controle do estudante transferido Makoto Yuki, alternamos entre dois momentos. De dia, o rapaz vai para a escola e participa de atividades mundanas, como passear com amigos, fazer compras ou trabalhar em empregos de meio período. Na parte da noite, ele se junta aos seus companheiros do S.E.E.S. e explora o Tartarus, um imenso labirinto no formato de torre tomado de Sombras que aparece no local de sua escola durante a Hora Sombria.

A demo da BGS focava nos trechos de JRPG tradicionais em duas diferentes opções. Em New Moon, controlamos o protagonista, Yukari e Junpei em uma exploração inicial dos primeiros andares de Tartarus. Já em Full Moon, confrontamos o primeiro grande chefe da história em uma batalha no monotrilho.

Ainda falando sobre a BGS, foi a primeira vez que a SEGA participou do evento. O estande era muito amplo e bonito, repleto de artes do jogo exibidas em telões. Quatro estações de testes estavam disponíveis, mas, infelizmente, a demonstração da feira estava em inglês. De qualquer maneira, já foi confirmado que o título estará completamente localizado para o português no lançamento.



Escalando uma torre tomada por Sombras

Quem jogou o original deve concordar que explorar o Tartarus não era muito interessante, pois os mapas gerados proceduralmente eram simplórios e sem graça. Reload muda isso ao introduzir andares mais elaborados e com pontos de interação, como objetos que podem ser destruídos. Além disso, os cenários estão visualmente mais ricos, com mudança de escala da câmera que aproxima o jogador da ação. Aparentemente os andares ainda mudam a cada incursão, então pode ser que a exploração volte a ficar enfadonha com o tempo.

Já o combate por turnos mantém sua essência, com foco em explorar as fraquezas dos inimigos para conseguir movimentos adicionais. O sistema de batalha recebeu inúmeras novidades, tornando-o mais veloz e estratégico. Para começar, ao contrário do original de PS2, podemos controlar livremente todos os membros do grupo, algo essencial para montar estratégias. A interface é mais intuitiva, indicando com clareza vulnerabilidades dos oponentes, com direito até mesmo a um atalho para ativar automaticamente ataques que exploram fraquezas. Por fim, os comandos estão espalhados pelos botões do controle, tornando mais ágil escolher cada ação.


Mesmo se tratando do início do jogo, foi possível testar o Shift, uma das novas mecânicas de Reload. Ao explorar a fraqueza de um inimigo, podemos trocar para outro personagem, o que abre mais opções estratégicas. Além disso, observei que o ritmo acelerado dos títulos mais recentes está presente aqui. É divertido descobrir as fraquezas dos inimigos para obter turnos adicionais ou desferir um All-Out Attack, que agora conta com uma tela de finalização estilosa. Só faltou conferir os novos ataques especiais “Teurgia”, mas isso vai ficar para a versão final.

Os encontros normais são simples, já os dois chefes da demo exigiram maior cuidado e estratégia por serem mais poderosos e complicados. O chefe do monotrilho, em especial, foi eletrizante. Assim como no original, o monstro está controlando um trem para lançá-lo na cidade, e o grupo de protagonistas precisa impedi-lo. A batalha tem uma contagem regressiva e precisamos concluí-la em 30 minutos, o que traz um pouco de pressão. Aqui, uma novidade: o chefe acelera o veículo em momentos específicos do embate, trazendo ainda mais urgência ao combate. Fiquei tenso, mas consegui vencer faltando menos de dois minutos para o impacto.



Em um estiloso mundo de tons azuis

De longe, o aspecto mais impactante de Persona 3 Reload está na parte técnica. O visual é estonteante com gráficos elaborados e o uso de cores contrastantes para trazer impacto. A interface em tons azuis chama a atenção com silhuetas, elementos estilosos e belas ilustrações, em um design que passou a ser marca registrada da franquia. Por fim, o jogo roda a 60 quadros por segundo, trazendo uma fluidez impressionante aos combates e à exploração.


A melhoria visual também trouxe mais personalidade ao jogo. Em combate, os heróis executam movimentos elaborados e a animação de invocação de Personas é bem dramática — há uma sensação constante de estar participando de algo muito estiloso. Particularmente, gostei demais de concluir embates com o movimento combinado All-Out Attack: a tela de resultados fecha com uma bela ilustração do herói que desferiu o golpe fatal.

É impossível falar de Persona 3 sem mencionar sua pulsante trilha sonora. As composições que misturam pop e hip-hop foram retrabalhadas e agora contam com uma nova vocalista feminina, trazendo uma nova atmosfera musical à aventura. O icônico tema de batalha “Mass Destruction” tem um novo arranjo, e o trecho “baby baby baby” está diferente — é estranho no começo, mas logo me acostumei. Já a inédita “It’s Going Down Now”, que toca ao surpreender os inimigos, me conquistou com suas referências a outras composições do jogo ao mesmo tempo que soa completamente nova — fiz questão de começar as batalhas na vantagem para ouvi-la.



Um retorno promissor

A demo de Persona 3 Reload deu uma boa ideia do que esperar da reimaginação do JRPG. As alterações modernizaram o jogo, que agora está bem ágil e veloz, apesar de manter sua essência. Além disso, a ambientação está excepcional com visuais belíssimos e trilha sonora eletrizante. O foco na exploração de calabouços iniciais impediu de observar alguns aspectos mais complexos, como o dia a dia de estudante e algumas novas mecânicas, então será necessário esperar a versão final. De qualquer maneira, estou animado, pois tudo aponta para um ótimo jogo.

Persona 3 Reload será lançado em 2 de fevereiro de 2024 no PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series.

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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