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Análise: AEW: Fight Forever — você não vai querer lutar aqui para sempre

O primeiro jogo da companhia de wrestling tenta mostrar sua personalidade, mas tropeça já na entrada do ringue.

Chegou a hora de um novo concorrente tentar a sorte nos ringues virtuais. AEW: Fight Forever vem para ser uma opção à hegemonia da franquia WWE nos games, inclusive ele é produzido pela Yuke's, que era a responsável pelos jogos de John Cena e cia. antes de serem assumidos pela 2K.

Só a elite dos ringues

A AEW, sigla para All Elite Wrestling, foi fundada em 2019 e é considerada a segunda maior promoção de luta livre do mundo, atrás apenas da WWE. De maneira resumida, a companhia foi criada em resposta a um jornalista, que insinuou que dificilmente um evento que não fosse do WWE sequer venderia 10.000 ingressos.

Além dos donos Tony Khan e Shahid Khan, outros nomes que ajudaram na concepção da AEW foram os lutadores Kenny Omega, Matt e Nick Jackson (conhecidos como a dupla The Young Bucks), e Cody Rhodes — sim, o mesmo que atualmente está na WWE.

Atualmente, o elenco da AEW também tem nomes de grande impacto na luta livre, como o já citado Kenny Omega, além de MJF, Orange Cassidy, Kris Statlander, Riho e Adam Page. Além disso, várias estrelas que já foram da WWE atualmente migraram de companhia, como o lendário Sting, Jeff e Matt Hardy, Big Show (agora usando o nome Paul Wright), CM Punk, Chris Jericho e Daniel Bryan (agora usando o nome Bryan Danielson).

Um longo caminho pela frente

Infelizmente, o fato de ter sido produzido pela Yuke's, que já tinha experiência com o gênero, trouxe bastante expectativa para AEW: Fight Forever. E, infelizmente, ela não é bem correspondida.

Focando primeiro nos aspectos positivos, o jogo se distancia de toda a técnica de simulação do WWE, trazendo uma experiência mais voltada para quem curte algo simples, no estilo Arcade.

A jogabilidade é simples e fácil de ser aprendida. Temos o botão de ataque forte, o de golpe fraco, o de agarrão e os de bloqueio. Os especiais e movimentos únicos são feitos com apenas um toque no direcional ou no analógico direito e sempre que aplicados, um replay instantâneo de outro ângulo é mostrado, o que torna as coisas bem interessantes.

Ainda bem que os comandos são intuitivos, pois não há tutorial para aprendizagem e de início é um pouco bagunçado. Entretanto, algumas condicionais para aplicarmos os movimentos mais elaborados podem dar uma certa dor de cabeça, pois nem sempre o comando responderá prontamente, mesmo atendendo a todos os requisitos necessários.

Referente à movimentação, temos mais alguns deslizes. Primeiro que a sensação de lentidão aparece em diversos momentos, principalmente pelo fato de não ter botão de corrida. Ou seja, os lutadores só podem dar passos simples em direção ao seu rival.

Um problema bem mais sério está nas partidas que envolvem três ou mais participantes simultaneamente no ringue. Mesmo podendo focar em um alvo específico, é bem comum que os demais oponentes troquem sua vítima, o que fatalmente nos faz ser atingidos por alguém que não estava na nossa mira.

Isso ainda piora nos eventos do tipo Casino Battle Royale, no qual vários competidores vão entrando na arena e são eliminados ao serem arremessados para fora. Inexplicavelmente, alguns lutadores são arremessados para longe com ataques que não foram direcionados a eles.

O caminho para a glória

Em relação aos modos de jogo, Fight Forever trouxe opções bem básicas. Temos os clichês da luta livre: disputas de 1vs1 simples, com escada ou em ringue de arame farpado; 2vs2; 3vs3; e disputas para quatro competidores, sendo cada um por si.

Todas essas modalidades já vêm com as regras definidas, o que tira a liberdade de customizar cada partida. Há as disputas online ranqueadas e casuais, mas como recebi o código do jogo antes do lançamento, não foi possível testá-las.

O modo carreira aqui chama Road to Elite, e consiste em criar o seu wrestler, ou escolher um do elenco, para que ele vivencie o calendário anual da AEW, bem como seus quatro principais eventos: All Out, Full Gear, Revolution e Double or Nothing.

Nosso amador pode, além de lutar toda semana, passear pela cidade, participar de talk shows, treinar, ir ao restaurante e participar de outros eventos opcionais, como o Dynamite e o Rampage. Tudo isso rende dinheiro, pontos de habilidade e moral. Ainda assim, é um modo bastante repetitivo e que dificilmente prende a atenção do jogador, mesmo ignorando as demais tarefas e fazendo só as 12 lutas obrigatórias.


Além disso, a versão do PlayStation 4 traz um bug que encerra o jogo. Ao criarmos nossa superestrela, podemos escolher desde a sua fantasia até os movimentos. Só que ao definirmos a roupa urbana do personagem, que é usada quando ele interage com outros integrantes da AEW nas cenas, o jogo fecha e não salva as últimas alterações.

Tirando este detalhe, a customização até faz um bom trabalho, com diversas opções de roupas, acessórios, pinturas corporais e até mesmo uma fantasia de urso - que eu confesso que foi minha escolha direta. Há também uma grande quantidade de provocações e movimentos para escolher, sendo possível até mesmo "criar" o seu combo.


Quanto à criação de arenas, essa é um pouco mais limitada. Escolhemos a cor e padrão dos pisos, rampas e afins, além de colocarmos objetos, que vão desde estátuas e globos holográficos até cavalos. Ainda assim, não há muitas opções para criarmos algo chamativo de verdade, pois só podemos contar com os modelos já contidos no jogo, sem poder criar algo novo do zero.

Infelizmente, não é possível compartilhar as nossas criações com outras pessoas em rede. Levando em consideração o nível de liberdade dado pela concorrência, seria muito proveitoso baixar modelos feitos por outros jogadores.


Por fim, temos alguns minigames, mas inexplicavelmente, a maioria deles só pode ser jogada no Road to Elite, como uma das tarefas para ganhar dinheiro. O menu principal só dá acesso a três deles, então não fica claro quantos minigames realmente há ao todo.

Redução de elenco

Como o jogo busca uma pegada mais Arcade, o visual também foi para um lado mais caricato, mas isso não parece que foi aplicado a todos os integrantes do elenco.

Por mais que Fight Forever tenha mais de 50 lutadores disponíveis, sem contar os futuros DLCs, isso não é nem um terço do elenco real que a companhia tem à disposição. Logo, os fãs de luta livre com certeza ficarão incomodados com esse corte.

Além disso, dos que foram incluídos, dá para perceber que enquanto uns receberam um tratamento mais realista, outros ganharam uma interpretação mais caricata. A falta de um padrão faz com que os personagens não pareçam ser do mesmo jogo em alguns momentos, principalmente na proporção dos membros com a cabeça e o corpo.

Outra ausência sentida é a dos comentaristas. Jim Ross, Excalibur, Tony Schiavone e Jazz são nomes reverenciados no que fazem, considerados uma parte importante das lutas da AEW e eles estão presentes em meros balões isolados nos menus. Não tê-los narrando as partidas e fazendo suas observações é uma falta muito pesada para quem gosta de ter o clima da partida enquanto joga.

Ainda está longe do cinturão

AEW: Fight Forever veio com boas intenções, mas precisava ter praticado mais antes de subir no ringue. Mesmo trazendo uma proposta totalmente diferente se comparado a qualquer WWE recente, seus vários problemas e conteúdo fraco o tornam um jogo que não vai nem passar na porta do Hall da Fama.

Prós

  • A jogabilidade é descomplicada;
  • Os movimentos especiais são feitos com apenas um botão;
  • Vestir o seu lutador com uma roupa de urso é bizarramente divertido.

Contras

  • A movimentação dos lutadores é um pouco lenta;
  • Partidas com mais de três participantes apresentam confusão na hora de acertar um golpe;
  • Lutadores se "auto-eliminam" das partidas;
  • Modo carreira repetitivo e com um bug que encerra o jogo;
  • Não é possível escolher livremente as regras das partidas de exibição;
  • Apenas três minigames podem ser jogados fora do Road to Elite;
  • Nem todos os lutadores tem o mesmo padrão visual;
  • Ausência dos narradores.
AEW: Fight Forever — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — 5.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia digital cedida pela THQ Nordic


é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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