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Análise: Valthirian Arc: Hero School Story 2 (Multi) mostra o quão trabalhoso pode ser criar novos heróis

O jogo se divide entre uma parte de administração muito boa e uma de RPG bem entediante.


Muitos heróis não nascem prontos, e nada melhor que uma grande escola para ensiná-los como seguir essa nobre carreira. Em Valthirian Arc: Hero School Story 2, estamos no papel de diretor(a) de uma importante escola de heróis localizada no continente de Valthiria, e nossas obrigações envolvem gerenciar recursos para que a escola prospere e educar os novos heróis que irão defender a população.

Esse jogo se destaca por sua parte de gestão, apresentando opções interessantes para educar os estudantes, atribuir-lhes classes e habilidades e enviá-los para missões. No entanto, quando precisamos sair para explorar o mundo, as coisas não ficam tão boas.



Uma escola para proteger o futuro

Há muito tempo, o poderoso Dragão das Trevas apareceu para destruir o continente de Valthiria e trouxe consigo uma legião de monstros. A população se uniu para derrotá-lo e, após muita luta, ela conseguiu selá-lo. Após a guerra, essa população se separou em quatro grandes nações, e seus líderes decidiram criar escolas de heróis para que a população tivesse proteção no futuro.

No game, assumimos o papel de diretor de uma dessas escolas, e nosso principal objetivo é gerenciar a instituição para que ela se desenvolva. Para isso, devemos planejar a construção e as melhorias dos novos prédios, programar o cronograma de estudos dos alunos e enviá-los a missões para derrotar monstros espalhados pela região. 




Além disso, também precisamos ter uma boa diplomacia com os líderes dos quatro reinos e tentar lidar com as reviravoltas que a história proporciona. No entanto, a forma como a história se desenvolve não é das melhores: os personagens são bonecos inexpressivos e sem carisma, os diálogos são rasos e as suas motivações são desinteressantes. Não há nem mesmo legendas em português para tornar esse enredo mais atrativo.

Para não dizer que tudo é um problema, vale destacar que as cutscenes são agradáveis, apresentando uma boa animação por meio de seu estilo gráfico em cel shading. Esses breves momentos destoam completamente do restante do jogo, em que tudo é muito estático e genérico. 



Um modelo de gerenciamento competente

Como um jogo de planejamento, Hero School Story 2 é bem competente e fornece muitas ferramentas interessantes para o jogador. Há dois recursos básicos que devem ser gerenciados: ouro e cristais. Eles são utilizados para construir novos prédios e melhorar os existentes, desenvolver os alunos e comprar recursos para as batalhas.

A passagem de tempo ocorre na forma de meses, com as estações do ano variando a cada quatro meses e o ano a cada doze. O tempo de graduação dos estudantes é de três anos, e de tempos em tempos novos estudantes passam a fazer parte da academia. Quanto mais alunos frequentarem a escola, mais recursos conseguimos para ela.




Na prática, a mudança de estações não modifica nada no gameplay, servindo apenas para introduzir alguns minigames ao jogador. Cada estação possui um jogo único, variando entre a pescaria, a natação, um concurso de boneco de neve e uma prova de quem come mais rápido. Apesar de ajudar a quebrar um pouco o ritmo monótono do jogo principal, esses jogos menores tendem a ficar entediantes graças a sua simplicidade. 

Os alunos se dividem em quatro classes — guerreiro, mago, clérigo e arqueiro —, e devemos planejar a forma como eles irão se desenvolver. Cada classe possui uma pequena árvore de habilidades única, e todos os níveis desbloqueiam uma nova habilidade para o herói. Ainda, é possível atribuir uma classe secundária para os alunos, diversificando seu uso em batalha e aumentado o fator estratégico.




Todo mês, precisamos tomar algumas decisões acerca dos alunos e da escola. Cada prédio da instituição consome certa quantidade de cristais para funcionar, e podemos regular a quantidade de investimento neles. Por exemplo, aumentando o investimento no prédio de mágica, conseguimos acelerar o desenvolvimento dos alunos da classe mago. O oposto ocorre caso decidamos diminuir o consumo de cristais.

Com os alunos, precisamos definir qual o cronograma de estudos que cada um irá seguir, quais habilidades poderão usar em combate e para quais missões serão enviados. Outro fator importante com que devemos lidar é o cansaço, pois cada ação consome a estamina dos alunos e, caso ela fique zerada, eles se tornam incapacitados por alguns meses.



Um RPG simples e problemático

A principal forma de conseguirmos ouro e cristais é enviando os alunos para missões. Todos os meses, podemos selecionar três estudantes para completar missões de história e secundárias, e nelas devemos cumprir uma série de requisitos. Nessa parte, passamos a jogar um RPG muito simplificado, com trechos de exploração e combate por turnos.

Os grandes problemas de Hero School Story 2 são vistos nessas missões. Primeiramente, as áreas que exploramos são pequenas, com uma estrutura genérica e inimigos espalhados de forma aleatória. A exploração é uma atividade maçante e entediante, pois as missões são muito simples e repetitivas. E como essa é a nossa principal fonte de recursos, passamos boa parte do tempo andando por essas áreas de um lado para o outro enfrentando monstros.




As batalhas funcionam como um tradicional RPG por turnos. Cada um dos heróis que levamos podem ter até duas habilidades de acordo com o desenvolvimento de sua árvore de habilidades. A ordem do combate é exibida na parte superior da tela e funciona da seguinte forma: cada inimigo atua individualmente, enquanto na nossa vez podemos escolher qual dos heróis irá atacar. 

Cada inimigo possui um ou mais escudos relacionados às classes dos heróis. Para quebrá-los, precisamos golpeá-los com ataques das referidas classes e enfraquecê-los. Nesse sentido, é importante planejar e atribuir classes secundárias para os heróis a fim de conseguir cobrir todas as variações de inimigos.

Mesmo que esse fator estratégico seja interessante, as batalhas se tornam repetitivas rapidamente graças a pouca variedade de monstros presentes. Com exceção dos chefes, os demais inimigos não são atrativos nem apresentam um desafio consistente.



Os dois lados da moeda

Valthirian Arc: Hero School Story 2 consegue apresentar dois pontos opostos em relação à sua qualidade. Na parte de administração, o título entrega um bom desafio, com diversas possibilidades de gerenciamento e planejamento de estudos dos futuros heróis. Já no RPG, ele falha em apresentar um conteúdo atrativo, entregando momentos tediosos e maçantes. Apesar de suas qualidades, é difícil recomendá-lo, visto que boa parte das horas de jogo vão ser explorando seus cenários genéricos e superando batalhas repetitivas.

Prós

  • O sistema de gerenciamento da escola é bem elaborado e divertido;
  • O combate apresenta uma boa dose de estratégia;
  • As cutscenes são um ponto alto da história, apresentando animações de qualidade.

Contras

  • A história é desinteressante, com personagens sem carisma e diálogos genéricos;
  • As partes de RPG são ruins, com exploração entediante, cenários mal elaborados e combates repetitivos;
  • Os minigames se tornam cansativos muito rapidamente.
Valthirian Arc: Hero School Story 2 — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 5.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Raquel Nascimento
Análise feita com cópia digital cedida pela PQube


É engenheiro geólogo, graduando em Engenharia Ambiental, entusiasta de novas tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Gosta de aproveitar o tempo apreciando RPGs, relaxando em simuladores de fazenda e curtindo uma boa música em jogos de ritmo.
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