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Análise: The Making of Karateka (Multi) — a maneira correta de se tratar os grandes nomes da indústria

Embarque em um documentário jogável que reúne horas de conteúdo sobre os primórdios do desenvolvimento de jogos.

em 29/08/2023
Jordan Mechner é uma das grandes lendas da indústria dos games. Ele foi pioneiro no uso da rotoscopia para capturar movimentos de pessoas reais e criar modelos virtuais a partir disso. Assim nasceram os clássicos Karateka e Prince of Persia.

Para homenagear sua trajetória, The Making of Karateka utiliza o lançamento do seu primeiro jogo para contar como foi a concepção de Karateka, bem como as visões e os ideias de Jordan ao criar seus primeiros protótipos.

Tudo começou no espaço 

The Making of Karateka torna possível ao jogador experimentar todos os protótipos feitos por Jordan até o seu primeiro lançamento oficial. Os jogos incluídos foram:
  • Asteroid Blaster - 1981
  • Star Blaster - 1982
  • Deathbounce (Primeiro protótipo) - 1982
  • Deathbounce (Protótipo à cores) - 1982
  • Deathbounce (Protótipo "Little Man") - 1982
  • Deathbounce (Protótipo "Space Train") - 1983
  • Karateka (Protótipo do Jordan) - 1984
  • Karateka (Protótipo Broderbund 1) - 1984
  • Karateka (Protótipo Broderbund 2) - 1984
  • Karateka (Apple II) - 1984
  • Karateka (Commodores) - 1985
  • Karateka (Atari 8-Bit) - 1985
  • Deathbounce: Rebounded - 2023
  • Karateka Remastered - 2023
Uma observação importante antes de eu começar a análise: The Making of Karateka não é apenas uma coletânea das versões de Karateka, mas sim uma espécie de documentário interativo que ilustra a carreira de Jordan Mechner. Isso quer dizer que a experiência completa inclui não só jogar os títulos, mas também ler os relatórios e assistir aos vídeos e entrevistas do próprio Jordan, além de diversos outros colaboradores que contribuíram com seus projetos.

As linhas do tempo interativas funcionam de maneira similar ao que Atari 50th Anniversary Celebration, só que, infelizmente, dessa vez não temos títulos desbloqueáveis escondidos. Ao todo são cinco áreas recheadas de registros históricos.

Dito isto, a linha do tempo se inicia com Jordan ainda adolescente, fazendo jogos para o então improvável Apple II, em 1981. Seu primeiro projeto foi o jogo Asteroid Blaster, que não foi publicado pois a Atari estava combatendo os jogos que eram cópias dos seus títulos, e no caso o modelo replicado foi o próprio Asteroids.

Foi a partir daí que Jordan começou a se empenhar mais no desenvolvimento de jogos e assim nasceu Deathbounce. Ele ainda carregava o DNA de Asteroids, mas começou a criar uma identidade que envolvia progredir por vagões de um trem espacial.

Ter um jogo de naves como Deathbounce ao lado de Karateka, que é focado em  ação/luta pode não fazer sentido, mas sem um não existiria o outro. Foi a partir do projeto recusado de Deathbounce que Jordan começou a explorar as novas tecnologias que deram origem à concepção de Karateka, além do uso da rotoscopia.

Em meio a tanta riqueza de conteúdo histórico, as legendas em português acabam fazendo falta, principalmente para acompanhar as diversas entrevistas disponíveis. 

Prestando o devido respeito

Sobre a emulação dos jogos: ela foi fielmente reproduzida, e como muitos deles se tratavam de protótipos, alguns sequer lançados, os "bugs" da época foram mantidos, mas não passam de slowdowns e variações de cores.

Todos os ports vêm com algumas comodidades dos tempos atuais, como a possibilidade de salvar e carregar o momento desejado, filtros de tela diversos e um botão para rebobinar alguns segundos e retomar decisões. Até mesmo os manuais dos protótipos foram incluídos, o que dá um toque especial ao conjunto.

Eu só senti falta de verdade da versão de NES de Karateka. Seria interessante fazer o paralelo do primeiro lançamento oficial, para o Apple II, com a versão produzida para um dos consoles mais famosos daquela época.

Em contrapartida, também dou destaque para o trabalho que a Digital Eclipse realizou em criar reimaginações tanto de Karateka quanto de Deathbounce. Ambas foram batizadas de Karateka Remastered e Deathounce: Rebounded, respectivamente. 

Karateka ganhou cores mais vivas e disposição widescreen, mas manteve sua jogabilidade básica. Já Deathbounce tem comandos um pouco mais responsivos, sendo muito superior aos seus protótipos e podendo até ser tratado como uma versão definitiva do shooter que estava engavetado por mais de 40 anos. Além disso, eles ganharam um conjunto de objetivos para incrementar seu valor replay e adcionar uma camada de desafio.

Uma lenda chamada Jordan Mechner

Muito mais que um compilado de protótipos, todo o arquivo histórico contido nas linhas do tempo de The Making of Karateka é muito interessante e eu super recomendo para quem gosta de saber mais sobre a criação de jogos feita antigamente. 

Só que este título não esconde em nenhum momento que seu valor é 100% documental, o que o torna um produto específico para um nicho bem particular do público.

"Minha meta para este verão é terminar o Karateka. Se isso for tão grande quanto nos meus sonhos, será o bastante para me colocar no Mundo do Videogame."

Jordan Mechner, em 1984

Prós

  • Linhas do tempo interativas com horas de entrevistas, além de documentos e imagens conceituais;
  • É uma maneira interessante e criativa de contar a história de um dos grandes nomes da indústria;
  • Inclusão de recursos modernos como Save State e o botão de rewind;
  • Versões reimaginadas de Deathbounce e Karateka são bonitas e uma ótima homenagem às originais.

Contras

  • Sem legendas em português;
  • Poderiam ter adicionado a versão de NES de Karateka.
The Making of Karateka — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Digital Eclipse

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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