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Análise: Death or Treat (Multi) é um roguelike que não inova, mas tem o que é necessário para atrair os jogadores

Com uma jogabilidade simples e uma dificuldade moderada, este roguelike oferece uma experiência divertida, apesar de alguns pequenos deslizes.


Em Death or Treat, estamos no controle de Terrível, um fantasminha que precisa recuperar o espírito do Halloween e salvar o comércio de doces de HallowTown. Após a chegada da Historium, uma poderosa droga comercializada pelo malígno Clark Zuquebergue, dono do FaceBuu!, os habitantes de HollowTown acabaram perdendo sua clientela e abandonando a cidade. Agora, precisamos desbravar todas as divisões do Facebuu! para salvar o Halloween e todo o comércio local.

O fim do Halloween

Após chegar em HallowTown com seu amigo Marshmallow, Terrível encontra a cidade vazia. A vila foi abandonada após o Historium, uma droga comercializada por Clark Zuquebergue, viciar todos os habitantes e acabar com a economia local. Preocupado com o destino de seus amigos e disposto a acabar com o problema, Terrível decide embarcar em uma perigosa aventura para salvar sua cidade.




Logo de cara somos apresentados a esse contexto com uma belíssima cutscene desenhada à mão, com uma animação que se passaria facilmente por um desenho da Disney. A mesma qualidade é vista na animação dos cenários e personagens, com movimentos fluidos e ambientes cativantes e coloridos.

No entanto, o elogio para por aí. Durante o resto do jogo, a história se desenvolve a partir de imagens estáticas que, apesar de bem desenhadas, não chegam nem perto do que foi visto inicialmente, o que considerei muito frustrante.




O mesmo vale para as interfaces. Parece que os menus e as janelas de diálogos não tiveram os mesmos cuidados que outros elementos do jogo, apresentando fontes genéricas e uma estética muito simples. Mas vale ressaltar a qualidade da tradução para português, que adaptou muito bem todos os diálogos e textos de história.

Durante o game, visitaremos estágios baseados em grandes redes sociais como o DiaboTube, o Darkchat e o RipTok. Essa temática é mesclada com elementos de terror relacionados ao Halloween como abóboras, caveiras e fantasmas. Além disso, há referências a outras empresas famosas como Deathflix, Amazombie, BurguerKill e StarBuu.



O básico de um roguelike

Death or Treat é um roguelike de ação 2D que não inventa muita moda. Antes de cada rodada, podemos equipar o Terrível com uma arma e definir sua habilidade especial. Durante as fases, enfrentamos uma série de inimigos que, ao serem derrotados, derrubam doces e itens que são utilizados para realizar upgrades em nosso protagonista e comprar novas armas.

Há três variedades de armamentos: as de curto alcance, como espadas; as armas pesadas, como martelos e machados; e as de longo alcance, que atiram projéteis. Cada uma das classes modifica o combate de diferentes formas. Podemos ser agressivos com as espadas, graças à agilidade, mais cautelosos com as armas pesadas, com seus golpes lentos e poderosos ou até mesmo evitar combate direto, atirando projéteis de longe. 




Em relação às habilidades especiais, há três opções: Terrível pode se transformar em um tornado e causar dano em área, pode invocar projéteis que perseguem os inimigos, ou atirar um bumerangue. Essas habilidades também podem ser melhoradas, ampliando alcance e dano.

As fases são geradas proceduralmente a partir de um conjunto de salas com uma entrada e até três saídas. Nelas estão dispostos vários inimigos para enfrentar e segredos que escondem mais doces para o nosso fantasma. O problema nesse caso é a pouca quantidade de salas disponíveis. Com poucas horas você provavelmente já terá visto todos os aposentos disponíveis, principalmente nos níveis iniciais.



Cativante e limitado

Como é esperado de um roguelike, a repetição constante das fases tende a ser um incômodo, principalmente quando o jogo não oferece conteúdo o suficiente para variar o gameplay. A dificuldade elevada também costuma ser uma característica que afasta alguns jogadores. Mas Death or Treat consegue balancear de maneira satisfatória essas características.

A princípio, a quantidade limitada de salas não chega a ser um grande problema pois o jogo é curto. Claro que no início a progressão é lenta, mas com poucas horas é possível pelo menos chegar à quarta e última fase. Com o Terrível fortalecido, somos capazes de finalizar o jogo com cerca de meia hora.




Os armamentos fornecem uma boa variedade de movimentos e é interessante escolher um equipamento que melhor se adapte ao seu estilo de jogo. Um único porém é que o combate é raso, com apenas um combo disponível, o que deixa a jogatina um pouco repetitiva com o tempo. Além disso, há alguns probleminhas que envolvem a inteligência artificial dos inimigos, que, por vezes, desligam.

Um fator que torna o título mais acessível é a habilidade de regeneração de vida de Terrível, que recupera parte dos pontos de vida perdidos após receber dano. Os inimigos, incluindo os chefes, também possuem padrões de ataque e movimentação simples, o que torna o combate mais trivial. Considerando isso tudo, acredito que o título seja mais adequado para jogadores iniciantes ou para quem quer começar a se aventurar no gênero.



Gostosuras ou travessuras?

Death or Treat entrega o básico do gênero roguelike bem feito até certo ponto, mas não se arrisca em oferecer algo inovador. No entanto, a experiência é positiva, principalmente para jogadores que não estão acostumados com o gênero. O combate é fácil de dominar, porém um pouco tedioso com o tempo. Mas o título consegue cativar por conta de sua excelente direção de arte e movimentação fluida de seu protagonista.

Prós

  • Excelente animação de introdução;
  • Direção de arte belíssima, mesclando o tema de halloween com redes sociais;
  • Cada estilo de armamento fornece um gameplay diferente;
  • Possui características que o tornam mais acessível para jogadores iniciantes.

Contras

  • A história é desenvolvida com imagens estáticas, muito aquém da cutscene inicial;
  • O combate tende a ficar repetitivo;
  • Pouca variedade de salas para construção das fases;
  • Interfaces e legendas pouco trabalhadas;
  • A inteligência artificial dos inimigos desligou algumas vezes.

Death or Treat — PC/PS5/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Vitor Tibério
Análise feita com cópia digital cedida pela Saona Studios


É engenheiro geólogo, graduando em Engenharia Ambiental, entusiasta de novas tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Gosta de aproveitar o tempo apreciando RPGs, relaxando em simuladores de fazenda e curtindo uma boa música em jogos de ritmo.
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