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Análise: Zool Redimensioned (Multi) — O "verdadeiro" rival do Sonic está de volta

Produzido para bater o mascote da Sega, sem sucesso, o ninja da Dimensão N sai do ostracismo e tenta cativar o status de clássico cult.

Uma das febres dos anos 1990 era que cada console deveria ter seu mascote. Enquanto Super Nintendo e Mega Drive estavam bem tranquilos com Mario e Sonic, respectivamente, muitas outras tentavam emplacar um personagem carismático.

Um deles foi Zool, o ninja da Dimensão N, que estreou no Amiga, em 1992. Com uma proposta de jogabilidade rápida, ele foi uma tentativa de rivalizar com o porco-espinho azul da Sega, mas um tanto quanto sem sucesso. Na época ele também foi lançado para Mega Drive, Super Nintendo, Game Gear, Game Boy, Master System, entre outros.

Com seus 30 anos nem tão bem vividos, o shinobi intergaláctico está de volta em Zool Redimensioned, um port que já havia sido lançado para PC e que agora chega ao PS4 e ao PS5.

Mistureba ninja

A sutileza do “Redimensioned” no nome do jogo, que significa “redimensionado” em português, vai além de Zool ser um ninja de outra dimensão. A ideia é simbolizar uma das principais características do port, que é a disposição da tela.

Diferente de muitos outros títulos antigos que foram trazidos para a atual geração, Zool Redimensioned foi adaptado de fato para caber na disposição widescreen 16:9, sem ficar esticado ou com as laterais pretas para preencher o ecrã.

Além disso, é possível manter a câmera próxima, que nem o clássico de 1992; uma a média distância; e uma mais afastada, que dá uma visão mais ampla do cenário. Um toque interessante que viria muito a calhar em diversos outros platformers daquela época.

Outro ponto curioso é que essa emulação do jogo mistura os visuais do Mega Drive/Sega Genesis com os efeitos sonoros do Amiga. Inclusive, a abertura escolhida foi a da versão da Sega, que se desenrola em painéis, como uma história em quadrinhos.

A combinação ficou boa, mas seria bacana poder alternar entre ambas de maneira completa, com áudio e vídeo nativos de cada uma. Nem que fosse pelo menos na sequência de abertura, que no Amiga era feita com uma animação em 3D.

Antes e depois

Visando se apresentar para os novos jogadores e reativar a memória dos nostálgicos — seja lá onde eles estiverem —, Zool Redimensioned traz duas maneiras de jogar a aventura clássica: a Redimensioned, que traz um nível de dificuldade mais moderado, itens em abundância, tempos mais folgados a serem batidos e a possibilidade de utilizar pulo duplo; e a Ultimate Ninja, que traz a experiência original em em sua essência, com dificuldade elevada, pulo simples e itens escassos.

Para quem quiser primeiro jogar sem se preocupar, podemos ativar trapaças logo de início, como invencibilidade e tiro rápido. Entretanto, essa tranquilidade vem ao custo de não desbloquearmos troféus enquanto elas estiverem ligadas.

Por se tratar apenas de um port do jogo original, não há melhorias gráficas ou novos comandos a serem implementados, como o já famoso rebobinar de algumas outras presenças noventistas ressurgidas. Se por um lado Zool parece extremamente datado, por outro a jogabilidade dele ainda é bastante precisa para alguém que já passou da juventude.

Talvez o maior ponto de incômodo para os fãs de plataforma, e eu me incluo nesse grupo, são as estruturas das fases. Lembram que eu falei que o ninja foi projetado para ser um rival direto do Sonic? Pois bem, vários cenários têm um design mais labiríntico, que exigem que o jogador ou tente bater o tempo ou vá atrás dos colecionáveis. Os dois objetivos ao mesmo tempo podem ser inviáveis em certas ocasiões.

A única adição 100% nova em termos de modos de jogo foi a inclusão de três party games, para serem curtidos com mais um amigo de maneira local. Eles possuem objetivos simples, como coletar mais itens que o adversário, passar mais tempo em posse da coroa e marcar mais cestas. Só que eles também têm suas peculiaridades.

Por um lado, as partidas não são customizáveis. As arenas são baseadas em um dos sete mundos do jogo, trazendo inclusive os chefes para atrapalhar a nossa vida, sem que possamos escolher em qual vamos nem variar a meta que o vencedor precisa atingir.

Por outro, os gráficos desse modo de jogo são mais bonitos que os do modo aventura. Isso com certeza deixa aquela pulga atrás da orelha de que seria totalmente possível pelo menos ter filtros que suavizassem os pixels na tela e deixassem o visual um pouco mais atual.

A única melhoria visual presente, além de um filtro retrô, é a mudança de contraste. Ela está presente em três níveis e ajuda a tornar a visibilidade dos itens na tela mais fácil em meio à explosão de cores característica das fases.

Um ninja discreto

Zool Redimensioned não deixa de ser um resgate interessante, ainda mais por se tratar de mais um dos concorrentes de Sonic e Mario que não se destacaram em meio aos dois titãs. Seu estilo e sua jogabilidade podem ser datados, mas isso não impede que o ninja da Dimensão N tenha seu charme.

Prós

  • Visual colorido da época ganhou ajuste de contraste;
  • Disposição widescreen sem ficar esticado na tela e com mais de um tipo de zoom;
  • A combinação do visual do Mega Drive com a parte sonora do Amiga funcionou bem;
  • Inclusão de party games para dois jogadores.

Contras

  • Os gráficos estão bem datados e não ganharam nenhum tipo de filtro;
  • Os party games acabaram ficando mais bonitos que o jogo original;
  • Seria bom ter pelo menos as versões completas do Amiga e do Mega Drive de modo nativo;
  • O design de alguns estágios é um pouco confuso.
Zool Redimensioned — PC/PS4/PS5 — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Ives Boitano 
Análise feita com cópia digital cedida pela Secret Mode Limited 

é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no seu twitter @carlos_duskman
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