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Análise: Rift Rangers (PC) mostra em pouco tempo que não tem muito o que oferecer

Conteúdo limitado e curva de dificuldade alta não colaboram para deixar esta aventura divertida e engajadora.


Rift Rangers
é mais uma cria da recente leva de roguelites de sobrevivência que estão surgindo após o sucesso de Vampire Survivors (Multi). Assuma o controle de heróis à la Power Rangers na luta contra intermináveis hordas de monstros para defender o planeta. Na análise a seguir vamos conferir se compensa gastar mais alguns trocados neste simpático indie.

Hora de “riftar”

A Terra — suponho que seja ela, mas enfim — está em perigo! Hordas de monstros estão invadindo e cabe aos Rift Rangers usarem de coragem e tecnologia para destruí-los e trazer a paz de volta. Nossa função é guiar os rangers em investidas contra intermináveis ataques de inimigos durante o tempo pré-determinado para vencer o jogo.

O objetivo do jogador é guiar seu herói pelo mapa para capturar pontos com um cérebro gigante que fortalece os inimigos conforme o tempo passa. Sendo assim, caso o ranger não consiga capturar o ponto de interesse a tempo, modificadores começam a surgir para fortalecer os monstros na forma de novos pontos de vida, velocidade de movimento ou mesmo um aumento na taxa de seu aparecimento.


Quanto mais rápido o jogador conseguir tomar o controle dos pontos, menos chances os inimigos têm de ganhar upgrades que deixem a situação no mapa menos administrável. Para ajudar, os Rift Rangers contam com uma tecnologia própria chamada de RiftTech, que os permite invocar armamentos que os ajudam a liquidar os monstrengos.


Lembrando muito jogos do gênero Tower Defense, os heróis podem invocar torretas laser, serras gigantes, arcos cósmicos, bombas e outros armamentos que até fazem uma alusão aos tipos de armas comumente apresentadas nos Super Sentai (séries japonesas estilo Power Rangers, caso você não tenha muita familiaridade com o termo). Essa abordagem de ataque é uma variante interessante do crescente gênero de sobrevivência que este tipo de jogo possui atualmente.

Somado a isso, cada um dos quatro rangers disponíveis para jogar possui uma habilidade única que pode ser usada sempre que possível. Super velocidade, bombas com um raio de alcance maior, sobrecarga de força para os apetrechos RiftTech e até mesmo invocar todos de uma só vez. Essa habilidade única de cada personagem pode ser a diferença que o jogador precisa para sobrepujar os ataques inimigos.


Ao derrotar inimigos, pequenos cristais são largados por eles para o jogador coletar. Uma vez que a quantidade necessária é obtida, o ranger sobe de nível e pode escolher entre três melhorias de equipamentos. A captura dos pontos também premia o jogador com a escolha de upgrades, voltadas neste caso para o próprio herói, na forma de recuperação ou aumento do máximo de pontos de vida, além de melhorias exclusivas para os RiftTech, como aumento do dano total, tempo ou taxa de ataque.


Eventualmente, outro tipo de upgrade também surge no campo, permitindo a invocação do “RiftZord” — esse nome eu inventei mesmo — que pode dar um boost em até três atributos do ranger. Isso permite que ele próprio se torne uma arma móvel e desfira os ataques selecionados aleatoriamente pelo robô gigante para dar uma ajuda extra temporária durante a investida.

Aquele episódio difícil para os heróis

Como já é de praxe neste tipo de jogo, a regra para vencer é simples, mas, na prática, é outra história. O jogador vence se sobreviver por 20 minutos. Parece pouco, mas chegando na metade desse tempo a situação no mapa já começa a se mostrar um pouco caótica. Se você não for esperto, rapidamente se verá cercado de inimigos e rapidamente derrotado. Por outro lado, a escolha dos equipamentos vai da mais pura sorte também.

Cada ranger só pode fazer uso de até quatro equipamentos Rift Tech, além de sua habilidade pessoal única. Saber escolher quais os melhores armamentos é, obviamente, uma tarefa de tentativa e erro até o jogador conhecer cada um dos disponíveis e saber montar sua build “perfeita”. O problema é quando inimigos bem agressivos, e em números elevados, começam a dar muito trabalho rápido.


Mesmo nas primeiras partidas, percebe-se uma dificuldade mais acentuada cos os inimigos. Me deixei levar pela apresentação colorida e chamativa do game e tomei belos sopapos em minhas tentativas iniciais. Precisei farmar baterias, o outro recurso disponível além dos cristais, para desbloquear algumas melhorias permanentes, como máximo de vida ou velocidade de movimento para melhorar um pouco minhas chances de vitória, o que aconteceu apenas na hora seguinte.


Mesmo com uma quantidade razoável de equipamentos (14 no total) alguns, como as bombas, que possuem duas variantes, são bem parecidos entre si, mudando apenas a forma de uso. Já outros só são realmente úteis após receber várias melhorias conforme subimos de nível. O problema é que é bem complicado obter acesso a todas as armas.

Rift Rangers conta com apenas dois mapas de jogo: um mais amplo e outro totalmente horizontal. Se você conseguir sobreviver por 10 minutos no primeiro, o segundo fica disponível e você se vê jogando de forma alternada nos dois cenários com único intuito de desbloquear mais coisas. Quando um nível em determinado mapa é batido, ou seja, quando você sobrevive os famigerados 20 minutos, são liberados os níveis seguintes dos dois mapas.

Cada nível adiciona um modificador ao jogo, como incremento fixo de vida dos inimigos, velocidade de movimento, essas coisas. É uma forma artificial de acrescentar conteúdo ao jogo, visto que para obter o restante das conquistas e, consequentemente, os equipamentos restantes, você precisará rejogar os dois mapas até, na prática, vencer o nível 5 em cada cenário. Depois disso, é passar mais estresse com o jogo até obter 100% dos achievements.

Em acesso antecipado desde dezembro de 2022, Rift Rangers não aparenta ter aquela cara de jogo completo às vésperas de seu lançamento no próximo dia 24 de maio. Não há tanto conteúdo e muito do que temos para fazer no jogo é adicionado artificialmente por meio dos modificadores. É ótimo para quem gosta de desafios crescentes já de cara, mas como produto, a meu ver, ainda precisa de mais coisas além desse feijão com arroz e uma salada colorida de amarelo, preto, azul e verde.

つづく

Rift Rangers é uma alternativa interessante e barata de roguelite de sobrevivência para sua biblioteca se você é fã do gênero. Caso contrário, minha recomendação é esperar para ver se o jogo receberá atualizações que o deixarão com um gameplay mais divertido e com conteúdo mais atrativo de modo geral.

Prós

  • A apresentação geral é divertida e chamativa;
  • A jogabilidade estilo Tower Defense traz uma abordagem estratégica interessante.

Contras

  • A curva de dificuldade é relativamente alta já de cara;
  • Apenas dois cenários;
  • Necessidade de obter melhorias permanentes se faz necessária muito cedo;
  • O jogo é estendido de forma artificial por meio de modificadores.
Rift Rangers — PC — Nota: 6.5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Epic Story Interactive

Fã de Castlevania, Tetris e jogos de tabuleiro. Entusiasta da era 16-bit e joga PlayStation 2 até hoje. Jogador casual de muitos e hardcore em poucos. Nas redes sociais é conhecido como @XelaoHerege
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