Blast from Japan

Break Volley (PS): um jogo de voleibol divertido, porém com algumas falhas

Conheça esse game que apresenta uma grande variedade de cenários, quadras e equipes, mas que nunca saiu do Japão.

A geração 32-bits consolidou uma tendência, iniciada na geração anterior, de desenvolvimento de jogos de esportes com um maior nível de realismo e fidedignidade em relação às regras e características de suas contrapartes reais.

Essa foi a geração em que franquias como FIFA, NBA Live e Madden NFL definiram padrões e características de gameplay em ambiente 3D que serviriam de base para o desenvolvimento das suas próximas iterações, muitas até hoje sendo desenvolvidas.

Dentre os diversos tipos de esportes abordados nos videogames, os esportes coletivos apresentam um certo grau de dificuldade para serem adaptados pela questão dos controles: os métodos que os games apresentam para que o jogador controle todos os atletas e realize as interações entre eles podem impactar diretamente nos fatores diversão e realismo.

Este também é o caso do voleibol. Tentativas anteriores de adaptar o jogo aos videogames, como Volleyball (NES) e Virtual Volleyball (Sega Saturn), não renderam o esperado justamente pela dificuldade para realizar as ações e controlar bem as equipes.

A desenvolvedora japonesa Aqua Rouge Co. também resolveu encarar esse desafio e foi mais uma a elaborar um game desse esporte, lançando em 1999 Break Volley, desta vez para o PlayStation.

Equipes em quadra

Em Break Volley, temos à disposição uma grande quantidade de equipes de voleibol representando os principais países da modalidade à época: Cuba, Brasil, Itália, Rússia, China, Países Baixos (Holanda), Bulgária, Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão, Austrália e Canadá. Cada equipe possui características de jogo similares às da vida real: algumas apresentam comportamento mais ofensivo, mais defensivo ou equilibrado.

O game adota as regras do esporte válidas até o ano de 1998, ou seja, sets de até 15 pontos com "vantagem", termo usado à época para determinar que cada equipe só marca um ponto se vencer duas disputas de bola seguidas. 

É oferecida ao jogador a possibilidade de jogar com equipes masculinas ou femininas e as partidas podem ser disputadas entre equipes do mesmo sexo ou não. Também há a opção de criar uma equipe com suas próprias cores, bandeira do time e as características de jogo.

A equipe criada poderá enfrentar os times adversários em qualquer modalidade, e ganhando as partidas coletam pontos (TPs) que podem ser trocados por melhorias na capacidade da equipe atacar, se defender e se recompor, por meio do menu de Treino (Training)

Vôlei até na Lua

Break Volley oferece os modos de Exibição (Exhibition) e Torneio (Tournament). No modo Torneio, há uma sequência fixa de confrontos a serem realizados pelo jogador com sua equipe até se tornar o campeão, sendo que se o mesmo perder uma partida poderá repeti-la até conseguir vencer e avançar no torneio; já o modo Exibição permite que você selecione seu time, o do adversário e a quadra em que será realizada a partida.

Há uma variedade bem interessante de quadras, sendo três em ambientes “comuns” (quadras com arquibancada e torcida) e as outras sete em locais muito diferentes, como dentro da floresta, no meio de uma discoteca e até mesmo na Lua! De certa forma, jogar uma partida de voleibol na Lua pode tornar um saque “Jornada nas Estrelas” bem mais fidedigno…

A ambientação acompanha a imaginação dos desenvolvedores: na quadra ambientada em um templo budista, quem apita a partida é um monge; já na Lua, além dos astronautas na torcida, temos um árbitro extraterrestre. As músicas utilizadas durante as partidas também são um ponto positivo do game, pois são bem adequadas aos cenários apresentados. 

Controlando as equipes

Em Break Volley, utilizamos apenas os direcionais digitais e os quatro botões de face principais do controle do PlayStation (quadrado, círculo, triângulo e cruz) para a realização das ações em quadra.

A cada momento da partida, como em um saque, em um bloqueio ou em um ataque, os botões de face correspondem a determinadas ações que podem receber influência também por meio da utilização dos direcionais digitais.

Em uma situação na qual o jogador queira sacar mais próximo à rede, ele poderá utilizar o botão círculo e indicar para qual lado a bola irá por meio dos direcionais digitais; já para desferir um ataque pelo levantador (a popular “bola de segunda”), deverá pressionar o botão triângulo no momento exato.

O momento para a realização das maioria das ações é indicado por sinalizações gráficas, como alvos no chão e quadrados pontilhados exibidos em volta da bola quando estiver perto das mãos dos atletas. A sombra da bola também ajuda a nos guiarmos em determinados momentos.

O controle dos jogadores em quadra é feito em conjunto: por exemplo, quando uma equipe vai se defender, ao utilizarmos os direcionais esquerdo ou direito, ela se posiciona para a realização de um bloqueio (utilizando um dos botões de face) ou se reorganiza para receber a bola mais atrás. Não há a necessidade de controlar um personagem individualmente andando pela quadra, o que acaba facilitando na fluidez das partidas.

Break Volley suporta o uso do acessório PlayStation Multitap para que até quatro jogadores usufruam do game, porém apenas no modo Exibição. Todas as instruções para a correta utilização dos botões são descritas no manual do game, mas como o mesmo foi redigido em japonês, quem não conhecer o idioma acaba por ter que adotar o método de tentativa e erro.

Divertido, mas com suas falhas

No conjunto, Break Volley apresenta uma abordagem divertida do esporte e o visual cartunesco dos personagens e dos ambientes ajuda a entrar no “clima” do momento, mas existem algumas falhas que são dignas de nota.

Vamos começar pela tela de pausa. O jogo só pode ser parado antes da realização de um saque, e na tela exibida apenas são mostrados os pontos daquela partida, sem permitir que o jogador, por exemplo, volte ao menu inicial.

Na prática, isso significa que se você programou uma partida de três sets de 15 pontos cada com duas equipes controladas pelo computador, para voltar a jogar, só reiniciando o PlayStation mesmo.

Outro ponto que deixa a desejar diz respeito à apresentação gráfica. Por mais que as quadras e a ambientação sejam bonitas, o visual dos atletas é bem pouco detalhado, algo que, para um jogo de PlayStation em 1999, poderia ter sido melhor trabalhado.

Por último, não deixa de ser um pouco frustrante pensar que, na quadra instalada pela Aqua Rouge Co. na Lua, a gravidade é a mesma da Terra…

Relançamento

Por apresentar um ar bem “arcade” na jogabilidade e ter controles de fácil assimilação (ao menos para os falantes de japonês), em 2001 a D3 Publisher, subsidiária da Bandai Namco, relançou o game pela série Simple 1500 com o título Simple 1500 Series Vol.054 - The VolleyBall - Break Volley Plus.


A Simple é uma série de títulos desenvolvidos por diversas empresas e distribuídos pela D3 Publisher que apresentam em comum serem produtos de baixo orçamento e que em geral são interpretações simples de algum gênero de videogame ou esporte.  Foram lançados, por exemplo, jogos com títulos autoexplicativos, como “The Mahjong”, “The Bowling” e “The Tennis”.

Inicialmente, os lançamentos da série Simple recebiam o selo “Simple 1500 Series” por serem vendidos por 1500 ienes cada. Este também foi o caso de Break Volley Plus, que, apesar do “Plus” no subtítulo, não teve nenhuma melhoria substancial, apenas alterações em alguns detalhes, como na tela de título.

Entrando em quadra apenas no Japão

Após o lançamento de Break Volley, sua desenvolvedora não chegou a disponibilizá-lo fora do Japão; além disso, este foi o único exemplar do esporte desenvolvido pela mesma, o que acabou reduzindo muito seu alcance e reconhecimento posterior em outras regiões.

Mesmo assim, trata-se de uma experiência divertida que, apesar de algumas falhas de execução, consegue trazer disputas muito interessantes e diversão a quem se aventurar em suas várias quadras virtuais.

Revisão: Davi Sousa

Entendo videogames como sendo uma expressão de arte e lazer e, também, como uma impactante ferramenta de educação. No momento, doutorando em Sistemas da Informação pela EACH-USP, desenvolvendo jogos e sistemas desde 2020. Se quiser bater um papo comigo, nas redes sociais procure por @RodrigoGPontes.
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