Hands-on

BGS 2022: voltado a fãs do HoYoVerse, Honkai Star Rail (Multi) pode não agradar a fãs de RPG em geral

Utilizando sistemas simples, o jogo sabe exatamente onde e como chamar atenção de seu público-alvo cativo.


A miHoYo pode ter conseguido se consolidar como uma marca universalmente conhecida na indústria de games com Genshin Impact, mas é notável que ela já tinha realizado algumas outras incursões de sucesso anteriores, como é o caso do Honkai Impact 3rd, lançado em 2016. Como se isso não fosse suficiente, foi tal game que inclusive serviu para pavimentar o modelo de negócios de Genshin. Desta forma, Honkai Star Rail (Multi) é um sucessor natural desses dois — e o GameBlast teve a oportunidade de testar uma versão de demonstração do jogo na BGS 2022.

Antes de falarmos da demo em si, gostaria de chamar atenção de que o estande da miHoYo era realmente um lugar muito bonito de se estar. Seguindo uma arquitetura um pouco diferente de outros expositores no evento, o espaço era extremamente aberto e iluminado. Era bastante confortável transitar pelas estações com dispositivos móveis para testar não só o vindouro Honkai, mas também o próprio Genshin.
O estande da miHoYo era um lugar surpreendentemente agradável de se estar por conta de seu ambiente claro, aberto e bem iluminado.
Dito isso, havia duas formas de aproveitar o Honkai Star Rail. Uma delas era em dispositivos móveis, enquanto a outra era com um controle na tela grande — deve ser PC, já que o game não foi confirmado para consoles. Enquanto as estações mobile estavam vazias, preferi optar por esperar um pouco desocupar a interface maior e jogar com um esquema de jogo de verdade. 

A demo disponível não se tratava de uma build de teste com tempo contado — como é o caso da versão de Street Fighter 6 da feira — mas um sandbox em que o jogador podia vasculhar o ambiente aberto (uma cidade bem ampla e recheada de detalhes que, vendo no site, descobri se tratar de Jarillo-VI), o que acabou promovendo uma sensação de desorientação imediata. Nota-se que, logo de cara, o sistema de movimentação e a ambientação em si são muito parecidos com o Honkai original e com o Genshin. 

Assim que foi possível me situar, consegui entrar em uma missão que se passava na mesma cidade. Depois de algum falatório pouco adequado para uma demo de curta duração, foi hora de seguir em direção até o ponto X do mapa em um longo corredor. Aí é quando a estrutura de um jogo mobile ficou bastante evidente porque claramente se tratava de um nível bastante curto e para ser jogado em doses ágeis, como no transporte público, intervalo de trabalho ou escola, ou ainda naquele momento de contemplação no vaso sanitário.
Honkai Star Rail pode ser um RPG extremamente simples e sem qualquer diferencial no que diz respeito aos seus sistemas, mas é inegável que ele tem muito estilo.
Os oponentes ficaram espalhados ao longo do estágio que tive a oportunidade de testar e seguiam em um esquema de que eles poderiam te surpreender em um ataque de oportunidade ou simplesmente o contrário. Uma vez iniciadas as lutas, o que se tem é um RPG de turnos dos mais tradicionais, com os personagens ordenados de acordo com seus atributos, sendo possível atacar os oponentes disponíveis. 

Cada um dos bonecos na tela também conta com ataques especiais, sendo que as animações são particularmente bonitonas e até ajudam a quebrar o ritmo bem monótono das brigas, especialmente as mais longas, como é o caso da boss. Contra a chefe, inclusive, cheguei a perceber a existência de duas barras — quando uma delas chegava ao fim, a personagem ficava atordoada e era mais fácil causar altas quantidades de dano. 

Denota-se que as habilidades especiais vão além de terem uma função única ofensiva, sendo que alguns também trazem buffs, nerfs, cura e outros artifícios capazes de modificar o rumo do combate. 
Os brindes — "passaporte" e cartão postal — do estande da miHoYO foram bem bacaninhas. Os caras sabem chamar atenção pelo visual.  
Falando em questão de demonstração, talvez tenha sido uma escolha errada colocar aquela build no formato em que lá estava. Não que estivesse ruim ou inacabada — muito pelo contrário, a impressão que eu tive é que o game poderia ser lançado hoje sem problema algum —, mas porque ele não direcionou a experiência do jogador para entender um pouco mais daquele universo ou o que torna o Honkai Star Rail diferente. 

Sinceramente, também senti falta de experimentar um pouco do suposto trem espacial que inclusive dá nome ao título, principalmente por ser uma referência bem bacana a um romance japonês conhecido como Viagem Noturna no Trem da Via Láctea, aludido em diversas outras obras da esfera popular. Novamente, não sei se ele realmente estava ausente ou, na verdade, apenas escondido em algum lugar da demo que não cheguei a acessar justamente por ter sido uma demonstração pouco direcionada a testes ágeis em um evento como a BGS. 
A Chefona que enfrentei na demo foi essa aqui. Embora eu tenha processado pouca informação durante o teste, o site oficial é exemplar e com ele acabei aprendendo muito mais a respeito sobre o que eu joguei na feira do que durante o próprio game.
Em linhas gerais, a impressão que tive de Honkai Star Rail é que se trata de um game particularmente fácil e simplório na experiência oferecida. Entretanto, todo mundo sabe que, em um produto nesse mesmo modelo, o que importa é a quantidade e qualidade dos bonecos oferecidos. Nesse aspecto, é impossível não pensar no quão bonitos realmente são os personagens da marca. O esquema, obviamente, é trazer um esqueleto fácil de se lidar no jogo base e chutar o balde nos eventos sazonais que farão os mais assíduos torrem rios de dinheiro para registrar os personagens temporários em suas respectivas contas. 

Em tempo, queria ressaltar que eu gostei bastante do brinde que ofereceram. Realizando certas quests — como fazer o pré-cadastro do Honkai na própria feira e fazer o check-in no estande do evento — o jogador-visitante ganhava um print bem bacana, um cartão-postal e um livretinho personalizado para parecer um passaporte que, inclusive, foi carimbado na hora. Embora eu tenha sentido falta do famigerado trem interestelar no excerto de demo que joguei, a ideia de viagem acabou se fazendo presente de forma física, no fim das contas. 

No fim, a sensação que ficou é que Honkai Star Rail é um jogo como produto no principal sentido de marketing possível. É extremamente vendável para seu público-alvo, trazendo poucos atrativos ou diferenciais que poderiam fazer com que ele chamasse a atenção de uma audiência menos versada ou pouco imersa no chamado HoYoVerse. 


Honkai Star Rail é um título previsto para dispositivos móveis (iOS e Android) e PC cuja janela de lançamento ainda não foi confirmada. 

É jornalista formado pelo Mackenzie e pós-graduado em teoria da comunicação (como se isso significasse alguma coisa) pela Cásper Líbero. Tem um blog particular onde escreve um monte de groselha e também é autor de Comunicação Eletrônica, (mais um) livro que aborda história dos games, mas sob a perspectiva da cultura e da comunicação.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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